sábado, 12 de julho de 2014

GAME OF THRONES - PARTE I – ANÁLISE DA SÉRIE

“Quando se joga o jogo dos tronos, você vence, ou você morre. Não existe um meio termo.”

Cersei Lannister

Criação: David Benioff, D.B. Weiss
Elenco Principal: Peter Dinklage, Emilia Clarke, Lena Headey, Maise Williams, Kit Harington, Iain Glen, Sophie Turner, Sean Bean, Nikolaj Coster Waldau, Rory McCann, Charles Dance, Alfie Allen, Jack Gleeson, John Bradley, Michelle Fairley, Isaac Hempstead Wright, Aidan Gillen, Conleth Hill, Jerome Flynn, Julian Glover, Mark Stanley, Richard Madden, Gwendoline Christie, Ian McElhinney, Kristian Nairn, Sibel Kekilli, Rose Leslie, Joe Dempsie, Natalie Dormer, Stephen Dillane, Bon Crompton, Daniel Portman, Finn Jones, Nathalie Emmanuel
Roteiro: Diversos
Temporadas (Anos): 1 (2011), 2 (2012), 3 (2013), 4 (2014)
Duração (cada episódio): 60 min.
Gênero: Drama / Aventura

Há centenas de anos, a família Targaryen deixou a Valíaria, sua terra natal no continente de Essos, e rumou para Westeros, istalando-se em Pedra do Dragão. Cem anos depois, Aegon Targaryen e suas irmãs (e esposas), Visenya e Rhaenys, montados em três dragões, conquistaram os Sete Reinos de Westeros, unificando-os em um só. Um reino, com um só rei para governar. Montados em seus poderosos dragões, os Targaryen instalaram seu absolutismo durante séculos. Entretanto, aos poucos, os dragões foram se tornando menores, até deixarem de existir. Todavia, a sede pelo fogo ainda permanecia no sague de cada “filho dos dragões”, e foi essa paixão que enlouqueceu Aerys, último rei da Casa Targaryen. Enquanto o rei enlouquecia, as famílias Baratheon, Stark, Tully e Aryn, apoaidos por Twyn Lannister, o Mão do Rei, assassinaram o Rei, seu filho mais velho, Raeghar, e os filhos deste, tomaram a capital e coroaram Robert Baratheon como Rei dos Sete Reinos de Westeros. Os únicos Targaryen sobrevivente foram Vaserys e Daenerys, filhos de Aerys, que fugiram para Essos.

Mapa dos continentes fictícios da história: Westeros (à esquerda) e Essos (à direita)
Depois da Guerra, Robert casou com Cersei Lannister, filha de Twyn, nomeou Jon Aryn como sua mão, Eddard ‘Ned’ Stark voltou para o norte para assegurar a paz naquela região ao lado de sua esposa, Catelyn Tully, filha de Harsen Tully, Twyn Lannister voltou para seu castelo, de onde passou a emprestar dinheiro para sustentar o reino. A paz parecia, enfim, reinar. Desessete anos depois, Jon Aryn morre e Robert se dirige até o Norte para nomear Ned seu novo Mão do Rei. Ned, então, se muda para Porto Real com as filhas. No entanto, uma vez na Capital, perceberá que a morte de Jon não foi tão natural quanto se pensa: a Mão do Rei foi assassinada. E pior: o rei Robert corre perigo de vida. Vaserys e Daenerys estão se movendo no outro lado do mar estreito para voltar a Westeros e conquistar o que é seu por direito: ela, acaba de se casar com Khal Drogo, um homem com um exército poderoso. Para a princesa chegar à sua terra, basta os cavaleiros do marido se convencerem a passar pelo mar estreito, e isso pode ocorrer a qualquer momento. Enquanto uma iminente guerra entre as famílias de Westeros pelo Trono de Ferro se aproxima, no norte além da Muralha (construção que protege o os Sete Reinos do perigo das terras do sempre inverno) criaturas polares e selvagens (homens comuns) reúnem cada um suas forças para atacar o sul. Agora, apenas uma coisa é certa: quando se joga o jogo dos tronos, você vence ou você morre, não existe um meio termo.

