quarta-feira, 17 de outubro de 2012

179. PARIS, TE AMO, Diversos


Com a cidade luz como plano de fundo, o filme apresenta 18 diferentes histórias sobre a vida de moradores parisienses.
Nota: 8,8


Título Original: Paris Je T’aime
Direção: Olivier Assayas, Frédéric Auburtin, Emmanuel Benbihy, Gurinder Chadha, Sylvain Chomet, Joel Coen, Ethan Coen, Isabel Coixet, Wes Craven, Alfonso Cuarón, Gérard Depardieu, Christopher Doyle, Richard LaGravenese, Vincenzo Natali, Alexander Payne, Bruno Podalydès, Walter Salles, Oliver Schmitz, Nobuhiro Suwa, Daniela Thomas, Tom Tykwer e Gus van Sant
Elenco: Fanny Ardant, Leila Bekhti, Melchior Belson, Juliette Binoche, Seydou Boro, Steve Buscemi, Sergio Castellitto, Willem Dafoe, Gèrard Departieu, Cyril Descours, Marianne Faithfull, Bem Gazzara, Maggie Gyllenhal, Bob Hoskins, Olga Kurylenko, Li Xin, Elias McConnell, Aïssa Maïga, Margo Martindale, Yolande Moreu, Emily Mortimer, Florence Muller, Nick Nolte, Bruno Podalydès, Matalie Portman, Ludivine Sagner, Barbet schroder, Rufus Sewell, Gaspard Ulliel, Elijah Wood
Produção: Emannuel Behbihy, Caudine Ossard
Roteiro: Emmanuel Benbihy, Bruno Podalydès, Paul Mayeda Berges, Gurinder Chadla, Gus Van Sant, Joel Coen, Ethan Coen, Walter Salles Daniela Thomas, Christopher Doyle, Rain Li, Gabrielle Keng, Isabel Coixet, Nobuhiro Suwa, Sylvain Chomet, Alfonso Cuarón, Oliver Assayas, Olivier Schimits, Richard LaGravenese, Vincenzo Natali, Wes Craven, Tom Tykwer, Gena Rowalnds, Alexander Payne, Nadine Eid
Ano: 2006
Duração: 120 min.
Gênero: Comédia / Drama / Romance / Thriller

Escrever sobre um filme como “Paris, Te Amo” da mesma forma que escrevi todas as outras críticas (seguindo a linha de sinopse, produção e atuação) é impossível, afinal, são 18 histórias totalmente diferentes que não possuem absolutamente nada em comum (a não ser o fato óbvio de que todas as nossas vidas possuírem algo em comum), é como se fossem 18 curtas metragens ambientados na Cidade Luz, que foram colocados em apenas um filme para que as pessoas assistam a curtas. Pois bem, para escrever sobre esse filme, irei destacar as histórias que mais me chamaram a atenção ou mais fazem sentido para a sociedade atual. Segue a lista de todos os enredos, com alguns comentários sobre cada um, destacando, como disse, os melhores:
1.                 Montmartre, de Bruno Podalydès: um homem para na rua e fica observando algumas mulheres, quando uma delas desmaia, ele a socorre: um retrato sobre agradáveis coincidências de nossa existência;
2.                 Quais de Seine, de Curinder Chadha: três amigos estão observando garotas, enquanto dois tentam chamar a atenção, um fica quieto em seu canto, quando uma garota cai ele vai ajudá-la e acaba se apaixonando: uma representação perfeita dos problemas da principal luta na juventude: encontrar um amor;
3.                 Le Marais, de Gus Van Sant: basta dizer que é dirigido por Van Sant que já se imagina algo diferenciado, pois bem, um francês se apaixona por um rapaz que não entende quase nenhuma uma palavra do que ele diz (o outro fala apenas inglês) e somente o destino poderá dizer se alguma coisa poderá existir entre os dois: a inclusão da diversidade sexual no filme;
4.                 Tuileries , de Joel e Ethan Coen: um americano está em uma estação de metrô de Paris, quando é surpreendido por um casal do outro lado, os dois estão se agarrando despudoradamente. O problema é que o casal parece louco mesmo, e a garota acaba parando ao lado do turista e daí por diante ele terá que se virar com seu pequeno dicionário de expressões francesas. No elenco o único que merece ser lembrado é Steve Buscemi que, sem nenhuma palavra, consegue mostrar exatamente os sentimentos de um pobre turista. É, também, uma crítica àqueles filmes que só mostram a beleza das viagens a lugares desconhecidos, ou seja, no maior estilo Coen, a mais pura verdade.


