segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

150. (ESPECIAL OSCAR 2013) O HOBBIT – UMA JORNADA INESPERADA, de Peter Jackson

Poderia ser melhor, mas não chega a decepcionar, afinal, voltar à Terra Média é sempre uma boa idéia.
Nota: 9,7


Título Original: The Hobbit – An Unexpected Journey
Direção: Peter Jackson
Elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Ken Stott, Graham McTavish, William  Kircher, James Nesbitt, Stephen Hunter, Dean O’Gorman, Aidan Turner, John Callen, Peter Hambledon, Jed Brophy, Mark Hadlow, Adam Brown, Cate Blanchett, Hugo Weaving, Christopher Lee, Elijah Wood, Iam Holm, Sylvester McCoy, Jafrey Thomas, Andy Serkis
Produção: Carolynne Cunningham, Peter Jackson, Fran Walsh, Zane Weiner
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson, Guillermo del Toro e J. R. R Tolkien (romance)
Ano: 2012
Duração: 169 min.
Gênero: Drama / Aventura / Fantasia

O jovem hobbit Bilbo Bolseiro vive em paz em sua casinha no Contado – uma espécie de vila onde vemos apenas “hobbitesses” felizes, muito verde e muita paz. Sem mais nem menos, eis que o pequeno recebe a visita do querido Mago Gandalf, o Cinzento, sem muito dizer o Mago vai embora e deixa Bilbo confuso sem saber o que fazer. De repente, ao cair da noite, sem convite algum – o que só pode ser uma afronta – anões começam a entrar na casa de Bilbo; ao todo eles são treze – mais Gandalf – eles comem da comida de Bilbo, bebem de sua bebida, usam sua louça e o convidam – melhor, intimam – para uma viajem que tomará de volta todo o ouro, glória e reino dos anões, o único problema é que essa tarefa exige a eliminação de um pequeno ser voador e cuspidor de fogo, um Dragão. Apesar de excitar um pouco, é claro que o pequeno Hobbit aceita e se verá em uma jornada totalmente inesperada, e hilária.


A intenção do mestre Tolkien ao escrever o livro “O Hobbit” era apresentar aos fãs a verdadeira personalidade dos pequenos, a obra foi lançada em 1937 e logo foi aclamada por público e crítica, recebendo prêmios e tornando-se um clássico da literatura infantil – a linguagem utilizada é simples, contrariando o que vemos na trilogia “O Senhor dos Anéis”, fugindo daquele estilo característico em que tudo é tão bem caracterizado que quase nos perdemos na história. A adaptação, entretanto, não é tão infantil ou amena. Bilbo é, primeiramente, mostrado como um Hobbit sem muita emoção ou vontade de viver aventuras – exatamente como sempre imaginamos que eles fossem, pois reparamos a sua vida tranqüila e em paz -; posteriormente, ao aceitar a proposta de entrar na aventura com os anões e Gandalf, o pequeno se torna alguém destemido, forte e, até, audacioso, representando como os Hobbits podem ser inesperados. Para compreender melhor a história, entretanto, é bom já ir preparado para o cinema sabendo que o que move os anões a ir até o Dragão Smaug e tentar reivindicar o tesouro que ele guarda é o fato de todo esse ouro ter pertencido aos próprios anões, sendo que o líder do grupo é liderado por Thorin, filho de Thráin, neto de Thrór e herdeiro do trono de Durin, o local invadido pelo Dragão – a fera roubou tudo o que pertencia aos anões, afinal, esses animais são conhecidos pela fúria e pela luxúria pelo ouro. Quando Thorin ouve rumores de que Smaug está morto, ele chama os outros anões para atacar o animal e tomar tudo o que é seu de volta. Quando foi dito que Peter Jackson dirigiria a adaptação, logo me animei e esperei durante os últimos anos como se estivesse esperando por um momento épico do cinema. Apesar de o filme não ser tal evento e se reter em momentos inúteis e que enrolam de forma inacreditável, conferimos a mesma técnica perfeita de Jackson que vimos na trilogia “O Senhor dos Anéis” – senão melhor – e o filme não é nada chato como algumas pessoas vêm dizendo. Devo confessar que existem momentos em que a monotonia permanece tão constante que até pude ir ao banheiro durante a sessão no cinema – compreensível, afinal, o livro tem poucas páginas para ser adaptado para três filmes (essa tal idéia de serem feitos três filmes é que é inaceitável) –, mas é nesse momento que vemos a paixão de Jackson, pois parece que ele não quer mais se desgarrar da Idade Média, e acaba se perdendo em uma ou outra cena absolutamente desnecessária.
Para falar sobre cada atuação é essencial lembrar alguns anões, além de algumas outras personagens cruciais para a história. Sendo assim, são necessárias algumas divisões no elenco:
Os Hobbits: Bilbo Bolseiro é interpretado por Martin Freeman (vale lembrar a participação ótima de Iam Holm na primeira cena da personagem). Freeman nos trás a perfeição do que imaginamos ser o povo britânico: conservador, organizado e que odeia surpresas – no caso, visitas sem avisar. Além disso, ele consegue incorporar de forma tão incrível a personagem que parece que estamos, realmente, diante daquele Bilbo que lemos no livro. Além dele, Elijah Wood volta como o sobrinho de Bilbo, Frodo Bolseiro, apesar de aparecer pouco, o ator volta na personagem como aquele Frodo que vimos no início da série, pouco maduro e muito feliz.


