quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

376. ENTREVISTA COM O VAMPIRO, de Neil Jordan

É impressionante como filmes sobre vampiros estão se perdendo de forma tão rápida, nesse vemos uma fidelidade rara ao que se considerou ser um vampiro durante incontáveis anos, e o vemos de forma muito bem realizada.
Nota: 9,0


          Título Original: Interview eith the Vampire: The Vampire Chronicle
          Direção: Neil Jordan
      Elenco: Brad Pitt, Tom Cruise, Antonio Banderas, John McConnell, Virginia McCollam, Thadie Newton, Kirsten Dunst, Helen McCrory
          Roteiro: Anne Rice (ela também escreveu o romance)
          Ano: 1994
          Duração: 123 min.
          Gênero: Drama/Fantasia

CONFIRA O TRAILER DO FILME:


          Já foram realizados centenas de projetos para abordar o tema de vampiros, alguns morrem com estacas, outros não, outros são vencidos por crucifixos, outros apenas se sentem desconfortáveis com o símbolo religioso, ainda existem aqueles que queimam até os ossos com a luz solar, outros resolveram inovar e brilham quando expostos à mesma luz. O fato é que todos são iguais em um sentido, se não necessitam exclusivamente de sangue humano para viver, eles o desejam desesperadamente.
          Aqui o Conde Drácula é um mito, a estaca, o alho e o crucifixo não ameaçam os vampiros, mas eles morrem com o sol, sofrem com o fogo, são loucos por sangue e difíceis de matar. Louis de Pointe Du Lac (Brad Pitt) é vampiro há 200 anos e, nos anos 1990, decide contar sua história para um jornalista: foi um proprietário de terras que, após perder a esposa e filha recém nascida, se entrega á depressão e acaba se rendendo a nova "vida" proposta pelo já vampiro Lestat de Lioncourt (Tom Cruise). Daí por diante Louis viverá uma vida regada á sangue e morte humana e animal até se conformar que o que ele realmente deseja são os seres humanos. Para que isso aconteça ele e Lestat acabam por "adotar" uma indefesa garota (Kristen Dunst, ainda bem novinha) e a transformam em uma vampira sedenta por humanos. É Louis quem narra o filme do começo ao fim expondo todos os desejos e dúvidas que teve durante todas suas vidas e morte.
          Neil Jordan não é bem o tipo integro na sociedade nos padrões considerados corretos, é diretor de poucos filmes, mas os que dirigiu tem um quê bastante excêntrico (é claro que esse não foge da regra, afinal é um filme sobre vampiros); recentemente dirigiu, roteirizou e produziu uma das séries mais polêmicas dos últimos anos, Os Bórgias (comentei sobre ela na crítica sobre o filme Casanova). Resumidamente a série trata sobre a nada controvérsia família que tinha como líder um papa que teve filhos, esposa, amantes e que reinou na Europa mandando e desmandando em todas as mentes católicas do mundo. Seus trabalhos, como um todo, não são espetaculares, o que deixa claro que ele não possui a genialidade de diretores como Martin Scorsese ou Alfred Hitchcock, mas Jordan não deixa a desejar e faz seu trabalho com competência e coragem. A trilha sonora não poderia ser melhor, composta por Elliot Goldentha (vencedor do Oscar em 2002 por "Frida") foi indicada ao Oscar em 1994, por sinal foi a única indicação ao prêmio ao lado da Direção de Arte de Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo, que ganharam o prêmio esse ano na mesma categoria por "A Invenção de Hugo Cabret". O filme venceu prêmios, na maioria técnicos em outras premiações como o BAFTA, e chegou a ganhar, desmerecidamente, o Framboesa de Ouro, por melhor casal para Pitt e Cruise.


