sexta-feira, 30 de novembro de 2012

167. COM 007 VIVA E DEIXE MORRER, de Guy Hamilton

Roger Moore acaba sendo uma agradável surpresa em seu primeiro filme da série.
Nota: 9,2


Título Original: Live and Let Die
Direção: Guy Hamilton
Elenco: Roger Moore, Yaphet Kotto, Jane Seymour, Clifton James, Julius Harris, Geoffrey Holder, David Hedison, Gloria Hendry, Bernard Lee, Lois Maxwell
Produção: Albert R. Broccoli e Harry Saltzman
Roteiro: Tom Mankiewicz e Ian Fleming (romance)
Ano: 1973
Duração: 121 min.
Gênero: Ação / Crime
+ Música Tema: “Live and Let Die”, composição de Paul McCartney e Linda McCartney e interpretação de Paul MacCartney e Wings

Como de costume, um agente especial morre em meio a uma missão e James Bond é enviado aos Estados Unidos para tentar descobrir o que está acontecendo. Lá, se depara com uma facção criminosa de negros que estão dispostos a tudo para conseguir o que querem, inclusive, recorrer à magia negra. Nesse contexto, o agente 007 conhece a bela Solitaire, uma jovem que possui o dom de prever o futuro e vive em cativeiro na casa de Kananga, um dos chefes dos criminosos. A coisa fica ainda pior quando Bond descobre que Kananga está produzindo heroína, e ainda pior quando Kananga descobre que James sabe de tudo e ainda está de olho em Solitaire.
Mais uma vez temos Guy Hamilton na direção de um filme da Saga de 007 – ele já havia dirigido “007 Contra Goldfinger” (1964), apesar de não estar entre meus favoritos, é um dos mais bem feitos (é considerado o primeiro blockbuster da série), e “007 Os Diamantes são Eternos” (1971), um dos filmes mais lembrados do agente e um dos mais bem realizados. O curioso de “Viva e Deixe Morrer” é que não temos Richard Maibaum como roteirista (dos sete filmes anteriores, ele esteve em seis), nos restando apenas Tom Mankiewicz (que começou no filme anterior e roteirizou o posterior a esse), o trabalho de Mankiewicz é o melhor de todos os filmes realizados até aqui, apesar do claro preconceito colocando negros como os vilões da trama (acrescente a isso, eles praticam magia negra e nenhum deles presta), a criatividade está à solta e ele nos trás um roteiro original, rico e muito divertido, além de possuir uma certa realidade em relação a alguns fatos e uma quase fantasia em relação a outros. Tendo em vista a riqueza do roteiro, resta a Hamilton se virar para transformar tudo em realidade, sendo obrigado a nos trazer dezenas de surpresas, dentre elas a inesquecível perseguição de Jet Ski. Temos também, como sempre, uma ótima trilha sonora de John Barry, dessa vez sem repetições e muito além do satisfatório.


Como disse anteriormente, ao contrário de George Lazemby, Roger Moore chegou a ser um presente, pois, ao sabermos que Connery seria substituído e devido ao fracasso de Lazemby, temos só de pensar no que estará por vir. O fato é que Moore dá conta total do recado, tendo a naturalidade e a sensualidade necessárias para viver Bond, mas jamais perdendo o senso de humor (aliás, o único quesito no qual supera Connery) e nunca deixando de ser um agente concentrado e focado em suas missões. Para viver Solitaire, mais uma Bond Girl pela qual nos apaixonamos (estou chegando a conclusão de que todas serão incríveis e apaixonantes até o fim da série), está Jane Seymour, simples, inocente e singela, mas nem por isso deixa de ser uma mulher provocante, pelo simples motivo de que sua beleza não a deixaria passar despercebida. Yaphet Kotto é o vilão Kananga, quando um ator nos faz odiar o vilão, ou desprezá-lo por completo ou, mais raramente, nos apaixonarmos por ele, é por que ele está no caminho certo, e Kotto nos faz mais do que apenas odiar sua personagem, nós o enojamos e sentimos asco a cada cena em que ele aparece.
O problema na substituição do ator é que tudo acontece no filme como se não tivessem trocado de intérprete, por vezes pensamos que Moore age como se fosse Connery apenas para que as personagens não saibam que o agente foi substituído ou coisas assim, mas, na maior parte do tempo, e isso poderá ser conferido nos outros filmes, Moore e Connery e todos os outros agente são a mesma pessoa. Enfim, seria mais fácil se a primeira opção fosse deixada bem clara. Apesar de Moore estar muito bem no papel, não posso me conter: ninguém poderá substituir Connery, mas não posso negar que a licença para matar esteja em boas mãos.


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168. 007 OS DIAMANTES SÃO ETERNOS, de Guy Hamilton

A despedida de Sean Connory não poderia ser mais honrosa.
Nota: 9,1


Título Original: Diamonds are Forever
Direção: Guy Hamilton
Elenco: Sean Connery, Jill St. John, Charles Gray, Lana Wood, Jimmy Dean, Druce Cabot, Lois Maxwell, Bernard Lee, Bruce Cabot, Bruce Glover
Produção: Albert R. Broccoli e Harry Saltzman
Roteiro: Richard Maibaum, Tom Mankiewicz e Ian Fleming (romance)
Ano: 1971
Duração: 120 min.
Gênero: Ação / Crime
+ Música Tema: “Diamonds Are Forever”, composição de John Barry e Don Black e interpretação de Shirley Bassey.

