domingo, 2 de março de 2014

008. (ESPECIAL OSCAR 2014) GRAVIDADE, de Alfonso Cuarón

Uma obra prima.
Nota: 9,8


Título Original: Gravity
Direção: Alfonso Cuarón
Elenco: Sandra Bullock, George Clooney, Ed harris, Orto Ignatiussen, Phaldut Sharma, Amy Warren, Basher Savage e Janes Ahern
Produção: Alfonso Cuarón, David Heyman, Christopher DeFaria, Stephen Jones, Nikki Penny e Gabriela Rodriguez
Roteiro: Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón e George Clooney
Ano: 2013
Duração: 91 min.
Gênero: Drama / Ficção / Ação


Ryan Stone é uma engenheira que foi chamada para trabalhar um tempo no espaço. Ao lado do experiente astronauta Matt Kowalski, ela deixa o interior seguro de uma nave espacial para realizar um conserto. Enquanto Stone finaliza o trabalho, Kowalski é alertado quanto a destroços de um aparelho destruído por russos. Sem conseguir chegar até a nave, Stone e Kowalski são atingidos pelos destroços e ficam afastados da nave. Agora, a dupla está à deriva, com pouco oxigênio, chances remotas de conseguir ajuda, e chances menores ainda de permanecerem vivos.


“A 600km acima do planeta Terra a temperatura oscila entre 120º e -100º Celsius. Não há nenhuma transmissão de som, nenhum oxigênio, e nenhuma pressão atmosférica. Vida aqui é impossível.” São essas palavras que fizeram parte de qualquer comercial de “Gravidade”. São elas, ainda, as primeiras palavras apresentadas ao espectador. Com isso, esperamos um filme longo, demorado e chato, pois imaginamos que tipo de longa pode ser realizado tendo como ambiente um local sem som, sem oxigênio, sem pressão atmosférica, sem vida. Antes de assistir a esse longa, inúmeras pessoas perguntavam se eu já havia ouvido falar sobre ele. Minha resposta sempre foi: sim, mas ainda não tive coragem suficiente para assisti-lo.  Certa noite, resolvi encarar o longa como uma forma de relaxar. Qual foi minha surpresa quando comecei a assistir ao filme e em momento algum visualizei cenas enfadonhas. Desmitificando tudo o que dezenas de pessoas falam acerca do filme, afirmo que o longa é excitante e curioso do começo ao fim. Não que cenas de ação sejam necessárias, até acho que algumas delas poderiam ter sido mais monótonas, mas o roteiro e as interpretações são tão intensas que nos levam diretamente para o que os personagens estão vivendo (ainda mais se o filme for assistido em 3D) e passamos o longa desesperados.


Alfonso Cuarón é conhecido por três grandes trabalhos: “E Sua Mãe Também” (2001), “Harry Potter e o Prisioneira de Azkaban” (2004) e “Filhos da Esperança” (2006). Com “Gravidade”, o diretor entra para o grupo dos grande nomes indicados ao Sindicato dos Diretores e ao Oscar, a maior premiação do cinema. E não há uma alma que diga que Cuarón não merece tais indicações e, ainda, ser o vencedor desses prêmios. Inclusive, Cuarón e Mark Sanger, editores do longa, criaram novas tecnologias para realizar as filmagens, uma delas, por exemplo, faz a câmera rodar, acompanhando os movimentos dos personagens que estão girando pelo espaço. O filme possui algumas singularidades que devem ser mencionadas. Não posso deixar de citar, e o faço logo no começo, o fato de os russos causarem tantos estragos por detonarem um aparelho no espaço, o que torna o filme ainda mais americano, apesar de o diretor ser mexicano e o produtor David Heyman ser inglês. Ainda cito algumas cenas que esperava encontrar e não encontrei: muitas pessoas observaram que o filme tinha momentos de extremo silêncio, mas eles não existem. Acredito que algumas cenas poderiam ser completamente mudas, sem alterar sua grandiosidade ou seu impacto (provavelmente elas não existam pois podriam quebrar o clímax eterno do longa. A escolha de existirem poucos personagens é muito arriscada, mas é um dos grandes pontos do longa.


O roteiro de Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón, filho do diretor, e George Clooney, que despensa apresentações, é rico e não deixa o espectador se perder ou de distrair com outra coisa. É interessante a forma como toda a trama se desenvolve em um possível tempo real, ou seja, a história, provavelmente, ocorre no mesmo tempo do filme, em uma hora e meia. Os diálogos dos personagens e a forma como é feita a construção de Stone (uma mulher inexperiente no espaço e, por isso, temerosa) e Kovalski (um homem com experiência em problemas no espaço e, por isso, mas tranquilo) é maravilhosa e nos cativamos por ambos desde o início do longa. A trilha sonora do filme é do iniciante compositor Steven Price (e estará a disposição aqui no blog durante mais uma semana). Apesar de ter apenas dois filmes em seu currículo como compositor, o inglês trabalhou como programador musical em “A Liga Extraordinária” (2003)  e em “Resgate Sem Limites” (2003) e editor musical em “O Senhor dos Aneis: As Duas Torres” (2002), “O Senhor dos Aneis: O Retorno do Rei” (2003), “Batman Begins” (2005), “Criatura Perfeita” (2006), “A Última Legião” (2007) e “Terra” (2007). “Gravidade” portanto, é seu primeiro grande trabalho na composição. Price, nesse contexto, excede expectativas, pois a trilha do longa, como já citei, se torna essencial devido ao número reduzido de personagens e ao fsto de tudo ocorrer no espaço, onde não há possibilidade de propagação sonora. Músicas dramáticas que protagonizam as cenas melancólicas de Bullock se misturam às músicas agitadas que permeiam as cenas em que Stone é atingida pelos destroços do aparelho russo. A música da cena final do longa é uma das mais belas do ano e, sem dúvida, uma das que mais causa emoção dos últimos anos.