Os Magos: Gandalf, o Cinzento, volta a ser interpretado pelo majestoso Ian McKellen, que nos proporciona os momentos mais inteligentes e engraçados da trama. Bem como foi feito na Trilogia, é tarefa dele liderar de forma racional essa trupe atrapalhada, além da personagem cumprir com seu papel, McKellen cumpre com o seu ao nos trazer ora o Gandalf sério, ora o Gandalf divertido. Além dele, Christopher Lee também encara novamente Saruman, o Branco, outra grande atuação que merece destaque por nos trazer uma ponta do que Saruman faria sessenta anos depois (sim, ele já estava mancomunado com forças do mal que acabariam com a Terra Média durante a aventura de Frodo). Radagast, o Marrom (um mago bem natural que é citado apenas uma vez nos livros) é encarado por Sylvester McCory, em uma das atuações mais vivas e bem vindas do filme.


Os Elfos: Novamente temos Hugo Weaving como o Senhor de Valfenda, Elrond, um dos Elfos mais importantes de toda a história, além de uma das personagens mais poderosas da obra; Weaving está mais sereno e bem menos preocupado com o mundo, mas ainda sim é sério e mantêm o equilíbrio em qualquer momento. Ao seu lado, está a sempre maravilhosa Cate Blanchett, também de volta a série, como Galadriel, definitivamente a personagem mais serena de todo o universo de Tolkien, mas também poderosa, temida e respeitada, ela já estava na história quando o Um Anel foi criado, e outros anéis foram distribuídos para os seres mais importantes da Terra (ela, inclusive, recebeu um dos três dados aos Elfos). Devo destacar a segunda cena mais perfeita do filme, onde Elrond, Galadriel, Gandalf e Saruman conversam sobre as pretensões dos anões, se existe uma cena que merece respeito pelas atuações no ano de 2012, essa é uma delas.


Os Anões: Para falar sobre esses pequenos, vou apenas destacar alguns deles
Thorin, Escudo de Carvalho (o nome se deve ao escudo que usa há décadas: um pedaço de carvalho) é interpretado por Richard Armitage, já li sobre como o ator não é capaz de se igualar ao que Viggo Mortensen fez ao encarar o enigmático Aragorn na Trilogia, para mim, Armitage realiza um trabalho diferente, conseguindo ser mais natural que Mortensen e se tornando um personagem original e único, além disso, é forte, destemido e bem inteligente para um anão, mas podemos conferir sua audácia por sentir o sangue real correndo por suas veias.


O velho Balin é vivido por Ken Stott, o personagem por si só já é algo único, pois ele é um dos únicos que viveu tudo o que o próprio Thorin viveu, e Stott nos trás um velhinho que ainda tem muito a mostrar e não desistirá tão fácil, até porque, quando um anão entra em uma aventura, ele a tornará épica.


Os inseparáveis Fili e Kili são interpretados, respectivamente, por Dean Gorman e Aidan Turner, apesar de as personagens serem jovens demais (para dois anões) e eles darem alguns foras, através dos atores, fica claro que eles desejam mesmo é estar nessa aventura, custe o que custar, e eles podemos ter certeza de uma coisa sobre a aventura: eles aproveitarão ao máximo.