James Bond é convocado para desvendar um crime que envolve o roubo de diamantes na África do Sul. O que o agente 007 não sabe é que pro trás de tudo isso está seu arquiinimigo Blofeld, que tem como pretensão destruir o planeta Terra com um satélite a Laser que utiliza os tais diamantes. Dessa forma, Bond terá de agir mais uma vez, sem deixar que os diamantes, cobiçados por todos, caiam em mãos erradas, e, assim sendo, salvando sua própria pele, a de seus amigos, de sua nova amante e, é claro, a de todo o mundo.
Guy Hamilton já não é mais um estranho na Saga do agente James Bond: foi o diretor de “007 Contra Goldfinger” (1964) e ainda viria a dirigir “Com 007 Viva e Deixe Morrer” (1973) e “007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro” (1974). Em nenhum de seus filmes para a franquia, Hamilton nos decepciona, apesar de não gostar muito do resultado como um todo de “Goldfinger”, não posso negar que todos os quatro filmes realizados por ele são muito bem feito e extremamente bem conduzidos do começo ao fim. Ao lado de Richard Maibaum (roteirista de 13 filmes da série), está Tom Mankiewicz, em seu primeiro trabalho com 007 (que viria a se repetir em “Com 007 Viva e Deixe Morrer” e em “007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro”), juntos os dois formam uma ótima dupla que nos apresenta um dos roteiros mais divertidos e empolgantes de todos, por um motivo simples: Bond está quase aniquilando a sociedade Spectre, que já deu o que tinha que dar em todos os filmes e esta se tornando entediante. Me nego a escrever qualquer crítica a respeito de um filme que tenha John Barry como compositor sem citar seu nome, e o faço com mais felicidade que anteriormente, pois, finalmente, deixamos o tema de lado e temos várias outras músicas interessantes, sobretudo a de abertura.


É com tristeza  e pesar que nos despedimos de Sean Connory na série, e dessa vez o fazemos para sempre. Nessa sua despedida, a personagem já está mais velha, mas, ainda sim, não deixou de ser um conquistador nato e um homem sensual e provocante, mas o que mais interessa aqui é a seriedade com a qual ao ator passa a tratar Bond, deixando a grande parte das piadas de lado e se atendo mais ao que realmente interessa, sem rodeios, tendo um de seus maiores desempenhos. A indicada ao Globo de Ouro, Jill St. John é Tiffany Case, a Bond Girl nada politicamente correta, que não chega a ser a vilã do filme, mas nem por isso deixando de ser uma vilã em um contexto mais amplo ( é ela que negocia os tais diamantes), a triz é bela (como quase todas as Bond Girls, naturalmente) é começa a se tornar inacreditável como as atrizes conseguiam ser cada uma diferente das outras (mas claro que isso era em uma época bem diferente da de hoje, onde as atrizes ainda possuíam diferenças natas). Charles Gray é Blofeld, e, provavelmente, o melhor entre os outros atores que interpretaram a personagem, permanecendo frio e mostrando que não possui nem coração, nem alma.
“Os Diamantes são Eternos” é, provavelmente, o filme protagonizado por James Bond que as pessoas mais se lembram, e não me surpreenderia se estivesse naquelas charmosas listas de filmes que as pessoas mentem ter assistido para não se sentirem tão inferiorizadas e aumentarem seu ego e prestígio perante as rodas sociais. O fato é que, esse é um dos melhores filmes de Bond e essencial para todos que desejam dizer que realmente viram o agente 007, seja pela técnica avançada do filme ou apenas para se despedir de Sean Connery. Apesar dessa despedida de Connery da série do agente 007, aqui fica claro: sua atuação como James Bond, ao contrário dos diamantes (o carbono definha com o tempo), essa sim, é eterna.


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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

169. 007 A SERVIÇO SECRETO DE SUA MAJESTADE, de Peter R. Hunt

Chega a ser frustrante a troca de Connery por George Lazamby, mas vale a pena conferir.
Nota: 8,2


Título Original: On Her Majesty’s Secret Service
Direção: Peter R. Hunt
Elenco: Gerge Lazemby, Diana Ring, Tellys Savales, Gabriele Ferzetti, Ilse Steppat, Lois Maxwell, George Baker,
Produção: Albert R. Broccoli e Harry Saltzman
Roteiro: Simon Raven, Richard Maibaum e Ian Fleming (romance)
Ano: 1969
Duração: 142 min.
Gênero: Ação / Crime
+ Música Tema: “On Her Majesty’s Secret Service”, composição de John Barry.