5.                 Loin Du 16e, de Walter Salles e Daniela Thomas: o filme está na lista por dois motivos: primeiro, é uma parceria de dois cariocas genuinamente brasileiros em meio a figuras muito conhecidas em todo o mundo; segundo, fala sobre uma estrangeira vivendo em Paris, não preciso dizer que ser um não francês na França já é complicado, ainda mais se sua língua nativa é derivada do espanhol e sua pele é morena, o que é o caso. É claro que quem se destaca na história é a Colombiana indicada ao Oscar em 2004 Catalina Sandio Mareno, que interpreta com simplicidade e mostra como pessoas em sua situação devem se apagar perante o restante do mundo. Apesar de um pouco dramático e sem graça, é um dos melhores filmes do filme;
6.                 Porte de Choisy, de Christopher Doyle: apesar de a sequência criticar beleza e os problemas acarretados pelos estereótipos, é confuso e realmente chato.
7.                 Bastille, de Isabel Coixet: um homem tenta pedir o divórcio de sua esposa, mas descobre que ela está doente e resolve ficar com ela: um verdadeiro soco no estômago. Com Miranda Richardson;
8.                 Place dês Victoires, de Nobuhiro Suwa: mulher passa pela morte do filho e não consegue superá-la, apesar de dramático demais, o filme estrela Juliette Binoche, perfeita no papel de uma mãe sofredora;


9.                 Tour Eiffel, de Sylvaim Chomet: a história de um menino deslocado que tem como pais um mímico e uma mímica que se conheceram na cadeia. Um dos piores entre todos os 18 filmes;


10.             Parc Monceau, de Alfonso Cuarón: uma comédia divertida sobre várias coisas, falar mais seria estragar o prazer do filme que, aliás, é um dos únicos que proporciona diversão, qualidade e criatividade. Com Nick Nolte;
11.             Quartier dês Enfants Rouges, de Olivier Assayas: uma atriz que está em Paris gravando seu filme descobre o mundo das drogas, bebidas e festas: um retrato bem clichê das jovens atrizes. Com Maggie Gyllenhaal;
12.             Place dês Fetes, de Olivier Schmitz: por uma ironia do destino um homem sofre um ferimento e justo a mulher que ele procurava quando foi ferido o ajuda em seu momento de morte: mais uma porrada no estômago sobre as tristes coincidências da vida;
13.             Pigalle, de Richard LaGravenese: marido e mulher parecem tentar mudar a rotina de seu casamento indo até um bar de streep-tease, entretanto eles se decepcionam um com o outro e saem, bravos, do lugar. Todavia, a vida é uma bela caixinha de surpresas para alguns e os dois acabam vendo o quanto se amam e não podem viver longe um do outro. Com Bob Hoskins e Fanny Ardant;


14.             Quartier de la Madeleine, de Vincenzo Natali: a princípio pensei, e torci para, que fosse uma filmagem de algum filme de terror que ocorre em Paris, se é isso eles não deixam claro, se for... bem não faz diferença, decididamente o pior de todos. Com Elijah Wood;
15.             Pere-Lachaise, de Wes Craven: um homem e uma mulher estão em Paris em sua lua de mel adiantada, quando vão ao cemitério mais famoso da cidade, ela acaba descobrindo que está meio decepcionada com ele, agora somente as grandes personalidades enterradas ali poderão ajudá-lo a reconquistar a noiva. Apesar de parecer chato demais, acaba sendo uma agradável surpresa que se apaga devido a palhaçada apresentada no curta anterior;
16.             Faubourg Sait-Denis, de Tom Tykwer: um garoto cego acaba se apaixonando por uma jovem, o desfecho é um deleite para os olhos, a alma e o coração. Com Natalie Portman;


17.             Quartier Latin, de Gérard Depardieu: ex-marido e ex-mulher se reencontram e falam sobre suas vidas: ele, com uma nova esposa grávida, e ela tentando mais um relacionamento com outro homem. O retrato perfeito de um ex-casal que chegou a uma das idades mais fantásticas da vida e percebeu que um ainda é amigo do outro, dessa forma, devem estar um ao lado do outro para sempre, afinal, estarão ligados por algo inexplicável. Com os mais que veteranos Bem Gazzara e Gena Rowlands;
18.             14e Arrondissement, de Alexander Payne: pela primeira vez na vida, uma mulher viaja para Paris, sozinha ela vaga pela cidade conhecendo os mais inúmeros lugares, aproveitando a comida, praticando seu francês e relembrando de seu passado e de pessoas queridas. Em um dado momento, ela senta em um banco para comer um sanduíche e se pega pensando na vida e em tudo o que a rodeia. Sem sombra de dúvidas o melhor dos curtas, na realidade, o único que realmente se eleva entre todos e salva a produção. Payne optou por algo simples, não escolheu uma grande atriz do cinema, nem pensou em uma história fantástica e impressionante, em seu real desfecho, a personagem, interpretada pela fantástica Margo Martindale (da série “Justified”, 2010) tem uma das falas mais belas e verdadeiras do cinema, com a qual todos se identificarão: “Era como se eu me lembrasse de algo que nunca conheci. Ou que sempre esperei, sem saber exatamente o que. Talvez fosse algo que eu havia esquecido. Ou algo que eu senti falta toda a vida. O que posso dizer é que senti ao mesmo tempo, alegria e tristeza. Mas não tristeza demais, pois me sentia viva.”


Durante o desfecho da trama, algumas personagens se encontram, outras seguem suas vidas normalmente, outras apenas tomam destinos diferentes e outras, como é o caso das personagens de Binoche e Rowlands, apenas trocam olhares sinceros que nos expõe um mar de sentimentos que ambas podem estar sentindo. No final das contas, o filme acaba sendo decepcionante pelo fato de ter tantos diretores e intérpretes famosos por seu talento e competência, mas nos é provado que na vida, de uma forma ou outra, todos estamos ligados por algum motivo, por alguma força inexplicável que rege o universo. Talvez seja Deus, talvez seja mais de um, talvez seja o destino, talvez seja apenas coincidência mesmo e não estamos ligados coisa nenhuma. Eu fico com o destino, pois que ele faz das suas, isso ele faz.