Em termos de atuação, temos apenas duas: Sandra Bullock, como Stone, e George Clooney, como Kowalski. Assim como muitos outros críticos, até hoje não engoli o Oscar de Bullock em 2009 por “Um Sonho Possível” (2008), o filme é chato e a personagem da atriz é cômica demais, exigindo pouco dela. Dali por diante confesso ter pegado um implicância por Bullock, que parecia artificial demais em cada um de seus filmes. Entretanto, “Gravidade” quebrou qualquer problema do passado existente em relação a ela. Finalmente incumbiram à atriz uma personagem realmente dramática, e mais, uma personagem que carrega o filme nas costas. Enquanto Stone está no espaço – o que ocorre na maior parte do filme – Bullock está coberta por aquela roupa típica de astronautas, por isso, o único artifício que pode ser usado são suas feições. O desespero de uma mulher à beira da morte que não sabe como agir, o medo de uma leiga ao ligar uma nave espacial, a culpa de uma profissional ao ver seu colega e sacrificar por ela, a angústia de uma mãe ao contar sobre a morte prematura da filha e o alívio de um ser humano ao constatar que ainda existe possibilidade de vida são intensos e poucas vezes atingiram um grau tão alto em uma interpretação quanto Sandra Bullock atingiu aqui. Não estamos acostumados a ver George Clooney ser pouco considerado em premiações, não sei se foi o teor subjetivo do longa, mas sua interpretação me comoveu e me conquistou como poucas conseguem fazer. O Kowalski criado pelo ator é um homem vivo, disciplinado, calmo e extremamente espirituoso. É um ser humano como outro qualquer, as feições de Clooney e a voz do ator são essenciais para que o longa seja tão absurdamente pavoroso e acho uma lástima o ator ter sido esnobado por inúmeras premiações.


“Gravidade” é uma das grandes promessas para o Oscar esse ano. Ao todo, são 10 indicações à premiação. A mais importante, sem dúvidas é como melhor filme. Tendo em vista a indicação a melhor direção, é um dos cinco favoritos e concorre penas com “12 Anos de Escravidão”, com quem dividiu o prêmio do Sindicato dos Produtores e grande favorito do ano. Melhor direção para Alfonso Cuarón, que concorre com Martin Scorsese (sempre um favorito), por “O Lobo de Wall Street” e com Steve McQueen, por “12 Anos de Escravidão”, lembrando que David O. Russell pode ser a grande surpresa com seu “Trapaça”, Cuarón é o favorito do ano, tendo vencido 26 prêmios ao longo da temporada (incluindo do Sindicato de Diretores) e, provavelmente, deverá vencer o prêmio. Melhor atriz, para Sandra Bullock, apesar de ser a melhor interpretação da carreira da atriz, a disputa está entre Cate Blanchett e Amy Adams, mas que a vitória de Bullock seria uma surpresa muito agradável, isso seria. Melhor fotografia, tendo em vista a qualidade e o fato de o filme ter vencido vários outros prêmios na categoria, provavelmente a vitória é dele. Melhor edição, a exclusão de “O Lobo de Wall Street” e a qualidade técnica de “Gravidade” praticamente garantem a vitória do longa, que acaba tendo como ameaça “Trapaça”, vencedor do prêmio do Sindicato dos Editores. Melhor trilha sonora, para Steve Price, apesar dos concorrentes de peso (John Williams e Alexander Desplat) é, sem dúvida, a trilha mais marcante do ano, devendo levar o prêmio. Melhores efeitos visuais, talvez seja o grade prêmio do longa, devido às pesquisas, ao melhoramentos e aos avanços que o filme traz ao cinema. Melhor edição de som, outra categoria em que o longa arranca como favorito, é impossível não se impressionar com a beleza sonora e visual do filme, “Capitão Phillips” pode ser o azarão na categoria. Melhor mixagem de som, com “Capitão Phillips” em seu encalço novamente, é uma categoria um pouco incerta, mas “Gravidade” ainda é o favorito”. Melhor direção de arte, outro ponto forte do longa, sua única ameaça é “O Grande Gatsby”, filme com direção de arte impecável.



É inegável que o conjunto técnico de “Gravidade” torna esse filme um dos melhores do ano, senão o melhor. Poucos longas possuem tal qualidade sonora (incluindo mixagem, edição de som e trilha sonora), visual (incluindo figurino, fotografia, edição), de direção e de roteiro, entretanto, são as interpretações de Bullock e Clooney que seguram o longa de forma inexplicável. São os sentimentos expressos pela voz do ator que dão o tom experançoso e forte vindos da segurança e experiência de um astronauta vivido. São os sentimentos de desepsero e alívio que vemos nos olhos e no corpo de Bullock que humanizam o longa e o tornam ainda mais comovente e belo. O espaço, por sua vez, é um vilão real que não tem pena de nossos personagens e não pretende se redimir. Sem as grandes interpretações de Bullock e Clooney o longa não seria nada. Dessa vez, se Sandra Bullock vencesse o Oscar, jamais me ouviriam contestar, pois dessa vez, sem sombra de dúvidas, seria mais que merecido. Mas também não podemos deixar o trabalho de Cuarón de lado. Se não fosse sua maestria, todos os sentimentos de Bullock jamais teriam sido capturados. E mais: foi Cuarón quem criou a história desse filme, foi ele quem planejou cada segundo, foi Cuarón quem idealizou e materializou toda essa obra da sétima arte. E se Cuarón não o tivesse feito com tanta originalidade, qualidade e perfeição, ninguém mais o faria.

TOP 10 FILMES INDICADOS AO OSCAR
Essa é a minha lista dos filmes que eu considero os 10 melhores do ano (dentre aqueles que foram indicados ao Oscar em qualquer categoria):
10. Nebraska
09. Inside Llewyn Davis
08. Capitão Phillips
07. Alabama Monroe
06. A Grande Beleza
05. Frozen: Uma Aventura Congelante
04. Ela
03. O Lobo de Wall Street
02. A Caça
01. Gravidade

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009. (ESPECIAL OSCAR 2014) FROZEN: UMA AVENTURA CONGELANTE, de Chris Buck e Jennifer Lee

As novas princesas Disney nos trazem uma das melhores animações dos últimos anos!
Nota: DEZ


Título Original: Frozen
Direção: Chris Buck e Jennifer Lee
Elenco: Kristen Bell, Josh Gad, Idina Menzel, Jonathan Groff, Josh Gad, Santino Fontana, Alan Tudyk, Ciarán Hinds, Chris Williams, Stephen J. Anderson, Maia Wilson, Edie McClurg, Robert Pine, Maurice LaMarche
Produção: Peter Del Vecho, John Lasseter e Aimee Sribner
Roteiro: Jennifer Lee, Hans Christian Andersen (conto “A Rainha de Neve”), Chris Buck e Shane Morris
Ano: 2013
Duração: 102 min.
Gênero: Animação / Musical / Drama / Comédia / Aventura