Ao viver Gloin, Peter Hambleton nos trás mais um anão engraçado e divertido (ele me lembra muito a interpretação de John Rhys-Davies na Trilogia, onde viveu o também anão Gimli). Apesar das semelhanças, Hambleton nos trás mais um personagem original e cheio de novidades.


Graham McTavish vive o anão Dwalin, que merece destaque por ser um personagem que mistura as duas principais características dos anões: o bom humor e o mau humor. Sim, podemos dizer que essas são duas características primordiais para a formação de um anão, mas sempre alguma delas prevalece – a exemplo, Thorin (o mau humor) e Gloin (o bom humor). Dwalin é um intermédio entre eles, um anão sério, mas que não perde a oportunidade de uma piada.


No restante dos anões, temos: Jed Brophy (Nori), Adam Brown (Ori), Mark Hadlow (Dori), 


John Callen (Oin), Stephen Hunter (Bombur), James Nesbitt (Bofur) e William Kircher (Bifur).


O Gollun: Por fim, não se pode deixar de falar do personagem gráfico mais incrível do cinema. Vivido por Andy Serkins em uma atuação cheia de detalhes, ele continua sendo um dos personagens mais incríveis que já li, e aqui, ele se torna mais digno de pena que nunca. E é ele que protagoniza, ao lado de Bilbo, a melhor cena desse filme (e uma das melhores cenas do ano) onde os dois jogam a vida do Hobbit em uma brincadeira de adivinhações. O mais incrível é lembrar que Gollun já foi Smeagol, um Hobbit.


Não há como assistir a esse filme e não se impressionar com a caracterização das personagens, pois tanto a maquiagem quanto a edição que transforma alguns seres mágicos em reais, são perfeitas. Nesse contexto, podemos criticar o que for aqui (principalmente o roteiro, que é o que dá ao filme seu maior problema: cenas desnecessárias), mas criticar a parte técnica da produção ou as atuações de uma forma geral, é algo imprudente e, caso seja feito, não se deve atribuir muitos créditos. Mais um trunfo utilizado por Jackson para atrair os fãs da Trilogia do Anel é fazer algumas referências aos três filmes lançados há quase 10 anos. Ainda sim, o principal trunfo de toda a história é mostrar um pouco mais das tradições dos Hobbits (os quais conhecemos muito pouco nas outras produções), dos anões, dos Elfos e alguma coisa relacionada aos magos (sobre os quais não sabíamos nada). Como disse, se um anão já pode fazer um estrago ao encarar qualquer aventura, imaginem 13 anões em busca de um tesouro guardado por um Dragão. Entretanto, apesar do excesso de anões e da presença de três magos, sentimos falta de mais elfos, e, sem dúvida, apesar da excelente atuação de Martin Freeman (que coloca Bilbo em um posto que sempre desejamos ver), em uma história intitulada “O Hobbit” falta-nos “hobbitesses”. Por fim, vale a pena conferir por um simples fato: é sempre bom voltar a Terra Média, e se tem alguém nesse mundo que é capaz de tornar esse universo palpável, esse alguém é Peter Jackson.

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151. O TALENTOSO RIPLEY, de Anthony Minghella


O perigo de tentarmos encontrar a nós mesmos está exatamente nessas descobertas a respeito de nossos próprios desejos, medos e anseios.
Nota: 9,5

Título Original: The Talented Mr. Ripley
Direção: Anthony Minghella
Elenco: Matt Damon, Gwyneth Paltrow, Jude Law, Cate Blanchett, Philip Seymour Hoffman, James Rebhorn, Sergio Rubini, Phiplip Baker Hall, Celia Weston, Fiorello, Stefania Rocca
Produção: William Horberg, Tom Sternberg
Roteiro: Anthony Minghella e Patricia Highsmith (romance)
Ano: 1999
Duração: 139 min.
Gênero: Drama / Thriller / Crime

Quando Tom Ripley se passa por um ex-colega de Dickie Greenleaf e é convidado pelo pai milionário do jovem para tentar trazê-lo de volta para a América – Dickie cansou da vida de riquinho vivendo com os pais e mudou-se para a Europa – o trambiqueiro vê sua chance de conquistar o jovem e permanecer rico por muito tempo. Entretanto, quando Dickie começa a enjoar da presença “grudenta” de Ripley é chegada a hora de escolher entre o certo e o fácil, e Tom se verá em uma rede de mentiras e mortes impossível de se escapar.