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180. O CONCERTO, de Radu Mihaileanu


A vida como ela realmente é no melhor do estilo cinema europeu.
Nota: 9,7


Título Original: Le Concert
Direção: Radu Mihaileanu
Elenco: Aleksey Guskov, Dmitri Nazarov, Mélanie Laurent, Fronçois Berléand, Miou-Miou, Veleriy Brinov,Lionel Abelanski, Vlad Ivanov, Laurent Bateau
Produção: Alain Attal
Roteiro: Radu Mihaileanu, Alain-Michel Blanc, Matthew Robbins, Héctor Cabello Reyes e Tierry Degrandi
Ano: 2009
Duração: 119 min.
Gênero: Comédia / Drama

Andrey Filipov foi, há 30 anos, o renomado regente da Orquestra do Teatro Bolshoi – uma das mais importantes da Rússia -, mas acabou demitido por problemas políticos do país e continuou no teatro trabalhando como auxiliar de limpeza. Hoje, a orquestra é composta por músicos terríveis, pois àquela, outrora regida por Filipov, dispersou-se e nunca mais voltou a se encontrar. Quando apenas o faxineiro descobre um convite para a orquestra tocar no parisiense Châtelet Theater, ele decide reunir seus antigos companheiros e formar uma orquestra de verdade para tocar ao lado da exímia solista de violino Anne-Marie Jacque. Agora, só resta convencer os músicos e enganar uma ou outra pessoa, para que, dessa forma, Filipov possa realizar o maior desejo de sua vida particular.


Quando falo sobre o cinema europeu, costumo dizer que os filmes ingleses são aqueles que possuímos de mais tradicional e histórico, o cinema alemão costuma seguir a linha mais crítica e reflete sobre ideologias políticas, econômicas e sociais, o italiano faz a vez das obras de artes mais extravagantes – mas nem por isso menos belas-, os espanhóis são mais simples e gostam de trazer a vida cotidiana, o cinema francês, por fim, costuma nos apresentar filmes belos como a vida realmente deve ser, produções divertidas, mas que tocam lá no fundo de nossas almas, e esse filme não foge a regra. Tenho que destacar o fato de o filme ser uma produção francesa e russa, contando ainda com o diretor e roteirista romeno e roteiristas franceses, americano e chileno, indispensável dizer o quanto o filme trás uma diferença de culturas totalmente agradável. O diretor Rahu Mihaileanu dirigiu dois filmes que fizeram sucesso dentro da Europa e em festivais pelo resto do mundo: “Trem da Vida” (1998) e “Um Heroi do Nosso Tempo” (2005), em “O Concerto” ele nos proporciona não somente um história, belíssima, mas também uma técnica original e preciosa em um filme que deveria ser totalmente simples e se transforma em uma obra.


Aleksey Guskov é Andrey Filipov, logo na primeira cena simpatizamos com o ator e com a personagem: Filipov, o faxineiro, está assistindo ao ensaio da nova orquestra Bolshoi, mas ele não assiste apenas, ele se sente como se ainda fosse o regente do grupo. Guskov é mais conhecido por seus trabalhos para televisão, o que não significa incompetência no cinema; muito pelo contrário: o ator é vivo, e consegue expressar de forma fantástica os anseios e medos de sua personagem. Mélanie Laurent, oriunda de “Bastardos Inglórios” (2009), é a bela Anne-Marie Jacque, a personagem virá a se tornar o centro da história, e isso fará com que seja exigido da atriz uma melodramaticidade bem diferente da conferida em “Bastardos”, mas, igualmente ao filme de 2009, não há como se decepcionar ou deixar de se apaixonar por Laurent, não apenas por sua beleza francesa, mas pela qualidade de seu trabalho. Ao lado da jovem atriz, está a veterana do cinema francês Miou-Miou, que interpreta a mulher que cuidou, e ainda cuida, de Anne-Marie, Guylène, apesar de aparecer pouco no filme, a atriz consegue ser maravilhosa em cada uma de suas pequenas cenas. Dmitri Nazarov, bem como o protagonista e a maior parte do elenco, é um ator desconhecido, mas que interpreta de forma inigualável o atrapalhado violoncelista Sasha, o melhor amigo de Filipov. Citar todos os outros integrantes da orquestra é impossível, portanto, me atenho a dizer que são todos atores muito talentosos, claramente mais velhos e experientes, que nos arrancam inúmeras gargalhadas e nos fazem suspirar e arrepiar com a principal cena do filme.