Confira a música "Let it Go", indicada ao Oscar de Melhor Canção Original, composição de  Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez e interpretação de Idina Menzel

Anna e Elsa são as pequenas princesas de Arandel. Quando ainda eram crianças, por algum motivo que Anna não recorda, Elsa deixou de brincar com ela e passou a viver trancada em seu quarto. Três anos após a morte dos pais das garotas, chega a hora de Elsa ser coroada Rainha de Arandel. Entretanto, após uma discusão com Anna, que quer casar com o príncipe Hans, Elsa acaba revelando um dom misterioso: possui o poder de conjurar e controlar a neve! Deixando todos assustados e um inverno interminável para trás, Elsa foge para as montanhas, onde poderá viver em paz. Anna, no entanto, não se conforma com o abandono da irmã e sai em uma jornada em sua busca. No caminho, Anna conhece Kristoff e, apartir daí, ela descobrirá o significado do amor.


Jennifer Lee é a roteirista do excelente “Detona Ralph” (2012), uma das animações mais criativas que já assisti. Chris Buck foi responsável pelo departamento de animação de alguns filmes que, particularmente, simpatizo e que possuem qualidade indiscutível: “O Cão e a Raposa” (1981), “A Pequena Sereia” (1989) e “Nem Que a Vaca Tussa” (2004). No primeiro filme da dupla, vão além do esperado para dois iniciantes na direção. Sem dúvida alguma, é uma estreia que merece ser destacada por possuir qualidade técnica e um roteiro tão bons. A história, é interessante e, pela primeira vez, o grande vilão em comum da trama não é uma bruxa (ou bruxo) má, e sim o próprio medo do autoconhecimento que as princesas nutrem. O vilão de Elsa é a repressão que sofreu a vida toda por seu dom. O vilão de Anna é a exclusão que sofreu a vida toda da irmã sem saber o por quê. E existem vilões piores que o medo, a dúvida e a repressão? E é no único herói possível de salvar essas princesas que a beleza do longa se concentra: no amor. Tecnicamente falando, o filme possui cores suficientes para entreter as crianças e uma edição de som excelente para que canções ou diálogos sejam bem desenvolvidos. O departamento de desenho do longa também dá um show, criando personagens perfeitos (especialmente o querido boneco de neve Olaf), com feições próprias e personalidades definidas por tais feições e trejeitos. A trilha sonora de Christophe Beck é forte e possui a presença necessária.


“Frozen” é indicado como melhor filme de animação no Oscar 2014 e melhor canção original para “Let it Go”. Como melhor animação, o longa concorre com “Meu Malvado Favorito 2” (2013), um dos preferidos das crianças e adolescentes, com “Os Croods” (2013), filme com muitas cores e uma boa história, com “Ernest & Celestine” (2013), um filme francês simpático e inocente sobre a amizade entre uma ratinha e um urso, e com “Vidas ao Vento” (2013), longa japonês sobre persistência e amor. Em canção original, concorre com “Happy”, da animação “Meu Malvado Favorito 2”, “The Moon Song”, da surpresa do ano, “Ela”, e “Ordinary Love”, do filme “Manthela: Long Walk to Freedom”. Basta lembrar da inestimável perda recente do líder Nelson Madela e que a música é interpretada pela banda U2 para saber que “Ordinary Love” é a favorita do ano. “Let it Go”, entretanto, sai bem na disputa por ser uma canção que se enquadra com perfeição no contexto do longa e ainda consegue emocionar a quem a ouve. Além disso, tomou o gosto do público de forma inacreditável, virando um hit de inverno nos EUA. Não posso fugir do cometário de dizer uma coisa simples a respeito das indicações do longa e da qualidade técnica do filme: a Disney é a Disney. E tem mais: qualquer pessoa pode dizer o que quiser sobre as princesas da Disney, mas que todos as amam, isso é inquestionável, agora, pense em duas princesas em um filme só! E em um filme que está prestes a conquistar um bilhão de dólares em bilheterias pelo mundo todo.



“Frozen” é um dos filmes mais tocantes e belos dos últimos anos. Poucas produções, animações ou não, tocam tão fundo em nossa alma como esse filme. Começando pela beleza com que o amor entre Anna e Elsa é apresentado. Elas são irmãs que passam o tempo juntas e se divertem da melhor forma possível. Depois, sentimos pena de Anna por Elsa começar a ignorar sem motivos aparentes. A dor aumenta quando os pais das garotas morrem e, em uma cena linda, vemos o sofrimento inexplicável que ambas estão sentindo, o que mostra a união das irmãs, mesmo após tantos anos sem se falarem. A fuga de Elsa é um daqueles momentos de clímax dos filmes, mas o que mais chama a atenção é o que está por vir. Em uma cena perfeita, Elsa entoa “Let it Go”, e mostra aos pequenos que assistirão ao filme vidrados o quanto é importante ser autêntico e não se importar com o que os outros pensam a respeito de você mesmo. E aí o filme ganha mais pontos: é uma animação para crianças que consegue lutar contra o preconceito e levantar a bandeira da aceitação. Ainda existem os momentos que nos tocam pelo amor que, inevitavelmente, nascerá entre Kristoff e Anna, um casal improvável e muito bonito. Acho interessante como os filmes da Disney passaram a trazer personagens fora da realeza para deixar tudo mais real e aproximar os personagens dos espectadores. Por fim, algo mais inesperado ainda acontece no desfecho do longa: a magia do amor prova, mais uma vez, que poucos amores podem ser mais fortes e encantadores que o amor entre irmãos.
APOSTAS DO BLOG PARA O OSCAR 2014:
Melhor Filme: 12 Anos de Escravidão
Melhor Direção: Alfonso Cuarón, por Gravidade
Melhor Ator: Chiwetel Ejiofor, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Atriz: Cate Blanchett, por Blue Jasmine
Melhor Ator Coadjuvante: Jared Leto, por Clube de Compras Dallas
Melhor Atriz Coadjuvante: Lupita Nyong’o, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Roteiro Original: Spike Jonze, por Ela
Melhor Roteiro Adaptado: John Ridley, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Filme Estrangeiro: A Grande Beleza
Melhor Filme de Animação: Frozen: Uma Aventura Congelante
Melhor Documentário longa-metragem: O Ato de Matar
Melhor Trilha Sonora: Steven Price, por Gravidade
Melhor Canção original: Let it Go, de Frozen: Uma Aventura Congelante
Melhor Fotografia: Emmanuel Lubezki, por Gravidade
Melhor Edição: Jay Cassidy, Crispin Sthuthers e Alan Baumgarten, por Trapaça
Melhores Efeitos Visuais: Timothy Webber, Chris Lawrence, David Shirk e Neil Corbould, por Gravidade
Melhor Edição de Som: Glenn Freemantle, por Gravidade
Melhor Mixagem de Som: Chris Burdon, Mark Taylor, Mike Prestwood Smith e Chris Munro, por Capitão Phillips
Melhor Figurino: Patricia Norris, por 12 Anos de Escravidão
Melhor Direção de Arte: Catherine Martin e Beverley Dunn, por O Grande Gatsby
Melhor Maquiagem e Cabelo: Adruitha Lee e Robin Mathews, por Clube de Compras Dallas
Melhor Curta-Metragem: The Voorman Problem
Melhor Curta Metragem em Animação: É Hora de Viajar
Melhor Documentário em Curta-Metragem: The Lady in Number 6
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010. (ESPECIAL OSCAR 2014) O LOBO DE WALL STREET, de Martin Scorsese