Em uma praia, James Bond conhece a bela Tracy em uma praia, a partir daí começa um belo jogo de desejos entre os dois. Logo o agente descobre que a moça é filha de Draco, o líder de uma organização que pode dar a 007 informações sobre seu maior inimigo, Blofeld. Inicialmente, Bond apenas deseja liquidar seu oponente, mas ele acaba descobrindo que o homem acaba de invetar um vírus e deseja destruir toda a humanidade. James Bond terá de agir rápido para acabar com os planos do vilão e ainda poder voltar para os braços de Tracy são e salvo.
Basta dizer que esse é o primeiro filme do diretor Peter R. Hunt, bem como o primeiro trabalho de George Lazemby pra imaginar-se que ele é um fracasso total, entretanto, não tiro toda a razão dessa afirmação, mas Hunt acaba sendo uma surprese: o filme é muito bem conduzido pelo diretor, o que estraga mesmo é Lazemby. Mas há um motivo bem claro para o sucesso de Hunt: apesar de ser seu primeiro, e único, filme da franquia 007 como diretor, ele já havia trabalhado com editor da série anteriormente em outras três oportunidades, “007 Contra o Satânico Dr. No” (1962), “Moscou Contra 007” (1963) e “007 Contra Goldfinger” (1954). Além de termos cara nova da direção da produção e entre os atores, temos um roteirista que também teria sua passagem pela Saga resumida a esse filme, Simon Raven, que trabalha ao lado de Richard  Maibaum, que continuou na série por mais 20 anos e oito filmes. Ao contrário do restante do filme, que acaba por ser uma decepção (atribuo, principalmente, ao foto de ser muito longo, e não ter artifícios para se sustentar durante tanto tempo), o roteiro não é tão ruim, ficando em um meio termo entre o esperado e o insatisfatório. Apesar de tudo isso, podemos dar graças por termos John Barry na trilha sonora, em uma performance ótima.


George Lazemby se encaixa exatamente naquele dito popular que esteve na moda na virada do século: caiu de paraquedas para interpretar James Bond. A princípio pensei que era implicância minha não gostar dele por terem substituído Sean Connery, mas descobri que não era isso quando assisti a “007 Viva e Deixe Morrer”, protagonizado por Roger Moore (claro que ele não é tão perfeito quanto Connery, mas a substituição passa de decepcionante para mais que satisfatória), o fato é, portanto, que Lazemby não se encaixou na personagem, simplesmente não deu certo (tanto é que Connery voltou para o papel), Lazemby parece forçado, sem aquela vida e naturalidade que acabou se tornando exigente para o ator que vive Bond, enfim, um fracasso tão grande quanto o filme, o problema é que, quando estamos nos acostumando com o ator (seu carisma e sua tentativa de fazer o papel bem também são fatos que devem ser levados em consideração), o filme acaba. Diana Rigg interpreta a bela Bond Girl Tracy, apesar de o Bond da vez não ser grande coisa, essa é uma das Bond Girls com a qual mais simpatizei (e não posso me conter em revelar que não sabia que era essa atriz que estava ingressando na série “Game of Thrones” [2011-2012], como uma das pesonagens mais interessantes do livro). Draco é vivido por Gabriele Ferzetti, um ator simpático que dá um ar mais cômico como um pai típico: daqueles que querem se aproximar dos filhos, mas não sabem por onde, muito menos o que possa ser feito para satisfazê-los.
“007 A Serviço Secreto de Sua Majestade” é o filme da série que menos faz sentido, não apenas por parecer que George Lazemby é apenas uma substituição rápida, mas por tudo, inclusive o desfecho, serem muito vagos e terem possibilidades muito estranhas. Dessa forma, apesar de um bom roteiro, atuações ótimas (exceto a do principal, que é quase convence) e de uma edição interessante, o filme não interessa muito e só merece ser visto para que sejam conferidas as tramoias da organização Spectre, que voltará no próximo filme de Bond.


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170. COM 007 SÓ SE VIVE DUAS VEZES, de Lewis Gilbert

“Só se vive duas vezes: quando nascemos e outra quando a morte bate à nossa porta”.
Nota: 9,0


Título Original: You Only Live Twice
Direção: Lewis Gilbert
Elenco: Sean Connery, Akiro Wakabayashi, Mie Hama, Tetsurô Tanba, Teru Shimada, Karin Dor, Donald Pleasence, Bernad Lee, Lois Maxwell
Produção: Albert r. Broccoli, Harry Saltzman
Roteiro: Harold Jack Bloom, Roald Dahl e Ian Fleming (romance)
Ano: 1967
Duração: 117 min.
Gênero: Ação / Crime
+ Música Tema: “You Only Live Twice”, composição de John Barry e Nancy Sinatra e interpretação de Leslie Bricusse.