No final das contas, o que nos é apresentado aqui não são aquelas comédias enjoativas típicas da TV e do cinema americano, temos aqui uma história baseada naquilo que a vida pode realmente ser, ninguém se passa por um palhaço ou tenta ser o mais estranho possível, cada personagem é única, simples, comum, e, nem por isso deixam de ser divertidos; mas também não somos abrigados a assistir duas cansáveis horas de um drama extremamente triste e deprimente, com personagens que apenas vêm seu mundo desabar e não fazem absolutamente nada para mudar isso. Portanto, o que nos é apresentado é uma representação perfeita da vida, nada de muito drama, mas também nenhum senso cômico exagerado, apenas a vida como ela é: uma deliciosa comédia de acertos e erros.


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181. ELIZABETH: A ERA DE OURO, de Shekhar Kapur


Aqui sim, temos a estética e a qualidade perfeita para exaltar a governante Elizabeth I.
Nota: 9,5

MULHER, GUERREIRA, RAINHA

Título Original: Elizabeth: The Golden Age
Direção: Shekhar Kapur
Elenco: Cate Blanchett, Geofrey Rush, Abbie Cornish, Rhys Ifans, Jordi Mollà, Clive Owen, Laurence Fox, John Shrepnel, Samantha Morton
Produção: Tim Bevan, Jonathan Cavendish, Eric Fellner
Roteiro: William Nicholson e Michal Hirst
Ano: 2007
Duração: 114 min.
Gênero: Biografia / Drama

BLANCHETT CARACTERIZADA COMO ELIZABETH I
 E UMA PINTURA DA RAINHA VIRGEM
Elizabeth I foi fruto do casamento entre Henrique VII e Ana Bolena, por esse motivo, pode-se dizer que ela foi o fruto da separação da Inglaterra de Roma e a criação da Igreja Anglicana. Após a morte de um irmão, uma prima e uma irmã, Elizabeth assumiu o trono da Inglaterra em 1558, o qual deixou apenas em 1603, alguns defenderam que isso foi obra do Demônio, outros, que foi obra de Deus, eu fico com as duas opções. O fato é que o período de 45 anos em que ela reinou, foi conhecido como a Era de Ouro Inglesa. Durante desses anos ela promoveu o cercamento de terras, o aumento das áreas urbanas no país, ocupação das treze colônias no atual EUA, perseguição de católicos e puritanos que iam contra seu governo, estimulou as atividades de corsários, consolidou o Anglicanismo e venceu a Guerra da Invencível Armada, destroçando o exército espanhol e afundando a economia do país rival e tornando a Inglaterra a maior potência européia da época.


O filme nos apresenta uma Elizabeth madura, sem medo de governar e pronta para vencer qualquer obstáculo. Entretanto, também vemos uma rainha um pouco desesperada e desconfiada com tudo ao seu redor, talvez pelas ameaças que rondam seu reino ou pelo simples fato de ser uma mulher que enfrenta os problemas de todas as mulheres depois dos trinta anos. Ainda conferimos a forma como a rainha não se importava em ser criticada e o quanto debochava do fato de centenas de homens quererem desposá-la, os conflitos econômicos e religiosos com a toda poderosa Espanha, as tentativas de assassinato, mais um romance com um homem qualquer, a relação de amizade com uma de suas damas de companhia e a força e determinação com a qual afundou os navios espanhóis em uma das maiores conquistas da Inglaterra.


Dentre os filmes dirigidos por Kapur, “Elizabeth” (1998) e “Elizabeth: A Era de Ouro” são os únicas que realmente chamam a atenção, pois relatam boa parte da vida de uma das maiores monarcas do Reino Unido. A novidade no roteiro é William Nicholson, indicado duas vezes ao Oscar, foi responsável pelo filme “Gladiador” (2000) e outros do mesmo gênero de época. Mais uma vez, a trilha sonora é uma das coisas que mais chama a tenção na produção, ela foi composta em conjunto por Craig Armstrong, de “O Colecionador de Ossos” (1999), “Moulin Rouge – Amor em Vermelho” (2001), “Simplesmente Amor” (2003), “Ray” (2004) e “Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme” (2010) e por A. R. Rahman o compositor de mais de 100 filmes, dentre eles: “Quem quer ser um Milionário” (2009), pelo qual venceu o Oscar, e de “127 Horas” (2010). Falar sobre esse filme sem citar mais alguns aspectos técnicos é impossível, portanto: a maquiagem e os penteados coordenados por Jenny Shircore são simplesmente fantásticos e não se podia esperar menos para tal personagem principal; o figurino, vencedor do Oscar, de Alexandra Byrne é uma personagem a parte, que se destaca entre todos e torna a interpretação de Blanchett ainda melhor; e, por fim, a aliança entre a fotografia de Remi Adefarasin e a decoração de Richard Roberts nos leva para o Século XVI e nos colocam ao lado de cada personagem.