Scorsese volta às origens e denuncia, mais uma vez, a corrupção que construiu a América.
Nota: DEZ


Título Original: The Wolf of Wall Street
Direção: Martin Scorsese
Elenco: Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie, Matthew McConaughey, Kyle Chandler, Rob Reiner, Jon Bernthal, Jon Favreau, Jean Dujardin, Joanna Lumley, Cristin Milioti, Chrstine Ebersole, Shea Whigham, Katarina Cas, P. J. Byrne
Produção: Martin Scorsese, Leonardo DiCaprio, Riza Aziz, Joey McFarland, Emma Tillinger Koskoff
Roteiro: Terence Winter  e Jordan Belford (autobiografia)
Ano: 2013
Duração: 180 min

Gênero: Comédia / Biografia

Em 1986, aos 24 anos, Jordan Belfort entrou para o mundo dos negócios trabalhando para a corretora Rotschild. O sonho de Belfort era um sonho simples e comum: tornar-se rico. De forma nada convencional e muito rápida, Jordy abriu sua própria corretora em menos de dois anos. Entre 1988 e 1998, Jordan Belfort somou uma quantia avaliada em mais de 8 bilhões de dólares, roubando somas monetárias de pessoas simples e chegando a passar a perna em grandes investidores. Após gastar o dinheiro que ganhou com muitas festas, sexo e drogas, Belfort foi preso em 1998 e permaneceu 22 meses na prisão. Após deixar a cadeia, Belfort passou a ensinar pessoas a como ganhar dinheiro.


No filme, Belfort é um homem rico, casado com uma mulher perfeita, tem dois filhos e mora em uma mansão dos sonhos de qualquer ser humano. Para conquistar tudo isso, ele foi para Nova York, começou a trabalhar em uma grande empresa, acabou abrindo sua corretora com o amigo Donnie Azoff, fez fortuna, separou-se da esposa chata, casou com a esposa bonita. Com todo seu dinheiro, comprou iates luxuosos, promoveu festas que chegaram a custar mais de meio bilhão de dólares (bilhão!) e consumiu drogas lícitas e ilícitas. O problema é que Belfort nunca investiu seu dinheiro para ganhar mais dinheiro, ele gastava o dinheiro de seus clientes, e foi quando a polícia pegou seu esquema que sua vida esquentou de verdade.


Jordan Belfort nos conta toda sua história. Ele conversa com o público, é como se todo o filme não passasse de um monólogo, onde Belfort se vangloria por cada um de seus feitos. Ele já começa o longa casado com uma mulher invejável e com toda a vida dos sonhos. Tudo de mais interessante que aconteceu com o personagem nos é apresentado. Por exemplo, a forma como ele se tornou o lobo de Wall Street: um apelido dado por uma colunista da revista Forbes, a mais importante publicação de negócios os EUA. O apelido, obviamente, foi aceito por Belfort de imediato. A paixão por sua segunda esposa é outra passagem interessante: Naomi Lapaglia, uma mulher sensual que transpira luxúria e que vê todo o sucesso do marido, aguenta as traições (não de bico calado, mas aguenta) e que contorna as mancadas de Jordan pelo uso das drogas. Naomi se mostra uma mulher de grande personalidade desde o início: aparece nua para Belfort quando ele menos espera, grita com ele e o ameaça quando desconfia de uma traição após o casamento, critica o marido devido ao uso excessivo de drogas, cobra de Belfort responsabilidade paternal, e, em uma das melhores cenas do longa (em que os intérpretes de Naomi e Jordan mostram perfeita sincronia) abre as penas para o marido provocando-o e, quando ele se atira no chão para se deliciar com a esposa ela se masturba e informa que ele apenas verá sua vagina durante um bom tempo e que tocá-la será um milagre. O que vem na sequência seria desagradável revelar. Não podemos deixar de citar as cenas incríveis nos bastidores de Wall Street. O início do longa já é louco: dois homens – um deles Belfort – arremessam um anão em um alvo. Ao redor deles, acontece uma festa inacreditável após o expediente de um grupo formado quase que só por homens típicos da tão famosa rua de Nova York. E se os acontecimentos inusitados dentro do escritório já são inacreditáveis, é por que os acontecimentos fora dele ainda não foram checados: Belfort sofre um naufrágio e é resgatado por um helicóptero; em uma festa na casa de Belfort, quando ele ainda era casado com a primeira esposa, Naomi é apresentada por uma amiga e Donnie fica tão fissurado por ela que se masturba na frente de todos; e, após tomar uma droga guardada há 15 anos, Jordan fica tão mal que tem que se arrastar até seu carro para tentar impedir que Donnie, também drogado, revele segredos pelo telefone da casa de Belfort, que foi grampeado pelo FBI. Alguns fatos são reais, outros, pura ficção. Assim como não é tarefa do diretor Martin Scorsese julgar ou não o que Belfort fez, não é minha tarefa dissertar acerca das veracidades do longa, portanto, caso se interesse sobre aquilo que aconteceu ou não com Belfort, acesse: http://www.publico.pt/cultura/noticia/acusado-de-glorificar-o-crime-e-o-excesso-quao-verdadeiro-e-o-lobo-de-wall-street-1618897#/0.