Sem mais nem menos, James Bond morre. Sim, iniciamos esse filme desolados pela morte do agente 007, mas tudo não passa de mais uma tática de M, o chefe do departamento para o qual James trabalha, o MI6. Tudo isso por um simples motivo: misteriosamente, alguma sociedade japonesa está tentando provocar uma guerra entre Estados Unidos e a URSS (atual Rússia). Mas os problemas não acabam por aí, não será preciso muito tempo para James descobrir que ele enfrentará inimigos mais antigos e perigosos que qualquer outro.
Antes de entrar para o seleto grupo de diretores que tiveram a honra de dirigir a franquia 007, Lewis Gilbert ficou conhecido pelo filme “Como Conquistar as Mulheres”, a história, protagonizada por Michael Cane (indicado ao Oscar pelo papel), sobre o sedutor Alfie, todavia, antes mesmo desse, o diretor já havia realizado mais de 25 filmes, dentre eles: “Os Bons Morrem Cedo” (1954), “O Mordomo e a Dama” (1957) e “Revolta em Alto Mar” (1962). Outra novidade na produção são os roteiristas Harold Jack Bloon, conhecido pela aclamada série “Bonanza” (1960), e Roald Dahl, do filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (1971), aliás, como apontei na crítica anterior, as histórias parecem ficar cada vez melhores e esse acaba sendo uma dos filmes mais criativos até agora. Claro que, agradavelmente, continuamos com John Barry como compositor da trilha sonora e, apesar da tal repetição exagerada do tema, até isso está melhorando. Entretanto, não posso deixar de dizer o quanto foi nada bem vinda a cena em que o vulcão onde acontecem as tramoias da trama entra em erupção, no entanto, também sou obrigado a dizer que o restante dos efeitos especiais estão tão bem feitos para a época que chega a não ser justo reclamar de tal cena.


Antes de nos dar uma folga de um filme, Sean Connory retorna como James Bond e, mais uma vez, faz seu trabalho impecavelmente, deixando algumas piadas idiotas de lado e se tornando um pouco mais maduro em relação aos outros filmes, além disso, não posso me conter em voltar a dizer: Connory é, simplesmente, perfeito para viver Bond. Akiko Wakabayashi e Mie Hama são as primeiras mulheres que passam pelo agente durante o filme, mas é Karin Dor como a Helga Brandt (na real, uma vilã), quem mais interessa, talvez pelo fato de ser vilã, ela acaba sendo uma das Bond Girls mais originais de todas as que vimos ou veremos. Finalmente, aqui somos apresentados, realmente, ao chefe da organização criminosa Spectre: Ernest Stavro Blofeld é vivido por Donald Pleasence, e não é que o ator acaba por ser uma surpresa extremamente agradável? Interpretando de forma ríspida e sem muitos galanteios, apresentando perfeitamente a forma fria com a qual toda a organização trata a si própria.
Apesar de termos várias mudanças em toda a produção (direção, roteiro, Bond Girls), a apresentação do grande vilão da série e, um roteiro bem diferenciado dos demais, o agente continua sendo o mesmo e o humor negro nunca foi tão evidente e bem vindo. “Com 007 Só se Vive Duas Vezes”, temos o resultado de tudo aquilo que venho falando em todas as criticas: nunca estivemos tão perto de chegarmos ao ápice da franquia (sem dúvida o auge da era Connory em questão de qualidade). O fato é, que, “Só se vive duas vezes: quando nascemos e quando temos a morte à nossa porta”, infelizmente, com esse filme, Connory estava vendo seu fim na maior franquia da história do cinema.


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terça-feira, 27 de novembro de 2012

171. 007 CONTRA A CHANTAGEM ATÔMICA, de Terence Young

A melhora na franquia é cada vez mais nítida, o que deixa toda a série bem mais interessante.
Nota: 8,7


Título Original: Thunderball
Direção: Terence Young
Elenco: Sean Connery, Claudine Auger, Adolfo Celi, Luciana Paluzzi, Rik Van Nutter, Guy Doleman, Molly Peters, Martine Beswick, Bernard Lee, Desmond Llewelyn, Lois Maxwell
Produção: Alber R. Broccoli, Harry Saltzman
Roteiro: Richard Maibaum, John Hopkins, Jack Whittingham, Kevin McClory e Ian Fleming (romance)
Ano: 1965
Duração: 130 min.
Gênero: Ação / Crime
+ Música Tema: “Thunderball”, composição de John Barry e Don Black e interpretação de Tom Jones.

Enquanto Bond está descansando em suas rápidas férias, ele descobre que algo de muito estranho está acontecendo entre um piloto de OTAM e criminosos dispostos a tudo para atingirem seu objetivo. Logo, o agente é informado que duas bombas atômicas foram roubas e que é seu papel descobrir onde elas estão antes que seja tarde e duas das cidades mais importantes do mundo sejam explodidas. Para isso, é mandado até Macau, onde deverá enfrentar Emilio Largo e, como se não bastassem todas as outras vezes, voltará a ficar cara a cara com a organização criminosa Spectre.
Terence Young volta na direção da franquia do agente 007 com todo fôlego, agora, além de a edição de imagem e de som estarem melhorando, o filme parece ter um gás maior pela ação continua e, apesar de mais de duas horas de duração, deixa de ser tão enrolado em alguns aspectos. Além disso, Young tem a seu favor a beleza dos locais onde o filme foi filmado, sem um excelente trunfo momentos como a sacada da piscina cheia de tubarões. A gafe nessa produção acaba sendo mesmo as alucinações por parte do roteiro, por exemplo, a forma como Bond encontra os destroços do avião que transportava as bombas atômicas; outro problema é a falta de treino por parte dos atores para os movimentos de lutas, apesar de, finalmente, Connory parecer ter pegado o jeito das coreografias, o restante do elenco permanece imaturo e inexperiente demais. Por fim, temos aquele problema do exagero do uso do tema criado majestosamente por John Barry, tudo bem, é claro que o tema é maravilhoso, mas usado demasiadamente começa a se tornar enjoativo e parece que existe apenas aquilo de artifício para a trilha sonora. Entretanto, sou obrigado a ressaltar cada vez que falo sobre um filme de James Bond: a excelência com a qual a abertura do filme é feita, nunca não foge a regra.


