sábado, 6 de outubro de 2012

189. OS EDUKADORES, de Hans Weingatner


Um soco no estômago capitalista. O melhor do cinema alemão.
Nota: 9,8


Título Original: Die Fetten Jahre Sind Vorbei
Direção: Hans Weingatner
Elenco: Daniel Brühl, Julia Jentsch, Stipe Erceg, Burghart Klaussner
Produção: Karsten Aurich, Sabine Holtgreve, Gerog Steiner, Atonin Svoboda e Hans Weingartner
Roteiro: Hans Weingartner e Katharina Held
Ano: 2004
Duração: 127 min.
Gênero: Drama / Romance

Jan e Peter são dois amigos que dividem seu tempo entre viver suas vidas de forma normal e estudar e entrar nas casas de pessoas ricas enquanto elas viajam. A diferença entre eles e ladrões é o que faz a total diferença no filme: eles não roubam nada, simplesmente bagunçam toda a casa, empilham móveis, trocam coisas de lugar e deixam uma carta explicitando que o propósito é que ricos são egoístas e mesquinhos, merecendo tudo aquilo, eles assinam as cartas como “Os Edukadores”. O maior problema surge quando Peter faz uma viagem e Jan se apaixona por Jule, namorada de Peter.Influenciado por ela, Jan entra na casa de Hardenberg, um milionário que faz Jule pagar por um acidente onde ele perdeu um carro. No final das contas, eles acabam sendo descobertos pelo empresário e são obrigados a levá-lo para uma cabana do interir até decidirem o que farão com ele.


Assim que “Os Edukadores“ foi lançado, a crítica o apontou como um dos melhores filmes do ano, tanto que o austríaco Hans Weingartner chegou a ser nomeado por sua direção fantástica ao Palma de Ouro no Festival de Cannes. Bem como pode ser conferido em “A Onda” (2008), a técnica utilizada por Weingartner é simples, mas vai bem além do convincente. No começo do filme, é realmente incrível como toda a história (essa enrolação para que os três sequestrem Handenberg) não se torna monótona, e apenas faz com que nos interessemos cada vez mais pelo o que está por vir e por tudo o que os Edukadores aprontarão para os milionários ignorantes. Não é preciso dizer que os diálogos criados pelo diretor e pela roteirista Katharina Held, são perfeitos e fazem com que o filme se torne cada vez melhor e mais intrigante. Uma das maiores exigências de filmes que propõe uma história como essa, é que, desde o início do enredo o espectador deseje conhecer o final da história, em “Os Edukadores”, apesar de toda a genialidade do filme em ele não se tornar algo chato, não há um momento em que não desejamos saber o final.


Daniel Brühl se tornou um dos atores mais prósperos na Alemanha, aqui ele é o anarquista que influencia os demais, Jan é um jovem que idealiza um futuro melhor para a humanidade, acreditando que deve fazer sua parte provocando o medo em pessoas ricas; Brühl, em alguns momentos do filme, parece partilhar das opiniões de sua personagem, tornando sua atuação rica em detalhes e movimentos. Julia Jentsch não é uma atriz muito conhecida pelo público, mas seu trabalho como Jule nos mostra a exata passagem de uma jovem que nunca ligou para esses movimentos sociais e, de repente, resolve engajar-se em algo que ela acredita ser o melhor para todos. Stipe Erceg faz a vez do revolucionário confuso, que não sabe até que ponto vale a pena lutar por direitos que nem ele sabe se acredita serem reais, é quando ele descobre a verdade sobre sua namorada e o melhor amigo, que a personagem se torna mais crítica e o ator precisa dar vida a esse tipo clássico. O veterano Burghart Klaussner é Hardenberg, um homem rico que só se importa com sua vida e seu dinheiro, mas que parece se dobrar perante aos jovens com os quais ele se identifica, entretanto, é sabido que, após um homem se tornar rico, sua mente deixa de ser facilmente “corrompida” pelo bom senso.


Toda a história até o momento em que os três ativistas resolvem sequestar o milionário, não passa de uma introdução para o que realmente interessa no filme. Eles descobrirão que outrora Hardenberg fora também um ativista, mas que os anos e o dinheiro o transformaram em um home ganancioso e consumista. A partir dessa idéia, e dos ideais dos jovens, todos dialogarão sobre política e suas formas de governos, amor, dinheiro, desejos, direitos humanos e uma infinidade de assuntos que assolam a humanidade desde que o homem começou a viver em sociedade. Se você realmente for um ser humano, ao terminar de assistir a esse filme jamais conseguirá deixar toda sua história de lado, pois a mágica que ele propõe a todo indivíduo que assisti-lo é única e cada um a sentirá de uma forma, a única impossibilidade nesse sentido, é renegar todas as reflexões que somente o cinema alemão pode propor.


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