Cate Blanchett, assim como a própria personagem, está mais madura e consegue demonstrar perfeitamente o que Elizabeth sentia, como era difícil ser a mulher mais poderosa de seu tempo e como ela estava realmente despreparada para ser a toda poderosa Rainha da Inglaterra, entretanto, a atriz também expõe de formal incrível a aprendizagem eterna que é ser a governante de um país. Em uma das cenas mais belas do filme, Blanchett veste totalmente a personagem e deixa claro aos espanhóis que o destino da Inglaterra é controlado por ela e Deus, e não por qualquer homem que a deseje como esposa, ou por outro governante de um país qualquer. Geoffrey Rush volta como o fiel amigo e conselheiro de Elizabeth, Sir Francis Walsingham, e, mais uma vez, a química entre ele e Blanchett é tanta que chega a assustar. É incrível como a ator consegue se tornar inigualável em cada papel, aqui, ele é um homem preocupado com os interesses da Inglaterra e de sua Rainha, nada além disso. No restante do elenco principal temos Clive Owen e Abbie Cornish, ele é o amor de Elizabeth da vez, Sir Walter Raleigh, ela, a dama de companhia Bess Throckmorton, ambos, atores e personagens, estão tão perdidos na trama que fica claro que eles apenas vieram para fazer volume e deixar a história mais “interessante”, o problema é que a vida de Elizabeth I é interessante o suficiente, e tanto Owen quanto Cornish são perda de espaço e tempo.


Falar sobre conquista de direitos femininos ou sobre mulheres no poder sem citar Elizabeth I é simplesmente impossível. Esse filme é o desfecho quase que perfeito sobre a história dessa mulher incrível, se não por seu roteiro, por toda a estética brilhante, o figurino exuberante, a maquiagem digna de uma rainha e a atuação inacreditável de Cate Blanchett. O único problema da trama acaba, portanto, sendo a falta de atenção dada aos acontecimentos políticos e grandes feitorias de Elizabeth, deixando seu suposto romance mais em evidência que a existência de nomes como do dramaturgo William Shakespeare ou do filósofo Francis Bacon. Todavia, a beleza técnica do filme, e a atuação de Blanchett, como uma mulher a beira da loucura pelas responsabilidades conferidas a ela, tornam o filme uma homenagem quase que verdadeira, e exalta vários feitos de uma das maiores monarcas da história da humanidade.


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182. ELIZABETH, de Shekhar Kapur


Apesar dos escorregões ao enfatizar os romances da monarca, é uma obra satisfatória dobre Elizabeth I.
Nota: 9,0


Título Original: Elizabeth
Direção: Shekhar Kapur
Elenco: Cate Blanchett, Geoffrey Rush, Joseph Fiennes, Crhistopher Eccleston, Richard Attenborough, Vincent Cassel, Edward Hardwicke
Produção: Tim Bevan, Eric Fellner, Alison Owen
Roteiro: Michael Hirst
Ano: 1998
Duração: 124 min.
Gênero: Biografia / Drama

Em 1535, o Rei Henrique VIII da Inglaterra separou-se da toda poderosa Igreja Católica para divorciar-se de Catarina de Aragão e casar-se com sua amante Ana Bolena, com quem teve uma filha. Após a morte do rei, seu filho Eduardo VI assumiu o trono, mas morreu jovem e sem deixar herdeiros e nomeou sua prima Joana I como rainha, posteriormente ela foi deposta pela meia-irmã de Eduardo VI e verdadeira herdeira do trono, Mary I, filha de Catarina de Aragão e Católica fervorosa. Apesar de toda a relutância, com a morte de Mary, assumiu o trono a filha de Ana Bolena, Elizabeth, chamada a Rainha Virgem. Elizabeth enfrentou inúmeras dificuldades durante o início de seu reinado, por começar o fato de ser protestante, a não aceitação de parte do povo e de monarcas europeus aliados a Santa Igreja Católica, por ser uma mulher relativamente jovem (25 anos) e por negar-se a aceitar qualquer homem como seu marido.


No filme, vemos exatamente uma rápida passagem entre os últimos dias de Mary como Rainha e a coroação de Elizabeth. Durante o enredo verificamos como dezenas de pessoas temiam a ascensão da Rainha Virgem, as dificuldades em entender tudo o que representava ser uma rainha, a infantilidade de Elizabeth diante de centenas de obrigações e o amadurecimento para ela se tornar uma das maiores monarcas da história. Ainda temos os relacionamentos da rainha: entre os nobres que a apoiavam e os que a odiavam, entre o irmão do rei francês, Duque D’Anjou – com quem ela deveria ter se casado-, com a rainha Mary da Escócia, o jovem Robert Dudley – com quem teve um romance-, e com Sir Francis Walsingham – seu maior amigo e conselheiro. Por fim, assistimos, aliviados, a tal ascensão de Elizabeth ao trono inglês, derrotando seus principais inimigos internos e conquistando seu povo.