Mais uma vez, prazerosamente, temos Sean Connery como James Bond, e não me canso de dizer o quanto o ator é maravilhoso no papel, não por ele ser o primeiro 007, até porque pertenço àquela geração da década de 1990 acostuma com Pierce Brosnan na pele do agente, mas porque mesmo assistindo a outros intérpretes ou tentando imaginar se esse ou aquele ator se adaptaria para viver Bond na telona, simplesmente não consigo encontrar nenhum melhor e mais apropriado que Connery. Apesar de ser apaixonado por Ursula Andress, a primeira “Bond Girl, devo confessar: poucas atrizes fazem par tão bem com qualquer um dos seis intérpretes de Bond quanto Claudine Auger, a atriz vive a bela e ingênua Domino, e talvez seja por essa beleza e ingenuidade que nos apaixonemos tão rapidamente pela atriz e pela personagem, sendo rápida nossa comoção perante a moça. Adolfo Celi é o vilão Largo, apesar de a personagem ser ótima e cheia de artifícios, tais características deviam ter sido trabalhas melhor pelo ator, que, como vários atores da séries, é apenas satisfatórios. Outra atriz, entretanto, que faz o filme valer a pena é Luciana Paluzi, a também vilã Fiona nos conquista mais por sua beleza e sensualidade do que pelos talentos de atriz, mas, de qualquer forma, não podemos reclamar.
Cada vez mais vemos os filmes da Saga 007 melhorando, tomando rumos um pouco mais sérios e se tornando mais, e mais, agradáveis de serem assistidos. Após algumas decepções no filme anterior, confesso que esse se tornou uma surpresa ótima, apesar das gafes citadas acima, talvez por ter me animado um pouco mais com a história, que é bem mais criativa, ou pelo simples fato de estar me acostumando a assistir aos filmes de Bond.


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172. 007 CONTRA GOLDFINGER, de Guy Hamilton

Apesar de não ser um dos meus preferidos, conferimos a melhora nos efeitos, o que atribui à série uma seriedade um pouco maior.
Nota: 8,5


Título Original : Goldfinger
Direção : Guy Hamilton
Elenco: Sean Connery, Hanor Blackman, Gert Fröbe, Shirley Eaton, Tania Mallet, Harold Sakata, Bernad Lee, Lois Maxwell
Produção: Albert R. Broccoli, Harry Saltzmen
Roteiro: Richard Maibaum, Paul Dehn e Ian Fleming (romance)
Ano: 1964
Duração: 110 min.
Gênero: Ação / Crime
+ Música Tema: “Goldfinger”, composição de John Barry, Leslie Bricusse e Anthony Newley e interpretação de Shirley Bassey

Desta vez James Bond terá de lidar com o misterioso Sr. Goldfinger, um homem pra lá de suspeito que possui uma estranha fixação pelo ouro, desejando cada objeto que seja feito desse metal. O problema é que o homem é tão maluco quanto se pode imaginar e não tão estúpido quanto Bond acreditava. Dentre os planos de Goldfinger está o roubo ao maior bando dos Estados Unidos, agora o agente 007 terá de agir rápido para impedir que mais pessoas sejam mortas em vão.
Guy Hemilton substitui Terence Young na liderança dessa produção, e, apesar de considerar esse filme o mais chato dos três, começa a dar uma cara mais moderna à franquia. O fato de achar o filme chato é simples: seu enredo tem tudo para este ser um dos melhores filmes de todos, mas a forma como o roteiro é trabalhado e a desnecessária repetição do tema de 007 e de outras músicas durante o filme tornam a trama algo bom, mas nada além disso. Apesar de considerar o roteiro e a trilha um pouco fracos, entretanto, sou obrigado a concordar que o trabalho de Hamilton não possui nada de ruim, muito pelo contrário, tudo o que é feito aqui apenas engrandece a produção e, como já disse, faz com que toda a franquia seja elevada a um patamar cada vez melhor no quesito qualidade técnica. Não posso me dar ao luxo de não lembrar que esse filme possui uma das cenas mais inesquecíveis da história da série: a personagem de Shirley Eaton, deitada em uma cama coberta com uma tinta dourada, morta. Além disso, o chapéu do capanga de Goldfinger é uma das armas mais lembradas de todas as utilizadas por vilões ou heróis.