Patricia Highsmith se tornou uma escritora famosa por suas histórias de thriller psicológicos, além de grandes obras literárias, ela também escreveu contos, é óbvio que todos no mesmo tom macabro, irônico e repletos do bom humor negro que todo mundo gosta. Para Ripley ela reservou aquele tipo de história sobre a qual não podemos contar muito, afinal, qualquer detalhe poderia estragar quase toda a diversão e a intenção de surpreender o espectador. Após “O Paciente Inglês” (1996), esperava-se que Minghella permanecesse em seu patamar (que é bem alto, por sinal), e foi exatamente isso que aconteceu. Apesar de os dois filmes abordarem temáticas totalmente diferentes, o estilo de Minghella permanece o mesmo: sóbrio, objetivo, com tomadas amplas ou fechadas muito bem feitas e a exploração maravilhosa de cada cenário. Além disso, a fotografia e a edição do filme, bem como seu figurino – que surpreende mais ainda quando vemos a clara mudança de Tom Ripley: do garoto pobre dos EUA, ao amigo do rico Dickie na Europa – são obras a parte. A trilha sonora é do mesmo compositor de “O Paciente Inglês” – que venceu o Oscar em 1997 pelo filme -, Gabriel Yared. Obviamente, isso contribui ainda mais para as semelhanças entre os dois filmes, mas, ainda assim “O Talentoso Ripley” é uma produção original que surpreende a cada cena, mesmo sabendo o enredo todo da trama, cada ação de Ripley é imprevisível e surpreendente.



Para viver o psicopata no cinema foi escolhido Matt Damon, apesar de não gostar do ator em grande parte de seus filmes, aqui ele está fantástico. Dentre as principais características de Ripley, temos sua habilidade em imitar pessoas e assinaturas de forma quase perfeita, entretanto, durante o filme, parece que a personagem acredita em suas próprias mentiras, e Damon é tão fantástico que parece que ora ele está manipulando Ripley, ora a personagem manipula seu intérprete; enfim, realizar um trabalho tão maravilhoso ao interpretar um psicopata (que, para piorar, acredita ser necessário matar esse ou aquele indivíduo) como Damon realiza, é algo digno de ser assistido e admirado. Ao lado do ator está Jude Law como Dickie, em uma de suas melhores interpretações, como um homem mimado que resolveu sumir no mundo para tentar buscar algum sentido na vida, ao menos é nisso que ele acredita, para mim Dickie é um ingrato notório, em suma, Law também está ótimo, o que pode ser verificado em uma das melhores cenas do filme, em que ele e Damon duelam em uma discussão que parece interminável – seu desfecho é ótimo e só prova ainda mais a loucura de Ripley. Gwyneth Paltrow é a namorada de Dickie, uma escritora que, apesar de inteligente, é um tanto chata demais, daquele tipo de riquinha estressante e sem graça, apesar da personagem ser dessa forma, Paltrow é mais uma surpresa ótima. Quem não é surpresa alguma e só confirma seu talento é a dupla formada por Cate Blanchett e Philip Seymour Hofman – os dois não tem nada a ver um com o outro e nem chegam a contracenar juntos, que fique claro -, ela vive Meredith Logue, filha de pessoas ricas, a jovem também tenta fugir da família, mas acaba caindo nas falsidades de Ripley quando ele chega a Europa e diz a ela, para surpreendê-la e conquistá-la mais rapidamente, que ele é Dickie Greenleaf, ela, inocentemente, acredita em tudo o que ele fala, do começo ao fim; Hoffaman é o amigo de Dickie, Freddie Miles, mais um bon vivant que vive sua vida como se não tivesse responsabilidade alguma e acreditando que a é vida feita apenas dessas pequenas emoções, que ele considera emoções inacreditáveis. Por fim, a última vítima de Ripley - um bom homem que se apaixona por ele -, Peter Smith-Kingsley, interpretado por Jack Davenport, mais um presente em um elenco tão bem composto, Peter é inocente, iludido e apaixonado, mas comedido para não deixar transparecer tudo para uma sociedade preconceituosa.