Kapur é um indiano que iniciou sua carreira em 1983 com “Masoom”, mas começou a fazer sucesso mesmo onze anos depois com “Bandit Queen”, um filma totalmente indiano. “Elizabeth” foi seu cartão para conquistar o restante do mundo, entretanto, em sua carreira voltou a dirigir apenas mais três longas: “Honra & Coragem – As Quatro Plumas” (2002), “Elizabeth: A Era de Ouro” (2007) e “Nova York, Eu Te Amo” (2009). Em “Elizabeth” seu trabalho é belo, não mais que isso, é satisfatório e traz exatamente o que é preciso para relatar os primeiros anos de reinado da Rainha. O roteirista Michael Hirst, é simples, original e eleva a história de Elizabeth a um nível bem mais acima do esperado, no entanto, peca ao dar muita atenção para a história de amor entre ela e Robert Dudley, romance esse, que nem tem sua veracidade comprovada, é dele também o roteiro da série “The Tudors”, que relata os acontecimentos da vida de Henrique VIII, entre conhecer Ana Bolena, separar-se da Igreja Católica e da esposa até sua morte. Os pontos altos do filme, além da atuação de Blanchett, é a trilha sonora de David Hirschfelder, o figurino de Alexandra Burne e a parte técnica do filme, todos indicados ao Oscar, além da belíssima maquiagem de Jenny Shircore, vencedora do Academy Awards.
Cate Blanchett teve seu primeiro grande destaque em 1997, com “Oscar and Lucinda” atuou ao lado de Ralph Fiennes e começou a chamar a atenção de produtores, diretores e do público, uma no depois veio “Elizabeth” o grande filme de sua carreira, com o qual foi indicada ao Oscar pela primeira vez como atriz principal (sou obrigado a lembrar que ela concorria com Emily Watson, Gwyneth Paltrow e ninguém mais, ninguém menos que Fernanda Montenegro e Meryl Streep,e é inacreditável que tenha sido Paltrow a vencedora do ano, com sua atuação sem graça e apagada em “Shakespeare Apaixonado”). Enfim, Blanchett está linda no papel, simplesmente perfeita; interpretando Elizabeth, de início ela é simples, recatada, inocente e até meio boba, mas com o passar das cenas vemos a verdadeira mulher surgir e deixar claro quem ela realmente é. Um ponto a ressaltar sobre a própria personagem é o fato de ela se orgulhar imensamente de ser filha de Henrique VIII, e mais, tê-lo como seu maior modelo e exemplo. Do restante do elenco, o único que vale a pena destacar é Geofrey Rush, aliás, ele e Blanchett possuem mais química que a triz e os homens que a cercam querendo-a em casamento. Além de Rush, temos o sempre ótimo Vincent Cassel como um homem piadista e com várias surpresas a serem reveladas.


É um alívio poder dizer que temos um segundo filme já feito em homenagem a Elizabeth, pois aqui, não temos a chance de ver a época mais interessante e importante da vida da monarca, nesse filme, apenas somos apresentados à rainha e vemos sua consolidação. Não posso deixar de destacar o fato de o filme fazer uma certa crítica à Igreja Católica ao mostrar as tentativas, com a graça de Deus, fracassadas de a instituição tentar assassinar a rainha inglesa. Se Elizabeth foi ou não a maior rainha da história da Inglaterra, não sou capaz de avaliar, mas que sua grandiosidade ficou conhecida por todos, isso ficou, e o filme, apesar de simples, faz jus a grande mulher, guerreira e rainha que foi Elizabeth I.


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183. SUA MAJESTADE, SRA. BROWN, de John Madden


Nada poderia ser mais satisfatório que ver Judi Dench interpretando a Rainha Vitória.
Nota: 9,4


Título Original: Mrs. Brown
Direção: John Madden
Elenco: Judi Dench, Billy Connolly, Geoffrey Palmer, Antony Sher, Gerard Butler, Richard Pasco, David Westhead, Bridget McConnell, Georgie Glen
Produção: Sarah Curtis
Roteiro: Jeremy Brock
Ano: 1997
Duração: 105 min.
Gênero: Biografia / Drama / Comédia
Vitória da Casa Hanôver assumiu o trono inglês após a morte de seu avô, de seu pai e de seus três tios (irmãos mais velhos de seu pai que não deixaram herdeiros). Durante seu reinado ficou conhecida por ajudar os trabalhadores de classes baixas, incutir cada vez mais cultura na Inglaterra, pelo desenvolvimento industrial no país e pela expansão territorial (a Índia foi anexada ao Reino Unido). Em 1861 a mãe de Vitória morreu, triste por descobrir, nas cartas de sua mãe, o quanto ela a amava e sentia sua falta, a monarca passou suas responsabilidades ao marido (e grande amor de sua vida),Príncipe Albert, que morreu de febre tifóide no final do mesmo ano. Desde o ano de sua viuvez, até meados de 1872, Vitória decidiu ficar mais reclusa do que já estava, o que fez sua popularidade diminuir gradativamente. Entretanto, a chegada de um antigo empregado do marido fez com que sua vida voltasse a ter sentido.
Antes de ser lida essa crítica, ou assistido ao filme, recomendo que leiam e assistam ao filme “A Jovem Rainha Vitória” (2010), que relata a chegada de Vitória no poder, seus primeiros relacionamentos com o Parlamento, a difícil relação com a mãe e o casamento com o Príncipe Albert. No filme, temos uma pequena noção do quanto Vitória está afastada de seus deveres em Londres e da sociedade inglesa, mas logo temos a chegada de John Brown, o tal antigo empregado de Albert, que faz a vida da rainha ficar mais alegra ao lembrar o próprio Príncipe falecido. Claro que a amizade dos dois não gera apenas bons frutos, além de ser julgada pelo povo por aparecer pouco em público, Vitória teve de aguentar acusações de que estaria tendo um romance com seu empregado, o que não a convenceu de se separar dele. Brown morreu em 1883 e sua soberana em 1901.
Antes desse filme, John Madden apenas havia se destacado em produções para televisão. Depois desse vieram “Shakespeare Apaixonado” (1998), “O Capitão Corelli” (2001), “A Prova” (2005), “No Limite da Mentira” (2010) e “O Exótico Hotel Marigold” (2001). Apesar de simpatizar com os filmes de 98 e 2011, acredito que “Mrs. Brown” seja seu título mais qualitativo no cinema, enquanto os outros dois são divertidos e engraçados, esse é mais carregado de drama e nos trás a história real de uma das mulheres mais importantes da história da humanidade. De forma simples, pura e, apesar da maturidade e idade dos protagonistas, inocente, o diretor consegue nos trazer a história de Vitória sem pré-julgar ninguém, muito menos insinuar qualquer possibilidade de romance entre eles. Além disso, fotografia, direção de arte, edição de som, figurino e maquiagem são belíssimos e conseguem captar a exata áurea da época e do contexto relacionado à tristeza da Rainha. O roteirista, é bom lembrar, foi um dos responsáveis, quase dez anos mais tarde, pela adaptação do excelente “O Último Rei da Escócia” (2006).