James Bonda é, pela terceira vez consecutiva, vivido por Sean Connery, e o mais impressionante de tudo é que nunca nos cansamos de ver esse homem na tela. O problema é que na série suas piadas, definitivamente, se tornaram sem graça e ele começa a parecer forçado, talvez pela síndrome de que jamais conseguirá sair da pele do agente 007 (e se era isso que se passava por sua cabeça, ele não estava errado). As belas Tania Mallet e Honor Blackman tão vida, respectivamente, a Tilly Masterson e Pussy Galore; a primeira é irmã da personagem de Shirley Eaton e está disposta a tudo para vingar a morte da irmã, a segunda é piloto de Goldfinger, uma mulher determinada, mas que não será a primeira a se render aos encantos de James Bond. O temido Goldfinger, por sua vez, é interpretado pelo alemão Gert Fröbe, apesar de ser um ator satisfatório, parece que falta alguma coisa em sua atuação, o que deixa o vilão um pouco imbecil e inexperiente demais frente a tudo o que James Bond é capaz de fazer.
“007 Contra Goldfinger” é um dos filmes mais adorados pelos fãs da franquia do agente 007, talvez isso se deva por sua história excelente ou pelo simples fato de Bond estar se fortificando cada vez mais entre os fãs de cinema na época. O fato é que , para mim, esse filme está longe de ser uma das melhores produções protagonizadas pelo agente. Apesar disso, é sempre bom assistir a um filme de James Bond.


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173. MOSCOU CONTRA 007, de Terence Young

Apesar das gafes em relação as efeitos, a série se consolida cada vez mais na Sétima Arte.
Nota: 8,9


Título Original: From Moscou With Love
Direção: Terence Young
Elenco: Sean Connery, Daniela Bianchi, Pedro Armendáriz, Lotte Lenya, Robert Shaw, Bernard Lee, Eunice Gayson
Produção: Abert R. Broccoli e Harry Saltzman
Roteiro: Richard Maibaum, Johanna Hardwood e Ian Fleming (romance)
Ano: 1963
Duração: 115 min.
Gênero: Ação / Crime
+ Música Tema: “From Russia With Love”, composição Lionel Bert e Johnnie Spence e interpretada por Matt Monro.

Após a morte do satânico Dr. No., a organização criminosa SPECTRE resolve contra atacar James Bond. Para isso, utilizam um objeto de desejo da inteligência inglesa – a máquina decodificadora Lektor- e um objeto de desejo de Bond – a bela Tatiana Romanova. Agora, o agente 007 é enviado para a Turquia para trazer a máquina até o MI6, entretanto, nada na vida de Bond pode ser fácil, e será preciso driblar os mais improváveis inimigos para alcançar seu objetivo.
Novamente o experiente Terence Young é o diretor dessa sequência da série 007. Desta vez, parece que ele arrisca um pouco mais e temos cenas bem mais bem feitas e excitantes, tais como as que ocorrem dentro de um trem durante boa parte do filme. Bem como na direção, não há mudanças nos roteiristas: Johanna Hardwwod está aqui em sua última contribuição para a franquia, já Richard Maibaum permaneceria em mais onze produções, sendo indicado ao Sindicato dos Roteiristas dos EUA por duas vezes. Outra contribuição pra lá de importante que permanece na produção é compositor John Barry, apesar de sua excelência, o tema criado por ele começa a ser recorrente demais aqui, tornando-se enjoativo nos próximos filmes. Apesar disso, o que interessa é ver como a produção melhora cada vez mais em todas as cenas, deixando claro que a franquia só tem a melhorar.


Sean Connory continua como o agente 007, aqui ele começa a se tornar mais carismático ainda e conquista a todos a cada cena, além disso, torna sua personagem mais cômica (suas piadas ainda são engraçadas e não idiotas, o que é um trunfo no filme). Daniela Bianchi é a nova Bond Girl, Tatiana Romanova, a mulher responsável por passar a perna em Bond que, obviamente, acaba se apaixonando pelo agente e todos os seus encantos, sendo impossível continuar sua missão, depois do trabalho belíssimo de Ursula Andress (a eterna Bond Girl) no filme anterior, era de se esperar que Bianchi não tivesse o mesmo resultado, mas, surpreendentemente, ela consegue ser tão sexy e talentosa quanto sua antecessora. Pedro Armenáriz dá vida ao ótimo Kerin Bey, o amigo de Bond na Turquia, um homem gordo de bem com a vida que ajuda o agente em todos os momentos possíveis. Além  deles, continuamos com Bernand Lee no papel do mítico M e com Lois Maxwell, como a Srta. Moneypenny, secretária de M aparentemente apaixonada por Bond, mas que, ao meu ver, é mais uma das mulheres loucas para experimentar de toda a astúcia que deu ao agente licença para matar.
O nome original do filme, literalmente traduzido, significa “Da Rússia Com Amor”,  em certo momento do filme Bond dá uma foto a Moneypenny e escreve tais palavras, entretanto, fica claro o quanto a produção pretende ser debochada desde o título até todo o resto do enredo, sendo assim, podemos concluir que o título se refere às atitudes dos russos contra 007. O mais incrível de toda a franquia, portanto, e que começa a ser mostrado de forma escrachada aqui, é a crítica feita às organizações loucas que tem por finalidade destruir o mundo. Tendo isso em vista, o propósito de todos os filmes de 007 a partir daqui será bem maior que o de entreter mentes cansadas com uma diversão de qualidade.