          Aliás são eles que realmente me surpreendem nesse filme e o fazem valer a pena, é provavelmente a única atuação de Cruise decente e a uma, das várias, atuações sensacionais de Brad Pitt. Pelo primeiro não possuo simpatia alguma, acho ele muito exagerado e pouco flexivo, do tipo de ator que não passa segurança e tem sempre atuações muito parecidas. Pelo segundo confesso ter um certo carisma; Pitt não é nenhum James Stewart, mas gosto de seus trabalhos e ele sempre acaba conquistando minha admiração, especialmente em dois de seus últimos filmes: "O Curioso Caso de Benjamim Button" e "O Homem que Mudou o Jogo", pelos quais foi indicado ao Oscar. Ainda não tive a chance de assistir "O Clube da Luta", mas dizem que ele é incrível, Dunst com esse filme mostrou que tinha tudo para ser uma das melhores atrizes de sua época, é convincente do começo ao fim é se mostra a própria bonequinha amaldiçoada. Quem não é nem capaz de realizar um bom trabalho é Antonio Banderas, tudo bem que vindo dele não se pode esperar muito, mas aqui ele interpreta um vampiro com 400 anos, provavelmente o mais velho na Terra, e o faz muito mal para uma personagem tão rica.
          "Entrevista com o Vampiro" é aquele tipo de filme que nos deixa com vontade de assistir mais e mais vezes, ou melhor, nos dá vontade de que ele dure mais tempo para que a diversão e qualidade demorem a chegar ao fim, fim esse que surpreende por ser obvio e nos deixa animados com a possibilidade de que jamais se perca a verdadeira identidade dos filmes que retratam os vampiros de forma relativamente fiel e o fazem com tanta qualidade.


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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

377. CASANOVA, de Lasse Hallstrom

Não é nada bem feito, mas é divertidíssimo e merece ser visto pelas atuações e a ousadia.
Nota: 7,0


          Título Original: Casanova
          Direção: Lasse Hallstrom
          Elenco: Heath Ledger, Sienna Miller, Jeremy Irons, Oliver Platt, Lena Olin, Omid Djalili, Stephen Greif, Ken Stott, Helen McCrory
          Roteiro: Jeffrey Hatcher e Kimberly Simi
          Duração: 108 min.
          Ano: 2005
          Gênero: Comédia / Romance

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          Prazeroso, é assim que imaginamos um filme sobre o lendário conquistador Giacomo Casanova, esta adaptação de suas façanhas para o cinema não tem como propósito contar toda sua vila, ela é mais uma ficção sobre sue grande amor e como o “título” Casanova foi passado de geração em geração durante poucos séculos. Hallstrom não faz grande coisa nesse filme, mas ele convence bastante. A trilha foi composta por uma real lenda da música clássica (praticamente toda ela é de Vivaldi), sendo assim ela é animadora o tempo todo e totalmente propícia.
          No entanto nesse filme o que prevalece não é a ótima atuação de Heth Ledger (que, aliás, havia feito duas personagens totalmente diferentes no mesmo ano: o cawboy homossexual Ennis Del Mar no filme “O Segredo de Brokeback Mountain”, de Ang Lee; e o tímido Jacob Green em “Os Contos dos Irmãos Green” de Terry Gilliam), a trilha sonora conduzida por Alexander Desplat ou a belíssima visão que Veneza nos proporciona, o que realmente marca é a forma crítica com que o filme trata a Igreja Católica. Na época quem governava a Itália toda era, o que o filme deixa bem claro, o Papa, portanto qualquer tipo de heresia ou perversidade era julgada como e crime e a punição era apenas uma: a morte. E é nesse contexto que temos o sempre incrível Jeremy Irons, eu o conheci pelo filme “A Casa dos Espíritos” que ele fez ao lado de Meryl Streep, Gleen Close e Winona Rider, dirigidos por Billi August, e fiquei simplesmente apaixonado; recentemente ele fez sucesso (mas foi apagado rapidamente) com a série “The Bórgias” (que por sinal assisti a poucos dias atrás e é simplesmente maravilhosa) onde ele interpreta Rodrigo Bórgia, o Papa que assumiu o cargo graças a assassinatos e subornos, teve esposa, filhos (supostamente adúlteros por sinal) e amantes. Neste filme cabe a ele a maior parte quanto a ironizar os feitos da Igreja naquela época na pele do Bisbo Pucci, que é selecionado pelo próprio Papa para caçar este infame “fornicador”.
          O filme pode não ser nem algo bom quanto a sua parte técnica, e realmente é algo muito mal feito e ilusionista demais, mas é agradável para aqueles dias em que não se tem nada para fazer e se resolve assistir a um filme para esparecer um pouco ou após um filme que exija demais sua concentração. Em suma tecnicamente é um verdadeiro lixo, mas possui interpretações intrigantes e maravilhosas, e, francamente, todos já quiseram ter ou ser Casanova, em fim, é impossível não encantar e se apaixonar por Casanova.
          O filme ganhou apenas dois prêmios: Crítica de Ohio para Ledger e Sindicato dos Editores de Som.