DENCH COMO VITÓRIA E UMA PINTURA DA RAINHA
(desculpo-me pela s poucas fotos, mas é praticamente
 impossível encontrar fotos com boa qualidade desse filme)
O fato é que, apesar do grande número de intérpretes desse filme, os únicos que realmente importam, e se sobre saem são Judi Dench e Billy Connolly. Dench é ninguém mais, ninguém menos que a Rainha Vitória, e, nessas alturas da vida, já não sei se é mais honroso interpretar tal figura histórica, ou ser interpretada por tal atriz. A atriz iniciou sua carreira antes mesmo de meu pai nascer, em 1959, na televisão, e fez seu primeiro filme em 1964, daí para frente sua carreira foi só triunfos no campo televisivo; no cinema, começou a destacar-se em 1985 com “Sombras do Passado” e em 1988 com “Um Punhado de Pó”. É Inacreditável que sua primeira indicação ao Oscar tenha vindo apenas com sua interpretação impecável de Vitória, e pior, venceu apenas uma vez por seu papel coadjuvante em “Shakespeare Apaixonado” (no qual, por curiosidade, interpretou a Rainha Virgem Elizabeth I). Aqui, bem como em todos os seus outros filmes, Dench trás a perfeição para tela, como uma mulher triste e quase que inexpugnável, que começa a se render ao tal Sr. Brown por ele ter sido tão fiel ao marido que ela tanto amava. Billy Connolly pode não estar nem perto de ser tão grandioso quanto Dench, mas sua atuação é tão digna de nota quanto a da atriz, pois é dele a responsabilidade de trazer o homem firme e forte que se esperava para dobrar a toda poderosa Rainha do Reino da Inglaterra.
Apesar de um roteiro por vezes cansativo, as atuações de Judi Dench e Billy Connolly, a eficiência por parte da produção do filme e direção de Madden, o filme se torna uma agradável surpresa, afinal, nos faz questionar se Vitória foi apaixonada por John Brown, ou se ele a amou, mas isso, ninguém jamais poderá ter certeza, o fato é que ambos foram de extrema importância uma para vida do outro, e o filme mostra apenas isso, sem julgar ou insinuar coisa alguma. Para curiosidade geral, essa semana, descendentes de Brown confessaram terem encontrado cartas trocadas entre a Rainha e o empregado, mas nada foi divulgado para preservar a Família Real Britânica. O que prova tal proximidade citada acima, é o fato de Vitória ter morrido em 1901, devido a várias doenças, sendo enterrada com diversos pertences, jóias, fotografias, peças de roupa de Albert e vestida de branco com seu véu de noiva, e,  dentre todos esse pertences que lembravam sua família, uma foto de Brown, uma mecha de seu cabelo e o anel da mãe do empregado dado a ela pelo próprio Brown.

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184. A JOVEM RAINHA VITÓRIA, de Jean-Marc Vallée


Emily Blut supera as expectativas ao enfrentar seu trabalho mais difícil até hoje como a Rainha Vitória.
Nota: 8,8


Título Original: The Young Victoria
Direção: Jean-Mark Vallée
Elenco: Emily Blunt, Rupert Friend, Paul Bettany, Miranda Richardson, Jim Broadbent, Thomas Kretschman, Mark Strong, Jesper Chrostensen
Produção: Sarah Ferguson, Tim Headington, Graha, King, Martin Scorsese
Roteiro: Jullian Fellows
Ano: 2009
Duração: 105 min.
Gênerp: Biografia / Drama