Apesar de Ripley ser o mais louco de todos, deve-se destacar que não há uma personagem que seja nessa história que não tenha vários problemas, e isso, por um simples motivo: todos aqui, sem exceção, são personagens que interpretam personagens criadas por eles para a vida ser algo menos irritante, monótona, sem graça, enfim, para viverem de forma mais emocionante. O problema se concentra na intensidade com qeu isso se faz presente, afinal, é normal inventarmos isso ou aquilo sobre nos mesmos e apenas para nós mesmos para esquecermos um pouco os problemas do mundo, mas viver dessa forma o tempo todo, sabendo que não somos aquilo que queremos que os outros acreditem, é algo desumano. Sendo assim, “O Talentoso Ripley” explora o íntimo do ser humano, encontrando os segredos mais obscuros de cada indivíduo, retirando até a última pedra daquele porão onde todos acabamos escondendo nossos segredos, dúvidas e medos. O problema está no exato momento em que a porta desse esconderijo nada secreto é aberta, pois descobrimos coisas sobre nós mesmos que jamais sabemos que existem, e até aspectos que não desejamos descobrir. E é aí que mora o perigo.



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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

152. (ESPECIAL OSCAR 2013) 007 – OPERAÇÃO SKYFALL, de Sam Mendes

Se formos presenteados com produções tão fantásticas quanto essa, que venham mais 22 filmes, que venham mais 50 anos, que venham mais James Bonds.
Nota: 9,6


Título Original: Skyfall
Direção: Sam Mendes
Elenco: Daniel Craig, Judi Dench, Javier Bardem, Ralph Fiennes, Naomie Harris, Bérénice MarloheAlbert Finney, Ben Whishaw, Rory Kinner, Ola Rapace, Helen McCrory
Produção: Barbara Broccoli, Michael G. Wilson
Roteiro: John Logan, Neal Purvis, Robert Wade e Ian Fleming
Ano: 2012
Duração: 148 min.
Gênero: Ação / Thriller / Aventura

O agente 007 é dado como morto em uma missão, sua pretensão é a mais óbvia: sumir sem deixar rastros e viver seus dias em algum lugar paradisíaco. Todavia, ataques misteriosos colocam a vida de todos os seus colegas em risco, dessa forma, Bond se sente pressionado  a voltar e fazer seu papel de forma rápida e eficiente. O problema é que quem está por trás de tudo é um ex-agente do comando MI6, disposto a tudo pelo enrugado pescoço de ninguém mais, ninguém menos que a enigmática M.
Sam Mendes é, sem dúvida, um dos diretores mais surpreendentes e geniais em atividade. Apesar de possuir apenas seis títulos no cinema, desde seu primeiro filme, Beleza Americana (1999), até aqui, nenhum deles decepciona. Comentar seu estupendo trabalho nessa crítica talvez seja o mais difícil de ser realizado hoje, pois bem, vamos por partes. A abertura é, sem mais delongas, perfeita, além de imagens que fazem referências a vários outros filmes do agente, somos presenteados com a interpretação de Adele na música “Skyfall”, que, por sua letra já indica despedidas emocionantes. O restante da trilha sonora é composta por Thomas Newman, autor de dezena de trilhas conhecidas e apreciadas pela crítica e pelo público, dentre elas, acredito que se destaque “Procurando Nemo” (2003), para “007”, ele nos apresenta um trabalho magnífico e quase impecável, trazendo diversas referências ao conhecido tema do agente e aos demais filmes da franquia. Além disso, é impossível deixar de citar a beleza da fotografia do filme, os figurinos exuberantes e a maquiagem impecável responsável pela caracterização, sobretudo, de Javier Bardem. Dessa forma, digam o que quiserem de Craig (que subiu muito no meu conceito), digam o que quiserem de Adele cantando no filme (para mim, a melhor aquisição de Mendes), digam o que quiserem a respeito das indiretas homossexuais (que não foram nada absurdas), e digam o que quiserem sobre as mortes do filme (a única coisa que não gostei, mas ainda tenho minhas dúvidas quanto suas veracidades), o fato é que, 007 só tem a melhorar, e está melhorando a cada filme.