Quando Martin Scorsese foi anunciado como o diretor dessa adaptação não houve nenhum cinéfilo que não tenha se animado com o longa. Quando o trailer foi lançado não existiu uma pessoa que o assistisse e não tivesse vontade louca de conferir o filme todo. Quando o filme foi lançado, uma enxurrada de críticas negativas caiu sobre a cabeça do mestre. A maioria alegando que Scorsese, ao contrário do que fez em seus filmes anteriores, defende e até glorifica tudo o que o protagonista fez. Outros reclamavam que o longa não possui tanto conteúdo para que possua 180 minutos de duração e que toda a história não passa de enrolação. Alguns ainda falam sobre o filme ser confuso e muito exagerado ao mostrar todas as farras do pessoal da Wall Street. E, ainda, existem os que se consideram mais católicos que Martin (que sonhava em ser padre) e dizem que o longa possui muito sexo, drogas e nudez. O fato é que esse filme é de Martin Scorsese, e o diretor pode fazer o que ele quiser em seus trabalhos com apenas uma certeza: o filme será um acontecimento para o cinema. Aqui, ele foge da Paris vista em seu último filme, “A Invenção de Hugo Cabret” (2011) e volta à Nova York, sua terra natal. Mais que isso: ele deixa a homenagem ao cinema de lado e volta a abordar o tema que lhe rendeu a fama. É necessário apontar que, durante a carreira de Scorsese, vimos muitos de seus filmes completarem uns aos outros. Alguns até parecem cópias deles mesmos, mas todos são originais pela forma diferenciada que cada um mostra, ou delata, o que aconteceu para que os Estados Unidos se formacem. Apesar das três horas de filme, tudo passa de forma muito agradável. Entramos em mundo de cobiça, corrupção, boemia, alucinações, luxúria, enfim, Martin nos coloca dentro do mundo dos negócios. Filmado em 35 mm e em digital, o longa, além de inovar (como “A Invenção de Hugo Cabret” fez com o 3D), sendo lançado nos EUA apenas em versão digital, parece cada vez mais realista e, como sempre, os ângulos escolhidos por Scorsese nos fazem participar da trama em alguns momentos e, em outros, apenas assistir aos absurdos que estão acontecendo e invejar todo o luxo que a vida de Belfort se tornou.


A façanha do diretor é tamanha que, como disse, em momentos, estamos dentro do longa, somos bandidos, frequentamos festas caras e vestimos roupas de 3 mil dólares, em outras ocasiões, somos apenas espectadores, apenas desejamos tudo o que os personagens possuem: a riqueza, a beleza e a astúcia. Scorsese consegue nos fascinar com a história de Belfort (é impossível não sentir um pouco de inveja ou um pouco de admiração por um homem que ganha 4 milhões de dólares por minuto). No entanto, o diretor, de forma maestral, após passar quase duas horas apenas mostrando a beleza de se ter dinheiro e poder gastá-lo da forma que bem se entende, nos traz os “tiras” e vemos a vida do homem rico e admirado por todos, com sua bela mansão, seu belo carro e sua bela esposa ir por água abaixo. Durante todo o longa, Scorsese preparou tudo com cuidado. As músicas falam por si só, seja de forma engraçada ou séria, a canção tocada para Jordy e Naomi dançarem em seu casamento é “Goldfinger”, deixando claro que a paixão por dinheiro de Belfort é comparável à paixão do vilão de 007 por ouro. Scorsese atribuí características muito próprias a cada personagem, apresenta paisagens claras, belas e interessantes ao olho humano e mostra o glamour da vida de pessoas ricas. Mas também, o diretor traz cenas humilhantes para esses endinheirados, apresenta a realidade triste da necessidade do uso de drogas por quem trabalha com negócios – afinal, a pressão é tanta que sem um cigarro (e uma cocaína, e um crack, e algumas pílulas) ninguém segura esse rojão -, mostra o quão deprimente é ser casado com uma mulher fantástica como a de Belfort e precisar de prostitutas para provar que qualquer mulher pode ser sua. O mais deprimente em tudo isso, é ver como Belfort termina o longa achando que a vida ainda é um paraíso. A escolha de Scorsese em colocar o empresário no final do filme não me parece uma homenagem, está longe disso, é mais uma forma sutil do diretor mostrar o quanto esse homem pode ser desprezível.


Leonardo DiCaprio é, se dúvida, um dos melhores atores de sua época. Desde antes de “Titanic” (1998), o ator já se mostrava uma promessa para as próximas décadas. Desde “Gangues de Nova York” (2002), DiCaprio amadureceu, e isso não se deve apenas a sua passagem dos 28 aos 40 anos. Scorsese tem parte nisso. Acredito que DiCaprio vinha sendo moldado por Scorsese como o mocinho bom e honesto dos quatro longas anteriores da dupla para que o diretor entregasse o verdadeiro papel que o ator merecia. Como Belfort ele está fantástico, e ainda parece trazer um pouco da insanidade de Brandon Darrow vivido em “Celebridade” (1998), longa de Woody Allen. Há pouco de Belfort em DiCaprio, e é isso que faz da interpretação de DiCaprio a melhor do ano. Ao mesmo tempo, o ator é nojento e sensual, mesquinho e adorável,  ambicioso e amoroso, desprezível e digno de pena. Apontar apenas uma cena do ator que seja memorável no longa é algo impossível. DiCaprio vai além dos limites que acreditávamos que ele possuía como ser humano. Em uma das melhores cenas, ele debocha de um homem com quem está fechando um negócio por telefone. Outra excelente é a discussão com a esposa Naomi. Sem falar nos momentos em que Belfort está completamente chapado ou quando se mostra um verdadeiro líder admirado por todos na empresa. Ainda existem os momentos cômicos ao extremo, como quando é obrigado a rolar sobre as escadas após ingerir muita droga e não conseguir ter controle sobre seu corpo e ainda ter de arrancar o telefone do amigo e impedir que o mesmo engasgasse com um pedaço de presunto. Isso tudo sem falar nas feições debochadas que nos apresenta durante todo o longa: quando é chamado de “pequeno homem”, quando morde a mão ao comentar com o pai sobre as mulheres com quem ele fica, quando joga dinheiro ao vento, quando nos confessa que tudo o que fazia era ilegal, quando (mais uma fez na cena perfeita dele e Naomi) tenta conquistar o perdão da esposa e dá o troco na mesma por brincadeirinhas que ele não aprova nem um pouco.