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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

174. 007 CONTRA O SATÂNICO DR. NO, de Terence Young

Não é o melhor filme da série, mas o primeiro é, definitivamente, inesquecível.
Nota: 9,2

  
Título Original: Dr. No
Direção: Terence Young
Elenco: Sean Connery, Ursula Andress, Joseph Wiseman, Jack Lord, Bernard Lee, Anthony Dawson, Zena Marshall, Eunice Gayson
Roteiro: Richard Maibaum, Johanna Hardwood, Berkely Mather, Terence Young, Wolf Mankowitz e Ian Flaming (romance)
Produção: Albert R. Broccoli, Harry Saltzman e Stanley Sopel
Ano: 1962
Duração 110 min.
Gênero: Ação / Crime
+ Música Tema: “Under the Mango Tree”, composição de Monty Norman e interpretação de Diana Coupland.

ANTES DE COMEÇARMOS COM AS CRÍTICAS DE TODOS OS 23 FILMES DA SÉRIE DO AGENTE 007, UM VÍDEO APRESENTADO CADA UM DOS LONGAS OFICIAIS:


Na primeira missão de James Bond adaptada para o cinema, o agente terá de ir até a Jamaica pra resolver o caso de um agente misteriosamente desaparecido. Ao chegar na ilha, Bond descobre que, provavelmente, o agente foi assassinado pelo temido Dr. No, um homem misterioso que comprou uma ilha próxima a Kingston e parece estar fazendo algo muito suspeito. Sendo assim, é dever do agente 007 descobrir tudo por trás do tal homem, e sair ileso para poder voltar a Londres e realizar sua próxima tarefa, afinal, o duplo-0 significa licença para matar, e não licença para morrer.
Em 1950 o inglês Ian Fleming viu seu romance “Casino Royale” se tornar um dos maiores sucessos da época, logo vieram séries televisivas e filmes, entretanto, somente em 1962, quando Harry Saltzman e Albert R. Broccoli resolveram adaptar a série para o cinema, com Sean Connory vivendo o agente especial 007, foi que a história de Fleming ganhou âmbito mundial, tornando-se, atualmente, uma das séries literárias mais vendidas da história – com mais de 100 milhões de cópias em todo o mundo- e a série cinematográfica mais lucrativa de todos os tempos – cerca de 12 bilhões de dólares. O diretor Terence Young já tinha muita experiência quando iniciou 007, o que se torna nítido em todo o filme. Claro que devemos analisar a produção toda lembrando que ela foi feita há 50 anos, logo, é inadmissível exigirmos grandes feitos, todavia, é bem isso que vemos aqui: a fotografia e a edição das belas praias jamaicanas, os desastres provocados por Bond no desfecho da trama, são alguns dos bons exemplos do filme. É claro que se peca nas representações de assassinatos e em outros momentos do filme, entretanto, nenhum desses erros é capaz de minimizar a beleza e a satisfação de se assistir ao primeiro filme de James Bond.


Sean Connory é, provavelmente, o mais natural entre todos os agentes 007 que nos seriam apresentados no decorrer dessas cinco décadas. Além de ser um grande ator, ele é sexy e sedutor na pele da personagem, além disso, representa de forma totalmente convincente um homem que vive de assassinatos e missões perigosos, sendo obrigado a ser frio e saber a hora de abandonar tudo e simplesmente desaparecer. Como veríamos em todos os outros filmes da franquia, nesse temos a primeira Bond Girl, e ninguém supera a primeira. Desde a saída de Ursula Andress do mar, com uma faca pendurada na cintura (cena que seria copiada por milhares de mulheres e tornou-se a maior característica da personagem) vemos o quanto a atriz está disposta a mostrar a que veio, sendo, ora inocente, ora provocante, ora inofensiva, ora o ser mais perigoso da terra. Por fim, mas não menos importante, não posso deixar de falar de Bernard Lee, que aqui, dá vida a M, o Chefe do departamento MI6, para o qual Bond trabalha, apesar de aparecer pouco, é essencial falar de Lee pelo simples fato de que ele aparecerá nos próximos dez filmes da série e representará o chefe de mais dois 007 além do representado por Connory.
Não se pode deixar de falar também, do inesquecível tema criado por Monty Norman e arranjado por John Barry para o agente 007, o Barry venceu 5 Oscars em sua carreira e é, sem dúvida, um dos maiores compositores e condutores da história do cinema, sendo mais que perfeita sua atribuição, em conjunto com Norman, para essa série inigualável. Apesar de ser o primeiro filme de James Bond na telona, o que temos aqui não é nenhuma apresentação do agente ou coisa parecida, é simplesmente um filme que tem por finalidade dar início a maior franquia da história do cinema, que seria acompanhada por gerações e gerações de homens e mulheres, elas, por desejarem o agente 007, eles pelo simples e real fato de desejarem ser Bond, James Bond.