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Com esse longa, confirmo: o problema de Daniel Craig é, justamente, o diretor com quem ele trabalha. O ator demonstra, como o fez em “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” (2011, dirigido pelo mestre David Fincher) e contra todas as expectativas, que pode ser um excelente intérprete na pele de James Bond, apesar das feições ora engraçadas, ora grotescas, Craig se torna um 007 quase perfeito, sendo firme, decidido e emocionante quando necessário; nesse contexto, verificamos o crescimento tanto de Craig, quanto o amadurecimento de James Bond, e junto disso, obviamente, somos expostos a dezenas de dúvidas e problemas relacionado a idade. Javier Bardem, assim como Adele, é um presente de valor inestimável oferecido pela trama, sarcástico, imprudente e desinteressado nas consequências de seus atos, é um vilão que lembra muito o Coringa de Heath Ledger, o que significa um elogio pra lá de bem vindo, sem perder sua originalidade. Não posso deixar de comentar a tão falada cena em que Barden insinua uma atividade homossexual com Craig alegando que tudo tem uma primeira vez na vida, ao passo que este responde: “O que o faz pensar que essa é minha primeira vez?”, a ambiguidade da fala de Craig (primeira vez no sexo homo ou como agente em missão), gerou um dos maiores comentários do ano, especialmente ente os conservadores. Ralph Fiennes é uma agradável surpresa no elenco, como uma personagem que parece ser meio definitiva, ele é o chefe de Segurança Internacional da Inglaterra, e é ele que tem de lidar com os problemas advindos dos assassinatos e atentados causados pelo vilão, para mim, a personagem é muito mais do que parece, fica a dica. Apesar da excelência desses três atores e das belas “bondgirls” da vez (Naomie Harris e Bérénice Malohe), é a matriarca que realmente interessa nessa sequência. Judi Dench é a insuperável M, que sofre ao saber dos planos do antigo agente, mas que permanece fria e convicta quando ordena que a arma seja disparada mesmo que a vida de Bond esteja em jogo, sendo assim, mesmo que a atuação de Bardem se sobre saia a dezenas de outras personagens coadjuvantes do ano, é inegável: Dench jamais será superada enquanto M viver.
Após 22 filmes, seis diferentes James Bond (e põe diferentes nisso), mais de uma dezena de diretores e inúmeros roteiristas, finalmente as aventuras do agente 007 completam 50 anos, e como era de se esperar, em grande estilo temos uma das produções mais bem realizadas da história. Pode até ser que Craig não seja o melhor James Bond entre todos, mas sem dúvida, a genialidade de Sam Mendes torna o filme uma obra quase impecável. A missão de Bond, portanto, fica bem além de divertir, o propósito de todo o filme – e isso inclui cada personagem e cada cena- é, justamente, o de indagar ao espectador o quanto podemos nos sentir seguros, afinal, até mesmo grandes personagens de nossa história atual – aqui representados por M, que, aliás, não é humanizada em momento algum como algumas pessoas vem apontando – correm perigo o tempo todo. Portanto, o quanto você está protegido? E o que você acha que deve ser feito para que essa situação seja melhorada? Enquanto pensa em tudo o que esse filme nos faz refletir, corre até a locadora mais próxima – e bem equipada- e divirta-se, e pense com James Bond e seus 22 filmes, até que uma próxima produção seja lançada, afinal, somos lembrados no final do filme que esse não é o fim, afinal, “James Bond will be back”.

A SEGUIR, PARA FECHAR O ESPECIAL "50 ANOS DE JAMES BOND NO CINEMA" A RELAÇÃO DOS FILMES E DOS ATORES QUE INTERPRETARAM O AGENTE 007:













COMO ÚLTIMA HOMENAGEM, O PRIMEIRO JAMES BOND DA HISTÓRIA (SEAN CONNERY) AO LADO DO CRIADOR DO PERSONAGEM (IAN FLEMING):


ESPECIAL TEMPORADA DE PREMIAÇÕES 2013
INDICADOS AO GLOBO DE OURO


Melhor Filme (Drama)
Argo
Lincoln

A Hora Mais Escura

Django Livre

As Aventuras de Pi


Melhor Filme (Comédia/Musical)

Os Miseráveis

O Exótico Hotel Marigold

Moonrise Kingdom

O Lado Bom da Vida

Amor Impossível


Melhor Diretor

Ben Affleck (Argo)

Kathryn Bigelow (A Hora Mais Escura)

Steven Spielberg (Lincoln)

Quentin Tarantino (Django Livre)

Ang Lee (As Aventuras de Pi)


Melhor Ator (Drama)

Daniel Day-Lewis (Lincoln)

Joaquin Phoenix (O Mestre)

Denzel Washington (O Voo)

Richard Gere (A Negociação)

John Hawkes (As Sessões)