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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

378. TRANSFORMERS - O LADO OCULTO DA LUA, de Michael Bay.

É eletrizante ao mesmo tempo em que é enrolado e chato ao extremo, mas vale a pena pelos efeitos visuais e sonoros.
Nota: 7,8


          Título Original: Transformers: Dark of the Moon
          Direção: Michael Bay
        Elenco: Shia LaBeouf, Josh Duhamel, John Malkovich, Rosie Huntington-Whiteley, Ken Jeong, Patrick Dempsey, Tyrese Gibson, Alan Tudyk.
          Produção: Ian Bryce, Tom DeSanto, Lorenzo di Bonaventura, Don Murphy
          Roteiro: Ehren Kruger
          Duração: 154 min.
          Ano: 2011
          Gênero: Ação

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          Ficção científica não é bem meu gênero preferido de filmes, portanto não é tão fácil gostar de filmes desse estilo quando não dirigidos por Spielberg ou Kubrick. Para aqueles que não assistiram aos dois primeiros filmes dessa trilogia será difícil compreender e gostar de todo ele. Estou nesse grupo de pessoas. Bem, o filme trata de uma revolta de alguns robôs e da frustração de Sam Witwicky por não conseguir emprego e viver pressionado pelos pais e pela namorada. É bem simples entender que alguns desse seres extraterrestres ficarão ao lado dos seres humanos, bem como alguns dos seres humanos irão preferir ficar ao lado dos revoltados.
          Não se pode dizer que o trabalho de Michael Bay seja ruim, porque dirigir um filme que precisa de tanto cuidado por possuir tantos detalhes técnicos não é para qualquer um, mas seu trabalho não é grandioso como o de Cameron em "Avatar", de 2009. As atuações sim, essas são péssimas, não há outra palavra para descrevê-las, logo vou parar por aqui. A trilha sonora é mediana e típica de filmes adaptados de quadrinhos de ação. O que realmente chama a atenção é a técnica que envolve esse filme, é claro que podemos encontrar defeitos durante toda a trama, mas eles são totalmente relevantes. As cenas de ação (que por sinal ocorrem em quase todo o filme) são praticamente impecáveis (é claro tirando as atuações), podemos perceber cada movimento enquanto os carros se transformam e como eles se movem após as transformações durante as lutas que se enrolam durante todo o tempo.
          Talvez seja nesse ponto que o filme peca, é cansativo, demorado e enrolado. As cenas são longas e o desfecho, que será obvio, nunca chega. Podemos concluir, portanto, que Transformes: O Lado Oculto da Lua não é nada fantástico, mas é bem feito e devemos reconhecer que poucos filmes possuem tanta técnica visual e sonora sem utilizar o 3D (o filme foi gravado em terceira dimensão, mas eu assisti em dvd normal).
          
          O filme foi indicado, merecidamente, a três categorias puramente têcnicas no Oscar 2012, perdeu todas para "A Invenção de Hugo Cabret":
          Melhor Mixagem de Som: Ethan Van der Ryn e Erik Aadahl 
          Melhor Edição de Som: Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Peter J. Devlin 
          Melhor Efeitos Especias: Scott Farrar, Scott Benza, Matthew E. Butler e John Frazier.


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379. A INVENÇÃO DE HUGO CABRET, de Martin Scorsese.

Apenas um gênio conseguiria demonstrar o valor do amor, da amizade e dos propositos da vida de forma tão fantástica e ainda homenagear a criação e a evolução do cinema de forma tão perfeita.
Nota: DEZ






          Título Original: Hugo
          Direção: Martin Scorsese
       Elenco: Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen, Asa Butterfield, Chloë Grace Moretz, Ray Winstone, Emily Mortimer, Christopher Lee, Helen McCrory, Michael Stuhlbarg, Frances de la Tour
          Produção: Johnny Depp, Tim Headington, Graham King, Martin Scorsese
          Roteiro: John Logan
          Duração: 126 min.
          Ano: 2011
          Gênero: Aventura / Drama

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          Hugo e o pai são companheiros de uma vida, até que o menino se vê sem saber o que fazer quando o pai morre e o tio o leva para uma estação de trem onde ele terá que cuidar dos relógios. Desesperado o garoto se agarra a única coisa que o faz lembrar do pai e de seus bons momentos juntos: um autômoto (uma espécie de robô humano). A partir daí o menino se entregará as mais inimagináveis aventuras para consertar o objeto e tentar descobrir o que envolve o mistério de sua criação. Em meio a tudo isso veremos um interceptor que insiste em apanhar órfãos e entregá-los aos orfanatos, a senhora dona de um café e seu pretendente, a dona de uma floricultura e o proprietário de uma livraria/biblioteca. No entanto as surpresas não acabam por aí, Hugo também encontrará um dos maiores ídolos da história, um precursor no que se acredita ser o cinema, alguém que mudará sua vida para sempre. Revelar sua identidade seria um desacato a todos aqueles que desejam ver o filme, portanto irei parar por aqui fazendo uma ressalva: Ben Kingsley foi pouco ovacionado esse ano por uma atuação digna de todos os prêmios coadjuvantes possíveis no cinema.