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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

175. SRA. HENDERSON APRESENTA, de Stephen Frears


Um filme emocionante sobre um super-heroi real e ainda mais importante que os da ficção.
Nota: 9,2


Título Original: Mrs. Henderson Presents
Direção: Stephen Frears
Elenco: Judi Dench, Bob Hoskins, Will Young, Christopher Guest, Thelma Barlow, Kelly Reilly, Anna Brewster, Rosalind Halstead, Sarah Solemani, Natalia Ten
Produção: Norma Heyman
Roteiro: David Rose, Kathy Rose, Martin Sherman e Sheila van Damm (Livro)
Ano: 2005
Duração: 103 min.
Gênero: Drama /Comédia

Durante a Segunda Guerra Mundial diversas personagens foram criadas para estimular os jovens soldados nos campos de batalha, dentre os mais conhecidos temos os quadrinhos do Capitão América. Todavia, pessoas da vida real deram mais estímulo do que se possa imaginar aos soldados, dentre elas Laura Henderson, uma viúva que abriu a casa de shows Windmill, onde passaram a ser feitas apresentações com mulheres nuas para a diversão dos jovens e para que eles esquecessem um pouco de tudo o que estava acontecendo. O teatro continua aberto até os dias de hoje, claro que não com a mesma finalidade, mas com um prestígio cada vez maior.

A SENHORA HENDERSON E
ALGUMAS MENINAS DO WINDMILL.

Após a morte do marido, a velha Sra. Henderson acaba ficando entediada e, depois, de procurar gastar sua fortuna comprando, bordando ou fazendo caridade, ela resolve comprar o velho e a abandonado teatro Windmill em Londres. Em meio às danças, apresentações e problemas (que incluí a óbvia cópia das inovações do Windmill pelos demais teatros da cidade, resolvido pela proprietária colocando-se garotas nuas no palco), vemos a Laura Handerson ir e vir da França visitando um cemitério. Como se não bastasse, inicia-se a Segunda Guerra Mundial e todos ficam expostos ao perigo, entretanto, o Windmill sempre estará aqui para ajudar os jovens soldados e revelar alguns segredos que merecem ser contados.


O diretor do espetáculo que é esse filme é o inglês duplamente indicado ao Oscar Stephen Frears, o mesmo de filmes como “Ligações Perigosas” (1988), com Glenn Close, John Malkovich e Michelle Pfeiffer e vencedor de 3 Oscars; “Os Imortais” (1990), com Anjelica Huston, John Cusack e Annette Bening, indicado a 4 prêmios da Academia; “Alta Fidelidade” (2000), com John Cusack e Catherine Zeta-Jones, indicado ao Globo de Ouro; “Coisas Belas e Sujas” (2002), com Audrey Tatou e indicado ao Oscar de melhor roteiro; “A Rainha” (2006), com Helen Mirren, vencedora do Oscar de melhor atriz, e Michael Sheen; e, mais recentemente, “Chéri” (2009), com Michelle Pfeoffer , Rupert Friend e Kathy Bates. O trabalho de Frears nesse filme é bem aquilo que imaginamos que deveria ser: ele não decepciona em momento algum e consegue transformar uma história real em pura magia, nos fazendo imaginar se, na realidade, o que aconteceu não foi a magia de Laura Henderson sendo transformada em realidade para o mundo. Outra singularidade do filme é o também inglês George Fenton, compositor de mais de 110 títulos entre cinema e televisão, que é o responsável por nos trazer as músicas que serão acompanhadas pelas apresentações das belas moças do Windmill, além de dar um pouco mais de dramaticidade a algumas cenas e mais alegrias a outras.
Judi Dench é, sem dúvida, uma dama inglesa, e mais, ao lado de Maggie Smith é a maior atriz viva do cinema inglês. Aqui ela dá uma espetáculo ao interpretar a Sra. Henderson, e os motivos para tanta excelência são óbvios: Dench é impecável como uma viúva forte, que aprendeu muitas coisas com a vida e que não se deixa abalar tão facilmente, mas que parece esconder algum segredo daqueles que não precisamos contar para ninguém, a não ser que seja necessário, e é aí que está a grande sacada da interpretação de Judi, ela consegue demonstrar isso com apenas um olhar, um gesto, uma fala. Além de Dench, temos no elenco Bob Hoskins, o excêntrico Sr. Vivian Van Damm contratado por Henderson para ser o diretor do teatro, o ator é tão natural e sem preconceitos que chega parecer que conviveu com a própria personagem. O mais curioso, entretanto, em toda a produção, é que, tanto Dench, quanto Hoskins, passaram pela Segunda Grande Guerra, ela apenas sabendo da existência do tal teatro, já ele tendo visto apresentações com seu pai. No DVD do filme aconselho a assistirem, nos extras, o especial que mostra algumas das “garotas” do espetáculo. Há ainda, na internet um vídeo ótimo com fotos das apresentações originais.
No final das contas, “Sra. Henderson Apresenta” é bem diferente do que podemos imaginar, todavia isso não significa que seja decepcionante, muito pelo contrário: aqui não precisamos de trincheiras ou campos de concentração para compreendermos a dor de quem vai e quem fica, não precisamos de heróis como o Capitão América para salvar e estimular as nações, pelo simples fato de que, para nos mostrar a dor e salvar os jovens que estão indo para um lugar do qual eles jamais voltarão, temos a Sra. Henderson e o eterno Windmill. Por fim, esse filme não é apenas uma representação dos feitos da Laura Henderson na Inglaterra em meio ao tumulto da Segunda Guerra Mundial, e sim uma forma simples e bela de demonstrar como todos podemos nos ajudar quando necessário, nem que seja levando aos jovens mulheres nuas para que a guerra se torne menos cansativa, enfadonha, frustrante e desnecessária.


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