Melhor Ator (Comédia/Musical)
Bradley Cooper (O Lado Bom da Vida)
Bill Murray(Um Fim de Semana em Hyde Park)
Hugh Jackman (Os Miseráveis)
Jack Black(Bernie)
Ewan McGregor (Amor Impossível)
Melhor Atriz (Drama)
Marion Cotillard (Ferrugem e Osso)
Jessica Chastain (A Hora Mais Escura)
Helen Mirren (Hitchcock)
Naomi Watts (O Impossível)
Rachel Weisz (The Deep Blue Sea)


Melhor Atriz (Comédia/Musical)

Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)

Judi Dench (O Exótico Hotel Marigold)

Maggie Smith (Quartet)

Emile Blunt (Amor Impossível)

Meryl Streep (Um Divã Para Dois)


Melhor Ator Coadjuvante

Robert De Niro (O Lado Bom da Vida)

Christoph Waltz (Django Livre)

Tommy Lee Jones (Lincoln)

Leonardo DiCaprio (Django Livre)

Alan Arkin (Argo)



Melhor Atriz Coadjuvante

Anne Hathaway (Os Miseráveis)
Amy Adams (O Mestre)
Sally Field (Lincoln)
Helen Hunt (As Sessões)
Nicole Kidman (The Paperboy)


Melhor Roteiro

Argo

Django Livre

A Hora Mais Escura

O Lado Bom da Vida

Lincoln



Melhor Filme em Língua Estrangeira

Intocavéis (França)
Amor (Áustria)
Ferrugem e Osso (França)
O Amante da Rainha (Dinamarca)
Kon-Tiki (Reino Unido, Dinamarca e Noruega)


Melhor Animação

Frankenweenie

Detona Ralph

Hotel Transilvânia

A Origem dos Guardiões

Valente


Melhor Trilha Sonora Original

Anna Karenina

Lincoln

As Aventuras de Pi

Argo

A Viagem


Melhor Canção Original

Skyfall (007 - Operação Skyfall)

Safe and Sound (Jogos Vorazes)

Suddenly (Os Miseráveis)

Not Running Anymore (Amigos Inseparáveis)

For You (Ato de Coragem) 


Prêmios para Televisão


Melhor Série (Comédia/Musical)

The Big Bang Theory

Episodes

Girls

Modern Family

Smash


Melhor Ator em Série (Comédia/Musical)

Alec Baldwin (30 Rock)

Don Cheadle (House of Lies)

Louis C.K. (Louis)

Matt LeBlanc (Episodes)J

Jim Parsons (The Big Bang Theory)

Melhor Atriz em Série (Musical/Comédia)

Zooey Deschanel (New Girl)

Julia-Louis Dreyfus (Veep)

Lena Dunham (Girls)

Tina Fey (30 Rock)

Amy Poehler (Parks & Rec)

Melhor Série (Drama)

Breaking Bad

Boardwalk 

EmpireDownton 

AbbeyHomeland

The Newsroom

Melhor Ator em Série (Drama)

Steve Buscemi (Boardwalk Empire)

Bryan Cranston (Breaking Bad)

Jeff Daniels (The Newsroom)

Jon Hamm (Mad Men)

Daniel Lewis (Homeland)


Melhor Atriz em Série (Drama)

Connie Britton (Nashville)

Glenn Close (Damages)

Claire Danes (Homeland)

Julianne Margalies (The Good Wif)
Michelle Dockery (Downton Abbey)


Melhor Minissérie ou Filme para Televisão

Game Change

The Girl

Hatfields

The Hour

Political Animals

Melhor Ator em Minisséries

Kevin Costner (Hatfields & McCoys)

Benedict Cumberbatch (Sherlock)

Woody Harrelson (Game Change)

Toby Jones (The Girl)

Clive Owen (Hemingway & Gelhorn)



Melhor Atriz em Minisséries

Nicole Kidman (Hemingway & Gelhorn)
Jessica Lange (American Horror Story: Asylum)
Sienna Miller (The Girl)
Julianne Moore (Game Change)
Sigourney Weaver (Political Animals)


Melhor Ator Coadjuvante em Minisséries

Hayden Panettiere (Nashville)

Archie Panjabi (The Good Wife)

Sarah Paulson (American Horror Story)

Maggie Smith (Downton Abbey)

Sofia Vergara (Modern Family)


Melhor Atriz Coadjuvante em Minisséries

Max Greenfield (New Girl)

Ed Harris (Game Change)

Danny Huston (Magic City)

Mandy Patinkin (Homeland)

Eric Stonestreet (Modern Family)


DANIEL DAY LEWIS, no filme Lincoln, um dos mais indicados do ano.

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