Ao lado do ator, e não menos incrível, está a revelação Margot Robbie, como Naomi. A atriz é uma das belezas mais estonteantes lançadas nos últimos anos e nos apresenta uma interpretação intensa, provando que não é apenas um corpo bonito. Robbie é ousada: em seu primeiro grande filme, aparece em um nu frontal de tirar o fôlego, provoca DiCaprio na cena mais que sensual em que se masturba em frente ao marido e fala com ele de uma forma sexy e apelativa ao extremo. Antes disso, ela tem outra boa cena, onde discute com o Belfort e joga água na cara dele algumas vezes, é uma mistura de cena esposa ciumenta com cena cômica. A química entre DiCaprio e Robbie é inegável e mesmo a cena em que os dois discutem a ponto de DiCaprio bater em Robbie é maravilhosa e a sintonia entre os atores permanece do começo ao fim. Jonah Hill, outra grande revelação dos últimos anos, é Donnie, um completo viciado em drogas que faz sua vida pessoal virar um inferno o tempo todo. O personagem criado pelo roteirista é ainda mais intragável que Belfort: é um homem inútil e bajulador que está disposto a tudo para conseguir dinheiro. Hill nos apresenta o personagem mais típico e desagradável. O ator acaba se destacando pela cena em que se masturba em frente a todos, um ato tão ousado quanto os de Robbie, mas a cena em que vê todos os seus colegas sendo presos pela polícia demonstra como o ator tem timing para drama também. Sem falar nas cenas em que o ator está chapado e não consegue nem falar direito. Para acompanhar esse trio, um elenco fantástico. Matthew McConaughey, por exemplo, é o perfeito homem de negócios que acredita ser o homem mais incrível do mundo. Max Belfort, pai do protagonista, é interpretado por Rob Reiner, que consegue mostrar o lado pai e o lado administrador de forma maravilhosa. Jean Dujardin nos presenteia com uma interpretação surpresa como um banqueiro suíço, trazendo cenas engraçadas e debochadas. Joanna Lumley, por fim, tem uma participação como a tia de Naomi, Emma, uma inglesa classuda e muito suspeita que ajudará Belfort a esconder seu dinheiro.


“O Lobo de Wall Street” é indicado a 5 prêmios no Oscar. O mais importante, obviamente, é a indicação como melhor filme do ano. “O Lobo de Wall Street” está entre os cinco favoritos, o problema é que, provavelmente poderíamos classificá-lo como o quarto favorito, perdendo para “12 Anos de Escravidão”, “Gravidade” e “Trapaça”, nessa ordem. Em minha opinião, o único desses que poderia ser melhor que o longa de Scorsese é “Gravidade”, devido a todas as inovações feitas por Alfonso Cuarón. Scorsese é indicado como melhor diretor. Ao seu lado estão bons nomes, mas nomes com carreiras muito inferiores: Cuarón, David O Russel, Steve McQueen e Alexander Payne, o provável vencedor é Cuarón, devido às grandes vitórias nas principais premiações até hoje e ao fato de ter se entregado ao filme de forma inacreditável, desenvolvendo táticas improváveis e muito inusitadas para chegar ao resultado final incrível que é o filme. Leonardo DiCaprio conseguiu a inesperada indicação como melhor ator. Inesperada não significa desmerecida, mas é inacreditável ver o ator indicado por uma comédia. Apesar de acreditar que essa seja uma das interpretações mais surpreendentes e agradáveis de sua carreira, as chances de ele tirar o prêmio de Matthew McGonaughey (excelente em “Clube de Compras Dallas”) é mínima. Mesmo assim, reforço: achei Christian Bale fraco para comédia, McConaughey parece demais com ele mesmo em algumas cenas e Chiwetel Ejiofor é um negro que representa um negro que sofreu preconceito e todos os negros europeus ou americanos já sofreram preconceito alguma vez na vida, DiCaprio possui, por fim, a melhor atuação do ano. Jonah Hill é indicado como melhor ator coadjuvante, o que é mais surpreendente ainda. O que continua não significando incompetência, ele apenas esteve fora de muitas outras premiações importantes. O prêmio já é de Jared Leto e eu não serei um a discutir quanto essa escolha muito previsível da Academia. Por fim, o roteiro de Terence Winter aparece na categoria de melhor roteiro adaptado. Apesar de o provável ganhador ser “12 Anos de Escravidão”, prefiro o roteiro de Winter e ainda torço para que ele vença. A forma como todo o enredo se desenvolve e a sacada de DiCaprio narrar e “conversar” diretamente com o espectador são excelentes e formam um filme com pouca complexidade na trama. Repare: o filme não tem complexidade linear, não nos perdemos na história nem nada do tipo, mas a forma como Winter e Scorsese alternam entre o paraíso e o inferno dos ricos é algo em que devemos prestar muito a atenção para que exposição não se confunda com glorificação. Duas considerações: Telma Schoonmaker ter ficado de fora como melhor edição foi a maior decepção do ano para mim, o trabalho dessa mulher incrível e vivo, inteligente e merecedor de aplausos. Por último, acredito que o filme seja uma das maiores decepções no Oscar esse ano, as chances para qualquer vitória são mínimas. E é triste ver como um filme com tanta qualidade seja desprezado por ser real.