          Scorsese tem dedicado os últimos anos de sua vida à restauração de filmes há muito perdidos no tempo e espaço de nossas gerações, aqui ele recria boa parte de todas as descobertas que o fizeram se tornar o maior cineasta de sua geração por um simples fato: ele é simples quando se deve ser simples, agressivo quando se exige agressividade, moderado quando se pede moderação, violento quando retrata a verdade violenta da vida, e faz tudo isso com a perfeição de um mestre em sua arte. Digo "sua arte" por que foi exatamente isso que ele criou: sua própria forma de fazer filmes, claro que ele não é nem de longe um dos primeiros cineastas da história, mas podemos considerá-lo precursor de muitas técnicas que não existiam antes das décadas de 60 e 70. Scorsese, Coppola, Spielberg são três grandes nomes do que no futuro viriam a ser a era drogas, rock e qualidade do cinema contemporâneo. Scorsese optou por fazer um filme 3D, e provavelmente ele mostra o que deve ser encarado como 3D, afinal assistir a "Hugo" sem ser em terceira dimensão já é algo inexplicável, imagina-se que ter toda essa magia mais perto de cada um de nós seja algo insuperável nas mãos dessa lenda. Sequências como os pesadelos do jovem Hugo, as lembranças do grande ídolo, as escapulidas do órfão do inspetor da estação de trem, a cena em que o autômoto faz sua parte na história entre tantas outras jamais serão esquecidadas por aqueles que as virem.



          Ao lado desse ícone tão adorado temos grande nomes que o auxiliam na criação do figurino simples e cheio de presença feito por Sandy Powell (a qual já trabalhou mais vezes com Scorsese), a edição magnífica de uma equipe técnica escolhida a dedo pelo diretor, bem como aqueles que editam o som ou escolhem a fotografia, a trilha sonora delicadamente composta pelo também mestre Howard Shore que nos delicia com músicas bem ao estilo parisiense e merecia ganhar o Oscar por combinar tão bem seu trabalho com o do amigo Scorsese. Se o que surpreende em "O Artista" é a falta de cor não deixar o filme chato, aqui o que surpreende é o excesso de cor compor uma imagem tão perfeitamente planejada e nos fazer sonhar e imaginar a cada passo que o jovem Hugo dá no caminho de sua felicidade. Além dessa equipe técnica fantástica conta-se ainda com uma equipe de atores de tirar o fôlego que ou se entregam facilmente a esta trama adorável ou se deixam levar pelo talendo do diretor em tirar o máximo de seus atores.

          Se Martim Scorsese quis realizar esse filme a pedido de sua pequena filha, devemos a essa menina um dos filmes mais incríveis dos últimos anos, já se disse muito sobre o fato de os filmes desse ano não serem tão bons, mas encontrar a qualidade que se encontra em "a Invenção de Hugo Cabret" não é para qualquer um, talvez devemos isso a bela Paris que se empresta para ser o plano de fundo, ou a estação de trem tão bem arquitetada, ou os cafés e croissants consumidos pelas personagens, ou as músicas que levam o filme ao extremo do que se pode pensar ser magnífico, o fato é que não importa se é um filme sobre política, assassinos, órfãos, contrabandistas, chefes de máfias ou o que for, sendo Scorsese, jamais será decepcionante.
          

          As onze merecidíssimas indicações ao Oscar:
          Melhor Filme: Johnny Depp, Tim Headington, Graham King, Martin Scorsese
          Melhor Direção: Martin Scorsese
          Melhor Roteiro Adaptado: John Logan
          Melhor Trilha Sonora: Howard Shore
          Melhor Direção de Arte: Dante Ferreti e Francesca Lo Schiavo
          Melhor Montagem: Thelma Schoommaker
          Melhor Efeitos Visuais: Robert Legato, Joss Williams, Ben Grossmann e Alex Henning
          Melhor Edição de Som: Philip Stockton e Eugene Gearty
          Melhor Mixagem de Som: Tom Fleischman e John Midgley
          Melhor Figurino: Sandy Powel
          Melhor Fotografia: Robert Richardson



ESPECIAL: "O Artista" e "A Invenção de Hugo Cabret" vencem cinco prêmios cada e Meryl Streep leva o prêmio de Melhor Atriz após quase 30 anos.