Para que a compreensão da história seja mais simples, eis o mapa do continente de Westeros.
À direita, o Norte, onde podemos destacar a Muralha, o Norte além da Muralha e Winterfell, local onde a família Stark vive. À esquerda, podemos ver o Sul do continente, onde ficam o Ninho da Águia (no Vale Arryn, no nordeste), casa da família Arryn, Ilhas de Ferro (noroeste), casa da família Greyjoy, Correrrio (noroeste), casa da família Tully, Porto Real (leste), capital dos Sete Reinos, Pedra do Dragão (leste), antiga casa da família Targaryen,  Rochedo Casterly (oeste), casa da família Lannister, Jardim de Cima (sudoeste), casa da família Tyrell, Ponta Tempestade (sudeste), casa da família Baratheon, e Lançassolar (Dorne, no extremo sul), reino da família Martell. Há centenas de anos, os Sete Reinos eram formados por:  Reino do Norte (Casa Stark), Reino das Ilhas de Ferro e das Terras Fluviais (Casa Hoare - posteriormente foi dividido entre as Casas Greyjoy e Tully), Reino da Montanha e do Vale (Casa Arryn), Reino do Rochedo (Casa Lannister), Reino da Campina (Casa Cardener - posteriormente governado pelos Tyrell), Reino das Terras da Tempestade (Casa Durrandon - posteriormente entregue à Casa Baratheon) e Reino de Dorne (Casa Martell)
“Game of Thrones” é a adaptação do primeiro livro de “As Crônicas de Gelo e Fogo”, série escrita pelo americano George Raymond Richard Martin que conta com cinco livros já lançados (com previsão para mais dois para os próximos anos): “A Guerra dos Tronos”, “A Fúria dos Reis”, “A Tormenta das Espadas”, “O Festim dos Corvos” e “A Dança dos Dragões”. Juntos, os livros contam com mais 3600 páginas, já foram traduzidos para 28 idiomas, foram vendidos mais de 15 milhões de exemplares em todo o mundo e somaram 15 milhões de dólares ao autor pela venda dos direitos de filmagem para o canal HBO, responsável pela adaptação da série que leva o nome do primeiro livro. Ainda em conjunto, os cinco livros somam, aproximadamente, 1500 personagens que foram brutalmente assassinados.
E talvez seja nesse número incrível de mortes que se detenha um dos maiores chamarizes da série – tanto literária, quanto televisiva. Desde o primeiro episódio, a série se mostra excitante a cada capítulo, alternando entre cenas onde permanece a violência e aquelas onde reina o diálogo. Todas, sem exceção, são muito bem construídas: jamais foram visto na televisão batalhas ou cenários como esses, e, poucas vezes, uma história de fantasia foi tratada com tanta seriedade, com diálogos rápidos, inteligentes e perspicazes. As mortes de personagens importantes, os quais consideramos cruciais ao longo de cada temporada, tornam tudo muito incerto. E é por isso que matar esse ou aquele “protagonista” é a maior sacada de todas para que os telespectadores permaneçam vidrados em frente à televisão.

Brasões das principais casa de Westeros. Em cima: o lobo da Casa Stark, o leão da Casa Lannister, o dragão de três cabeças da Casa Targaryen e o veado da Casa Baratheon. Em baixo: a lula girante da Casa Greyjoy, a truta da Casa Tully, a rosa da Casa Tyrell, o sol com uma lança da Casa Martell e o falcão e a lua da Casa Arryn.
Vale lembrar que aqui não existem protagonistas. Todos os personagens juntos formam um elenco que se completa. Cada família de Westeros possui seus nomes mais importantes, e são eles que farão com que os fãs da série escolham e defendam sua casa com o passar do tempo. Todavia, os personagens possuem a mesma importância na história, na medida que é impossível sabermos qual a importância esse ou aquele indivíduo poderá ter para essa ou aquela casa. Além disso, os personagens fazem jus a isso tudo: são espertos, lutam por suas vidas e ideais, sabem que correm risco em qualquer decisão que tomam e esperam que sua família seja beneficiada nessa luta.
Como citei, a série nos surpreende pelas cenas de ação, pois nunca vimos tantas em uma produção televisiva (a primeira temporada ultrapassou os 100 milhões de dólares no orçamento). Podemos observar que a maior parte das guerras retratas nos livros, foram deixadas de lado na adaptação, afinal, não podemos sequer imaginar a quantia de dinheiro gasto com esse tipo de cena. Entretanto, posso citar alguns momentos em que a produção supera expectativas ao utilizar a violência como fator principal: quando Jon Snow enfrenta um Caminhante Branco para salvar o Senhor Comandante da Patrulha da Noite, a grande Batalha da Água Negra, a conquista do primeiro exército de Daenerys, a briga desonesta entre Jaime e Brienne contra um urso, e, sem dúvidas, o temido Casamento Vermelho, que termina com o derramamento de sangue de personagens adorados pelo público (detalhes sobre esses acontecimentos revelariam informações demais).