Em uma cena fantástica, o pai de Jordan alerta: um dia você sofrerá as consequências, e, ao contrário do que muitos dizem, “O Lobo de Wall Street”, um dos melhores filmes do ano (a melhor comédia em anos), não glorifica nenhum ato ilícito para lucro financeiro, ele apenas expõe uma realidade nojenta e apavorante. O problema da maioria das pessoas é que é difícil rir de piadas com humor negro, é complicado perceber a ironia humorística de uma canção debochada e é ainda mais difícil admitir que seria incrível ter uma vida como a de Belfort. Para piorar a situação, o povo de modo geral ainda tem medo de admitir que a vida pode ser resumida em sexo, dinheiro e comida sim, pois são essas coisas que, hoje, matem o ser humano vivo. Sem uma delas, nada pode dar certo, pois sem elas não temos nem a auto confiança para permitirmos sermos amados ou amarmos alguém. A nudez, o sexo, o uso de drogas, o consumo desenfreado de bebidas alcoólicas, a roubalheira de dinheiro, a cobiça, a inveja e o desejo, tudo isso faz parte da vida do ser humano, o problema é que assistir a tudo isso em um filme biográfico ainda é algo difícil para o mundo, afinal, a verdade ainda é difícil. Entretanto, a verdade deve ser dita e divulgada. Jamais negarei que Scorsese surpreende e pesa a mão nesse filme (não a ponto de ser ofendido como já chegou a acontecer), mas ele faz isso para dizer apenas uma coisa: no final das contas, mesmo que passemos por momentos de glória, todos sofreremos as consequências de nossos atos, e nenhum homem será poupado. Ou, o diretor estava apenas voltando às suas origens e delatando que as mãos que constroem a América hoje nada possuem em diferente daquelas que, outrora, atracaram em Nova York: são egoístas, mesquinhas, sujas, rasteiras e intragáveis como qualquer outro ser humano.



TOTAL DE VITÓRIAS NA TEMPORADA DE PREMIAÇÕES 2013 - 2014
             As contagens são referentes aos prêmios que estão nas tabelas das postagens anteriores (aqui e aqui), ou seja, as principais categorias do Oscar. Todas as demais categorias de todos os prêmios podem ser conferidas no ESPECIAL RESULTADOTEMPORADA DE PREMIAÇÕES 2013 – 2014. Nem todos os filmes indicados ao Oscar estão listados abaixo, apenas aqueles que aparecem nas tabelas.

12 Anos de Escravidão: 106 vitórias
Gravidade: 44 vitórias
Clube de Compras Dallas: 41 vitórias
Blue Jasmine: 30 vitórias
Ela: 30 vitórias
Trapaça: 24 virórias
Iside Llewyn Davis: 14 vitórias
Nebraska: 6 vitórias
Frozen: 6 vitórias
O Lobo de Wall Street: 5 vitórias
Capitão Phillips: 5 vitórias
Antes da Meia Noite: 5 vitórias
A Grande Beleza: 3 vitórias
O Grande Gatsby: 2 vitórias
Walt nos Bastidores de Mary Poppins: 2 vitórias
Philomena: 2 vitórias
All is Lost: 1 vitória
Os Suspeitos: 1 vitória
O Grande Mestre: 1 vitória
Jackass: Vovô Sem Vergonha: 1 vitória

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011. (ESPECIAL OSCAR 2014) ALABAMA MONROE, de Felix Van Groeningen

A realidade deprimente de como a perda afeta negativamente o ser humano.
Nota: 9,7


Título Original: The Broken Circle Breakdown
Direção: Felix Van Groeningen
Elenco: Veerle Baetens, Johan Heldenbergh, Nell Cattrysse, Geert Van Rampelberg, Nils De Caster, Robbie Cleiren, Bert Huysentruyt, Jan Bijvoet, Sofie Sente, Ruth Beeckmans, Jan Hammenecker, Clanka Heirman, Kirsten Pieters, Yves Degryse, Dominique Van Malder, Marianne Loots, Sanderijin Helsen
Produção: Arnold Heslenfeld, Dirk Impens, Laurette Schillings, Frans van Gestel e Rudy Verzyck
Roteiro: Johan Heldenbergh (peça teatral), Mieke Dobbels (peça teatral), Carl Joos, Feliz Van Groeningen e Charlotte Vandermeersch
Ano: 2012
Duração: 111 min.
Gênero: Drama / Musical / Romance

Didier Bontinck é um músico country que alterna sua vida entre os palcos, a reforma do lugar onde vive e sua vida pessoal. Elise Vandevelde é uma tatuadora que divide seu tempo entre seu estúdio e sua vida pessoal. Quando Didier entrou no estúdio de Elise, alegando que nada na vida valia tanto para ser tatuado e fazendo outras piadas para conquistá-la, nenhum dos dois imaginava que estavam encontrando os parceiros de suas vidas. Rapidamente, ambos se entregam ao novo amor, Elise engravida, os dois casam e deixam a vida traçar o caminho da felicidade. Entretanto, o mundo desaba quando descobrem que a filha, que acaba de completar seis anos de idade, está com câncer.


Sem mais delongas, já aviso: Maybelle, a filha do casal, morrerá antes dos primeiros quarenta minutos de filme. E revelar isso não é estragar o prazer de assistir a esse longa. Aqui, o interessante é ver como os personagens reagem antes, durante e após a morte da menina. Esse filme, faz um apanhado sobre uma família que vai do paraíso ao inferno em sete anos. A princípio, Didier e Elise vivem uma vida feliz. O início do relacionamento é cheio de risadas, sexo e novas experiências. Os dois estão começando a se descobrir e isso é o que deixa a vida tão animada e divertida. As discussões são praticamente inexistentes e tudo são flores. Elise, que antes trabalhava apenas com o estúdio, até começa a cantar junto com o grupo composto apenas por homens com o qual  Didier canta. E os homens e ela fazem muito sucesso juntos, o que contribui ainda mais para que eles vivam nessa felicidade constante. Quando Elise descobre a gravidez, a primeira reação de Didier é pegar a chave do carro e deixar a namorada sozinha. Após algumas horas ele já está acostumado com a ideia e a felicidade do casal se completa quando a pequena Maybelle nasce. Tudo continua maravilhoso, como os dois tem o privilégio de passar um bom tempo em casa, assistem ao crescimento da menina de perto. E a menina tem o privilégio de ter esse exemplo de casal em casa para também ser feliz. A descoberta da doença é o início da catástrofe para a família. Dali por diante, tudo apenas piora. Claro que existem momentos, como quando o médico fala sobre o transplante de medula óssea, que uma chama de esperança reascende na casa dos Vandevelde Bontinck. Mas isso tudo é muito passageiro. Maybelle morre e os pais, obviamente, entram em um processo de depressão muito difícil de sair. E o interessante é que o que ocorre com um é o contrário do que ocorre com o outro. Enquanto Elise está sempre descontrolada sobrando alguns momentos de sobriedade, Didier tenta permanecer calmo e sereno, estourando em alguns momentos realmente tocantes. E para piorar, eles já estão juntos há sete anos e o casamento já não é mais aquela paixão louca dos primeiros encontros.