   Para compensar o fim de semana sem ter publicado nada eis aqui a lista dos vencedores do Academy Awards, o Oscar. O filme "O Artista", mudo e preto e branco, se consagra e é eleito o melhor filme do ano, ao lado do filme de Martin Scosese, "A Invenção de Hugo Cabret", é o maior vencedor da noite com cinco prêmios. Além desses dois curiosamente apenas mais um filme levou mais de um prêmio, "A Dama de Ferro" venceu nas categorias de maquiagem e atriz para a incrível Meryl Streep. 




    A última vez que ela levou um Oscar para casa foi em 1983 por "A Escolha de Sofia", além desse também venceu na categoria de atriz coadjuvante por "Kramer vs. Kramer" em 1979. A atriz mal acreditou em sua vitória e comemorou ao lado do marido Dom Gummer e do vencedor da mesma categoria, só que masculina, Jean Dujardin. Streep havia ganhado o Globo de Ouro e o BAFTA, já Dujardin ganhou também o prêmio do Sindicato dos Atores. Michel Hazanavicius venceu Scorsese na categoria de melhor direção, mas ambos os filmes dos diretores perderam nas categorias de Roteiro Original e Reteiro Adaptado, respectivamente.


Confira a lista dos premiados:
Melhor Filme: O Artista
Melhor Atriz: Meryl Streep, por A Dama de Ferro
Melhor Ator: Jean Dujardin, por O Artista
Melhor Atriz Coadjuvante:Octavia Spencer, por Histórias Cruzadas
Melhor Ator Coadjuvante: Christopher Plummer, por Toda Forma de Amor
Melhor Diretor: Michel Hazanavicius, por O Artista
Melhor Edição: Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres
Melhor Documentário: Undefeated
Melhor Documentário em Curta-Metragem: Saving Face
Melhor Animação: Rango
Melhor Trilha Sonora: O Artista
Melhor Canção Original: Man or Muppet, de Os Muppets (Bret McKenzie)
Melhor Roteiro Original: Meia-noite em Paris
Melhor Roteiro Adaptado: Os Descendentes
Melhor Som: A Invenção de Hugo Cabret
Melhor Edição de Som: A Invenção de Hugo Cabret
Melhores Efeitos Visuais: A Invenção de Hugo Cabret
Melhor Curta-Metragem de Animação: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore
Melhor Curta-Metragem: The Shore
Melhor Filme Estrangeiro: A Separação
Melhor Maquiagem: A Dama de Ferro
Melhor Figurino: O Artista
Melhor Direção de Arte: A Invenção de Hugo Cabret
Melhor Fotografia: A Invenção de Hugo Cabret



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380. PLANETA DO MACACOS: A ORIGEM, de Rupert Wyatt

Explicar a origem de um fenômeno mundial não é para qualquer um. Mas é isso o que esse filme se propõe a fazer, e o faz de forma clara e objetiva, mas falta-lhe enredo.
8,9


          Título Original: Rise of the Planet of the Apes
          Direção: Rupert Wyatt
          Elenco: James Franco , Tom Felton, Freida Pinto, Andy Serkis, Brian Cox, John Lithgow, Tyler Labine, David Hewlett, Sonja Bennett , Jamie Harris, Leah Gibson,David Oyelowo.
          Produção: Peter Chernin, Dylan Clark, Rick Jaffa, Amanda Silver
          Roteiro: Rick Jaffa, Amanda Silver, baseado no romance de Pierre Boulle
          Duração: 106 min.
          Ano: 2011
          Gênero: Ficção Científica