No entanto, não são apenas cenas de ação que fazem dessa série algo histórico. Os diálogos são escritos de forma brilhantes e permanecem, mesmo com tanta beleza e excitação nas cenas violentas, como o melhor trunfo dessa produção. Personagens travam guerras entre si utilizando uma arma poderosa: a palavra. E não são apenas verdades que são arremessadas por essas línguas ágeis, são ofensas, mentiras, falsas promessas, deboches e, sobretudo, ameaças das mais variadas possíveis. Na cena em que Ned revela a Cersei que sabe seus segredos, por exemplo, as bocas de ambos disparam tudo o que foi citado. Outras cenas importantes são protagonizadas por: Cersei e Tyrion, Catelyn e Talissa (nora da personagem), Meistre Luwin e os garotos Stark, Tyrion e Varys, Jaime e Brienne, Tywin e Ollena (aliás, todas as cenas em que Tywin e Ollena dialogam com outra pessoa são impecáveis), Varys e Baelish, Bran e Rickon. Entenda melhor quem são os personagens citados na publicação especial dos PERSONAGENS (em breve).

Árvore Genealógica das principais famílias de Westeros. 
Aos leitores dos livros, “Game of Thrones” pode parecer uma adaptação infiel e sem sentido. Todavia, é importante não esquecer que a produção televisiva é baseada na obra de George Martin, e não uma cópia legítima dos livros do autor. Claro que algumas cenas são desnecessárias, algumas até revoltantes para os fãs dos livros. Ainda vale ressaltar que as reviravoltas propostas pela trama e os momentos inexistentes nos livros que foram criados pelos produtores para a série, deixam até mesmo os fãs da obra literária curiosos pelos próximos episódios. Nos livros, Martin atribui a cada capítulo o nome de um personagem, e é sobre este que a parte em questão do livro falará. Na série, os episódios também se dividem de acordo com os personagens: cada episódio retrata momentos vividos por um determinado número de figuras relevantes para o contexto. Outro trunfo da série é o fato de Martin estar sempre ligado à adaptação, sendo comum, cenas que ainda demorarão a ocorrer nos livros aparecerem de surpresa na série.

Winterfell, "capital" do Norte.
Sendo cenas violentas ou cenas amenas, todas as cenas vistas em “Game of Thrones” têm o poder de nos emocionar, seja por sua beleza estética impecável ou pelo significado fictício ou real que elas trazem. Mães se despedem de filhos que jamais voltarão das guerras, algumas chegam a ver seus filhos morrerem em lutas sangrentas. Outras, temem pelos filhos pelo poder que suas posições podem lhes proporcionar, poder que, muitas vezes, não será usado com sabedoria. Homens que acompanharam famílias durante mais de uma geração vêem tudo o que acreditam ser destruído. Outros sofrem ao saber que a própria família os rejeita e os deseja ver mortos. Crianças precisam lidar com o fato de que seus pais se foram, seus irmãos desapareceram e seu futuro, que outrora estava sendo planejado, tornou-se algo completamente incerto. Homens vêem suas embarcações serem afundadas e, com elas, sonhos, conquistas e filhos irem para o fundo do mar e nunca serem encontrados para um enterro digno. Aliás, o que menos vemos nessa série são mortes dignas. E tudo isso por um só propósito: a conquista de um trono de ferro. Mas esse não é qualquer trono, quem sentar nele e em sua cabeça repousar a coroa controlará os Sete Reinos de Westeros, será Rei dos Ândalos, dos Roinares e dos Primeiros Homens, Protetor dos Sete Reinos de Westeros.

Porto Real (King's Landing), capital dos Sete Reinos de Westeros
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