Em 1837, Vitória da Casa Hanôver, viu a morte de seu tio e tornou a soberana do Reino Unido, seu pai havia sido o quarto filho do rei, com a morte dele e dos três irmãos (nenhum teve filho legítimo e ela foi a única filha de seu pai), foi sua vez de assumir o trono. Apesar de ter sido criada por sua mãe alemã, Vitória tornou-se independente rapidamente, casou-se com seu primo Albert, teve nove filhos e quarenta e dois netos (a maioria casou com nobres e herdeiros de títulos da Europa, conferindo uma das maiores uniões por matrimônio da história da Inglaterra). A Rainha e o marido foram grandes admiradores e difundidores da cultura britânica e o período em que reinou, a “Era Vitoriana”, foi marcada pelo reconhecimento à classe trabalhadora, pela abolição da escravidão no Império Britânico, pela ascensão industrial e pela paz em seus territórios. Vitória reinou por 63 anos, foi a última Hanôver a governar e tataravô da atual Rainha do Reino Unido, Elizabeth II.
BLUNT COMO VITÓRIA E UMA PINTURA DA RAINHA.
No filme, somos apresentados rapidamente a situação em que a protagonista se encontrava: órfã de pai e com uma mãe submissa a um conselheiro pra lá de suspeito, Vitória estava fadada ao fato de ter milhares de pessoas tentando controlá-la. Vemos ainda a afeição do tio de Vitória, Guilherme IV, que insistia em viver até a sobrinha completar 18 anos. Chega então o momento confuso de Vitória subir ao trono inglês e assumir suas responsabilidades, que não são poucas. A partir daqui nos é mostrado seu relacionamento com o primeiro-ministro da época, Lord Melbourne, sua estima e respeito por Albert, o casamento de ambos, a difícil relação que manteve com sua mãe, o nascimento de sua primeira filha e as dificuldades em conciliar sua vida privada e “profissional”.


Jean-Marc Vallée é um canadense pouco conhecido por sua carreira, e é bem isso que impressiona ao conferirmos no filme algo além do esperado. Provavelmente pelo fato de que os canadenses vêem a família real britânica como sendo tão sua quanto da Inglaterra ou pelo diretor simplesmente admirar a Rainha Vitória, o fato é que ele não decepciona e nos expõe várias realidades da vida da monarca sem julgá-la demais ou fazê-la de vítima. O diretor ainda nos presenteia com uma fotografia e uma edição maravilhosas – os cenários tipicamente ingleses são uma singularidade. Outra particularidade do filme é figurino vencedor do Oscar de Sandy Powell, a figurinista é mais conhecida pelos seus trabalhos com Martin Scorsese e pela sua competência em filmes de época, é comumente compara com Edith Head (favorita de Hitchcock e vencedora de oito estatuetas do Academy Awards). O roteiro impecável é do egípcio Julian Fellows, conhecido por “Assassinato em Gosford Park” (2001) e, recentemente, pela minissérie fantástica “Downton Abbey” (2010-2012), que por sinal estreou sua terceira temporada nesse mês e vem mostrando cada vez mais sua perfeição. Destaco, por fim, a trilha sonora composta pelo também desconhecido Ilan Eshkeri, que conta com famosas peças de Schubert e Bellini.


O elenco desse filme, tanto o principal quanto o coadjuvante, é mais um presente nos dado pela produção. Comecemos com a própria Vitória, papel entregue a Emily Blunt. Devo confessar que cada vez que assinto Blunt, em qualquer um de seus filmes, me apaixono cada vez mais pela atriz, não apenas por sua beleza, mas por seu talento indiscutível. Como Vitória, ela define bem as etapas da personagem: antes de ser rainha a mulher que permanece na infância, depois que assume o trono a mulher altamente influenciada que deseja se desgarrar das influências, por fim, a verdadeira Rainha, firme, decidida e inexpugnável ao lado do marido que ama. Albert, por sua vez, é interpretado por Rupert Friend, apesar de poucos trabalhos no currículo, o ator não decepciona ao mostrar o típico consorte de uma rainha: determinado a ajudá-la, mas um pouco confuso por ser “inferior” a própria esposa. Completando o elenco: Paul Bettany é o primeiro-ministro Melbourne, como sempre o ator está ótimo e, bem como, a personagem de Friend, deve aceitar o fato de que deve respeitar uma mulher acima de tudo pelo bem do país; o sempre perfeito Jim Broadbent é o rei Guilherme IV, um homem velho que luta para sobreviver e garantir que a sobrinha se torne rainha e não deixe que ninguém tente usurpar os direitos da jovem; Miranda Richardson fica com o papel mais inescrupuloso e odiado da trama, é a Duquesa de Kent, mãe de Vitória, uma mulher que já não tem mais o juízo perfeito e se deixa controlar pelo suposto amante, a genialidade da atuação de Richardson está justamente em jamais termos certeza de que lado ela está, ou seja, se realmente ama sua filha e quer o bem dela, ou se apenas está tentando se dar bem o tempo todo.


“A Jovem Rainha Vitória” era a crítica que faltava para completar as adaptações cinematográficas das quatro mulheres mais importantes para a história da Inglaterra, ao lado de “Elizabeth” (1998), com Cate Blanchett interpretando a Rainha Virgem, “A Rainha” (2006), com Helen Mirren no papel de Elizabeth II e “A Dama de Ferro” (2012), onde Meryl Streep da vida a premiê britânica Margareth Thatcher. Sendo assim, esse filme completa uma das coleções mais importantes no quesito cinebiografias, e deve-se deixar claro que cada um desses filmes não nos trás apenas a história de sua respectiva personagem central, mas o faz com qualidade e muita competência, sendo primordial destacar a firmeza de cada atriz ao dar vida a mulheres tão fascinantes.


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