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          Desde as proposições de que o homem descende dos macacos dezenas de teorias vem sendo propostas a cerca disso, incluindo a que diz que um dia os macacos evoluirão psicologicamente a ponto de dominar o planeta Terra. Muitos filmes e livros foram criados para abordar essa última hipótese, Planeta dos Macacos: A Origem traz a inovação quando resolve mostrar o cerne de tudo aquilo que vimos. Tentando criar uma espécie de remédio para o Alzheimer um cientista interfere no gene de uma macaca que acaba tendo um filhote acidentalmente geneticamente modificado, daí por diante esse filhote será criado pelo cientista e se desenvolverá de forma descontrolada.
          O filme é bem conduzido por Rupert Wyatt, temos belas cenas da cidade onde o macaco vive, uma das pontes características da cidade se revela um dos mais belos cenários para uma sequência de perseguição entre macacos e seres humanos fantástica. Patrick Doyle é quem compõe uma boa trilha sonora, apesar de previsível e pobre diante de tal técnica utilizada com maestria pelo diretor e pelos efeitos especias magníficos (que por sinal rendeu a única indicação do filme ao Oscar na categoria de Melhor Efeitos Visuais para Joe Letteri, Dan Lemmon, R. Christopher White, Daniel Barrett , os quais não possuem chance alguma de vencer.)
         Tal técnica (captura de movimentos) traz um dos maiores comentários do cinema no ano: Andy Serkins (quem "interpreta" o macaco) merecia ou não ser considerado por sua atuação e receber indicações em prêmios como Globo de Ouro e Oscar? Mesmo que merecesse esse ano temos atuações muito boas para ele entrar na dança, apesar de ele se transformar no animal por completo. Serkins foi quem interpretou (recorrendo-se a mesma técnica) o monstruoso Gollum/Smeagol de O Senhor Dos Aneis, devemos lembrar que no último filme da trilogia Gollum arranca o dedo da personagem principal por querer um anel, nesse filme Serkins faz uma cena muito parecida que se torna ridícula se retomarmos seu histórico. O restante do elenco é um bom elenco, James Franco não faz papel de cientista louco ou excluido socialmente por ser um desses nerd's insuportáveis, sua atuação não chama a atenção, mas ele a faz muito bem ao lado de sua companheira de cena Freida Pinto de "Quem Quer ser um Milionário", de 2008, que aqui está bem mais madura e flexivel.
          Planeta dos Macacos: A Origem não precisa de muito para ser um filme interessante, mas poderia ter ousado um pouco mais mostrando os macacos dominando o mundo de forma a se tornarem mais espertos e violentos, o filme dura apenas uma hora e quarenta minutos, esse é o tipo de filme (ao contrário de Transformers 3) que poderia durar até duas horas e meia sem cair na mesmice, e ai sim se tornar um dos melhores filmes do ano, o que só não aconteceu por receio da produção em torná-lo algo muito grande. Resta-nos esperar e torcer para que resolvam realizar uma sequência em que realmente os nosso planeta se torne dos macacos.




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381. TÃO FORTE TÃO PERTO, de Stephen Daldry

Nem um filme explora o 11 de Setembro de forma tão bela quanto esse, que resolve mostrar apenas aqueles que ficam e deixa de lado o sofrimento de quem estava nos prédios.
Nota: 9,2



          Título Original: Extremely Loud and Incredibly Close 
          Diretor: Stephen Daldry
       Elenco: Tom Hanks, Sandra Bullock, John Goodman, Max von Sydow, James Gandolfini, Jeffrey Wright, Thomas Horn, Adrian Martinez, Zoe Caldwell, Gina Varvaro
          Produção: Scott Rudin
          Roteiro: Eric Roth
          Duração: 129 min.
          Ano: 2011
          Gênero: Drama

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          Oskar Schel vive uma vida feliz e tranquila ao lado do pai e da mãe. Ele e o pai são melhores amigos e não se desgrudam em momento algum, principalmente quando o pai lhe propoe desafios lógicos, eis que em meio a um desses desafios (encontrar o sexto município de Nova York) o menino se ve deolado com a morte do pai no desastre das Torres Gêmeas. O garoto e a mãe não possuem uma relação tão afetiva quanto ele e o pai em momento algum da vida, portanto a vida dos dois dá uma reviravolta tremenda quando o menino encontra uma chave na armário do pai e, com a ajuda do inquilino mudo de sua avó, resolve descobrir o que que ela abre.
          O filme se torna uma aventura moderna, mas jamais perde o drama da perda de entes que atingiu todo o mundo em 2001. Diretor de um dos melhores filmes contemporâneos, As Horas, Stephen Daldry faz aqui algo bem menos digno de ovação do que fez em 2002, mas isso não significa que o filme seja ruim, muito pelo contrário, filmes como "Cavalo de Guerra" e "Histórias Cruzadas" não merecim ser comparados a este ao serem indicados ao Oscar de melhor filme, pior receberem mais indicações que ele. Nico Muhly compõe uma trilha sonora divertida e impactante e a fotografia do filme é de longe uma das melhores do ano.
          