Veerle Baetens, vencedora do Prêmio de Filmes Europeus como melhor atriz, é sexy, deprimente e verdadeiramente humana vivendo Elise. Durante o longa, verificamos várias mudanças de humor da personagem que são apresentadas de forma magnífica por Baetens. Podemos até dividir o filme em três fases: o antes, o durante e o depois da vida de Maybelle. A Elise apresentada por Baetens antes do nascimento da filha é uma mulher sensual que deixaria qualquer homem louco, as tatuagens que a personagem já fez demonstram o quanto vive intensamente cada momento. Depois do nascimento de Maybelle, a mulher passa a ser uma mãe mais séria, ainda tem desejos e não os esconde, mas passou a viver pela filha e a ter mais cuidados. Após a morte da menina é que Baetens torna sua interpretação um assombro, trazendo toda a dor e a angústia que somente alguém que já passou por isso poderia compreender. Durante essa temporada de premiação e assistindo aos indicados aos Oscar, diversos atores me chamaram a atenção em como estavam sendo injustiçados por não estarem entre os indicados. Em um ano com tantas atuações masculinas imponentes, entretanto, as mulheres perderam um pouco de espaço. Se tivesse de escolher mais uma atriz para concorrer no Oscar, sem dúvida, seria Veerle Baetens, e, em meu mundo, ela seria uma grande concorrência para Cate Blanchett. Aliás, as atrizes até tem algumas semelhanças em suas personagens, pois ambas tiveram seus mundo demolidos e estão passando por sérios problemas psicológicos por conta disso.


Dividindo a tela com Veerle Baetens, o igualmente competente Johan Heldenbergh. O Didier criado por ele é um homem independente, um pouco bruto e muito reservado, mas também é um homem decidido, romântico e que conquista as mulheres com a voz e o olhar. O fato de o personagem estar menos alterado após a morte da filha por suas crenças não significa que a interpretação do ator seja menor que a de Baetens, pelo contrário: a batalha travada por essas duas feras é, a cada cena, mais bela e instigante. O Didier de antes do nascimento é esse homem romântico e entregue ao seu amor. Quando a filha nasce ele se mostra um pai preocupado e muito carinhoso, apesar de sua brutalidade, sempre faz o que pode pela filha. Após a morte da pequena, Didier vira um homem deprimido e muito contido. A forma como o ator faz com que cada homem se identifique com ele é ótima e a naturalidade encontrada em Johan é algo sublime e poucas vezes visto em qualquer ator. As cenas em que Heldenbergh esbraveja e expõe ao mundo um sofrimento sempre muito guardado são as grandes cenas do ator. O momento em que grita à uma plateia sua ira por a Igreja não encorajar o transplante de medula óssea, o que fez com que a ciência não fosse avançada o suficiente para salvar sua filha, é um dos momentos mais emocionante do longa. Outro destaque é a química existente entre os protagonistas. Assim como Leonardo DiCaprio e Margot Robbie tiveram uma química hilária em “O Lobo de Wall Street”, Heldeberg e Baetens possuem algo realmente intenso, que vai do belo ao horrível. Fica difícil escolher qual dupla se saiu melhor esse ano.




A escolha em filmar as fases da vida do casal de forma misturada, indo e vindo todo o tempo, foi uma sacada de mestre. Isso nos emociona mais ainda, pois quando estamos ao lado dos personagens no sofrimento, o filme nos leva para o dia em que os protagonistas se conheceram, por exemplo, e tudo fica ainda pior, fica ainda mais triste e melancólico. Em uma das falas mais aterradoras que lembro de ter ouvido no cinema, Elise rebate contra o marido dizendo que ela sempre soube que tudo era bom demais para ser verdade, que aquilo tudo o que eles viviam não poderia durar, afinal, a vida não é generosa, pois quando amamos e nos apegamos a alguém, a vida traz rancor, ela leva tudo para longe, ela trai. Não há como não parar um pouco após assistir ao longa para refletir sobre as palavras da protagonista. E talvez isso desagrade um pouco ao público sedento por ver e ouvir apenas coisas belas no cinema. “Alabama Monroe” é indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro e é um dos grandes favoritos, concorrendo com “A Grande Beleza” e “A Caça”. E se vencer, sem dúvida, será mais que merecido. E antes que esqueça: o nome em português, pela primeira vez desde que me lembro, supera o título original. Por que “Alabama Monroe”? Bom, essa pergunta deixarei que a última tomada do filme explique, assim como a última tomada explicou o por quê do balbuciar Rosebud em “Cidadão Kane” (1941). Mas afirmo uma coisa, o efeito que as imagens finais dos dois filmes causam é o mesmo: uma angústia eterna e uma compreensão inexplicável.


TABELA TEMPORADA DE PREMIAÇÕES 2014
Confira a tabela da Temporada de Premiações 2014! Veja, também, quem foram os vencedores dos principais prêmios de sindicatos e associações. Os filmes coloridos e em negrito possuem indicações ao Oscar e seu número de vitórias está indicado na última coluna da tabela, mas isso não significa que o longa possui indicações nas categorias que venceu algum prêmio. Os filmes em preto sem ser em negrito não possuem indicação alguma no Oscar.Os filmes em preto sem ser em negrito não possuem indicação alguma no Oscar. Para visualizar melhor, basta abrir a imagem em outra janela/guia/abaOBSERVAÇÕES: os filmes coloridos e em negrito possuem indicações ao Oscar e seu número de vitórias está indicado na última coluna da tabela, mas isso não significa que o longa possui indicações nas categorias que venceu algum prêmio. Os filmes em preto sem ser em negrito não possuem indicação alguma no Oscar.
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