Sandra Bullock nunca esteve tão bela e tão talentosa, o equivoco de darem a ela o Oscar de melhor atriz em 2009 pela sua atuação simplória em "Um Sonho Possível" impediu que ela fosse lembrada por essa sua atuação que, apesar de simples, é maravilhosa. Tom Hanks não faz nada aqui além de levar seu personagem até a morte, talvez por que Thomas Schelds seja bem menos interessante que personagens como Forrest Gamp. Thomas Horn se entrega tanto para interpretar o menino Oskar que até nos esquecemos que aquilo é apenas uma personagem, mas seu companhairo de cena é quem rouba todas as atenções. Max von Sydow é o inquilino enigmático que ajuda o menino em sua busca, e o faz tão bem que as vezes nos perguntamos se ele não merecia mais o Oscar do que Christopher Plummer.
          Contar tragédias sempre foi algo complicado, alguns apelaram para a comédia negra para amenizá-la, outros preferiram mostrar o que realmente aconteceu, esse filme resolve mostar como é difícil para uma criança (e é ai que está a novidade, vemos tudo pelos olhos de uma criança, e não de um adulto) perder o pai, ou pior, ouvir a últimas palavras daquele que foi seu pai, amigo, irmão e modelo masculino. Tão Forte e Tão Perto merecia mais do que lhe foi dado até agora pelo simples fato de contar algo novo com tanta confiaça que nos faz perguntar se realmente não seria melhor viver o surreal para fugir das complicações da vida.
          As indicações ao Oscar são:
          Melhor Filme: Scott Rudin
          Melhor Ator Coadjuvante: Max Von Sydow


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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

382. TODA FORMA DE AMOR, de Mike Mills

As relações no mundo são complexas, mas necessárias, e é nesse contexto que Christopher Plummer é o favortito entre os coadjuvantes nesse ano.
Nota: 8,3






          Título Original: Beginners
          Diretor: Mike Mills
          Elenco: Ewan McGregor, Christopher Plummer, Mélanie Laurent, Goran Visnjic, Kai Lennox, Mary Page Keller, Keegan Boos, China Shavers, Melissa Tang, Amanda Payton
           Produção: Miranda de Pencier, Lars Knudsen, Leslie Urdang, Jay Van Hoy, Dean Vanech
           Roteiro: Mike Mills
           Duração: 105 min.
           Ano: 2010
           Gênero: Comédia Dramática

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          Na vida é precisos que o ser humano leve alguns choques de realidade para viver de verdade e dar valor a nossa existência na Terra, para alguns isso acontece aos vinte, para outros aos trinta, cinquenta, setenta, noventa, ou morre-se sem saber como é possuir sentimentos reais. É disso que esse filme trata, a personagem principal, Oliver Field (Ewan McGregor) precisa conviver com os fatos de a mãe ter morrido e o pai, com 75 anos de idade revelar que foi homossexual a vida toda, para viver sua propria vida e tentar ser feliz da melhor foma possivel.
           Mike Mills não faz nada de muito interessante em sua direção para este filme, é correto do começo ao fim e não há cenas em que nos faça pensar "que m... é essa?". A ediçaõ do filme também é correta, mas o que impressiona é a trilha sonora do trio Roger Neill, Dave Palmer, Brian Reitzell, bem como em "Rango" (mas tão tão bem quanto Hans Zimmer), todas as múscas demonstram a depressão ou a alegria de todas as personagens do filme, o estilo retrô delas nos remete sempre a pensar que todo as dúvias e problemas de Oliver vieram de sua infância nos anos 60 e 70.


            Ewan McGregor tem potencial, vezes para ser péssimo, vezes para ser bom, aqui ele interpreta uma personagem melancólica que volta a dar valor a vida após conhecer um verdadeiro amor, e se questiona se vale a pena largar tudo aquilo em que acreditou ser o casamento durante seus 38 anos de idade para embarcar em algo totalmente incerto, e o faz muito bem. Mas aqui não é McGregor, ou a direção, ou a edição, a trilha ou qualquer outra coisa que chama a atenção, é a maestria com a qual Christopher Plummer vive o pai de Oliver, Plummer sabe que esse filme é sobre a vida da personagem do filho, e não se sobresai a ele em cena alguma, é simples e divertido, e provavelmente está aí o maior trunfo de Plummer, ele sabe o que fazer sempre, e o faz com a grandeza dignida de um rei.
          Toda Forma de Amor trata disso, apesar de o nome original ser "Bigenners", as várias formas de amor, entre pai e filho, mãe e filho, marido e esposa, homem e mulher, homem e homem, homem e animal, enfim, sobre como as relações entre um ser humano e o restante do universo são complexas, mas são essas as relações que mantém a vida como ela é e nos levam a felicidade ou ao desespero da tristeza.
          E é toda essa perfeição de Plummer que indicou o filme a diversos prêmios de Melhor Atuação Coadjuvante, incluindo o Oscar. Ele já levou o Globo de Ouro, o SAG, o BAFTA e outros, o maior prêmio de cinema do mundo já é dele, basta ele comparecer à cerimônia e pegá-lo.


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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

383. RANGO, de Gore Verbinski

É complicado dizer se existe alguma animação feita para crianças, essa é tão complexa e impecável em seus detalhes que será difícil e reflexiva até para os mais velhos.
Nota: 9,8



Título Original: Rango
Diretor: Gore Verbinski
Elenco (vozes) Johnny Depp, Abigail Breslin, Bill Nighy, Isla Fisher, Claudia Black, Alanna Ubach, Stephen Root, Gil Birmingham, Beth Grant, Kym Whitley, Ian Abercrombie, Maile Flanagan, John Cothran Jr., Hemky Madera, Jordi Caballero.
Produção: John B. Carls, Graham King, Gore Verbinski
Roteiro: James Ward Byrkit , John Logan, Gore Verbinski
Ano: 2011
Gênero: Animação / Drama / Comédia

CONFIRA O TRAILER DO FILME:

Rango é um camaleão, isso é um fato, no entanto se seu nome é realmente Rango não se sabe. Durante uma viajem com sua família humana ele se perde no meio de um deserto nos EUA e agora terá de se virar para sobreviver, como se não bastasse, o camaleão metido a ator vê a chance para provar que é um verdadeiro Clark Gable quando o confundem com um herói em um vilarejo na meio do nada que sofre com a suposta escassez de água.
Gore Verbinski é um homem que não decepciona em momento algum, já dirigiu os três primeiros filmes da franquia Piratas do Caribe, onde trabalhou com Depp e, apesar de o quarto filme ser o melhor de todos, foi ele quem estabeleceu a grandeza de Jack Sparrow ao lado de Johnny Depp. Em Rango ele ainda trabalha na composição de algumas músicas da trilha sonora, produz e roteiriza. Ao seu lado no roteiro não está nem um amador, John Logan, indicado ao Oscar esse ano pelo roteiro de A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese, já esteve lá com O Aviador (também de Scorsese) em 2005 e Gladiador em 2001, além desses também trabalhou em O Último Samurai, Sinbad e Sweeney Todd (também com Depp). A trilha sonora brilha em uma mistura de western e a influência mexicana nos EUA e torna o filme o mais melancólico possível para demonstrar o sofrimento que a personagem principal sente sem saber quem realmente ela é, para finalizar o comentário, ela é composta por Hans Zimmer e, só por isso já deveria valer a pena assistir ao filme.



O fato é que não é somente por Zimmer que se deve assistir a esse filme, ele é maravilhoso, Depp interpreta (por que sim, dublar é interpretar) com tanta classe que nem lembramos que ele também é Todd ou Sparrow, apenas queremos ouvi-lo sendo Rango. As escolhas de cenas do filme também não perdem em nada e são impagáveis os momentos em que o grupo de corujas cantoras aparece e transforma a vida do réptil em uma ópera são uma carta na manga.
Não se sabe o porquê de esse filme ser tão fantástico, talvez seja a magia do cinema, a referência aos faroestes de décadas atrás, as personagens e acontecimentos semelhantes ao nosso dia-a-dia ou o fato de não sabermos realmente se o desfecho é realizado por Rango ou qualquer outra personagem do camaleão, apenas podemos ter a certeza de que a vida é repleta de questionamentos (os quais estão sendo bem representados esse ano no cinema) como o que está acontecendo com o mundo, o que acontecerá com nossas vidas, o que fazemos aqui, por que estamos aqui e para onde vamos, todas essas perguntas podem ser respondidas durante a nossa existência ou após ela, mas será que um dia cada um de nós terá a resposta para a pergunta mais evidente desde que nascemos “Quem eu sou?”?
A indicação ao Oscar limita-se a Melhor Filme de Animação, o prêmio é praticamente dele, apesar de ter perdido o Globo de Ouro para Tintin, venceu o Annie Awards na categoria principal abatendo todos os indicados ao Oscar nessa categoria e mais um pouco, levou o BAFTA de animação e, para completar, levou vários prêmios da Associação de Efeitos Especiais, incluindo melhor personagem para Rango.



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